Regimento de Apoio Militar de Emergência entrou em funcionamento a 1 de novembro de 2016 em Abrantes. Foto: mediotejo.net

 A ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, alertou hoje que “quem promove, esconde” ou “se abstém” de reportar abusos contribui para que estes perdurem, pedindo às Forças Armadas “coragem moral”.

“Quem promove, quem esconde ou quem se abstém de reportar tais atos, contribui para que os mesmos perdurem. É nestas ocasiões que devemos ser capazes de mostrar coragem moral para reconhecer problemas, exigir rigor para identificar os factos e discernimento para encontrar as respostas adequadas”, defendeu a governante.

Helena Carreiras falava na cerimónia comemorativa do dia da Academia Militar, perante o chefe do Estado-Maior-General do Exército, general Nunes da Fonseca, entre outras entidades militares e civis.

Sem nunca fazer uma referência direta às recentes notícias de alegadas práticas violentas a uma recruta do Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), localizado em Abrantes, Helena Carreiras salientou que “o ensino e a formação, a base de qualquer escola, merecem” estar no centro das atenções.

“É nesta academia que os cadetes e alunos de hoje aprenderão a conhecer a história que os antecede. Mas é sobretudo aqui que serão formados para construir o futuro. Perante estes mesmos cadetes e alunos cumpre-me, portanto, reforçar o quanto as suas ações, dentro e fora desta instituição, devem constituir exemplos dos seus mais elevados valores: os valores da disciplina, da lealdade e do respeito”, avisou.

Para a governante, “não pode nem deve haver margem para dúvidas”.

“Quaisquer manifestações de práticas contrárias àqueles valores, surjam onde surgirem, são inaceitáveis. Quaisquer abusos põem em causa a coesão, danificam os alicerces das Forças Armadas e atentam contra o trabalho quotidiano de todos quantos nelas servem”, frisou.

No seu discurso, Helena Carreiras sublinhou que “as pessoas da Defesa Nacional” são o “principal capital” e é preciso estar “à altura da magnitude dos desafios que se lhes colocam”.

A governante destacou “o inestimável papel que têm sabido desempenhar, com total disponibilidade e abnegação, através do seu contributo diário, nacional ou internacional, desde o apoio a emergências civis complexas até à participação em Forças Nacionais Destacadas”.

“É nossa responsabilidade providenciar aos jovens cadetes e futuros oficiais que ingressam nas diferentes academias, uma formação de qualidade e orientada para o pensamento crítico em situações complexas. Mas essa formação tem também de ser alicerçada em valores seculares que permanecem essenciais ao desenvolvimento de umas Forças Armadas credíveis, modernas, atrativas e de elevada prontidão e competência”, salientou.

Momentos antes, o comandante da Academia Militar, major-general Loureiro Magalhães, adiantou que em 2022 concluíram o curso e ingressaram no quadro permanente do Exército “34 oficiais alunos” e 27 nos quadros da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Atualmente frequentam os diferentes cursos da Academia Militar 580 alunos, dos quais 373 são do Exército, 177 da GNR e 30 de países de língua oficial portuguesa. O major-general acrescentou que destes, 94 são do sexo feminino, “correspondendo a cerca de 16% do corpo de alunos”.

A Academia Militar, que comemorou hoje o seu 233.º aniversário desde a sua fundação, é um estabelecimento que desenvolve atividades de ensino e investigação, tendo como principal missão formar oficiais destinados aos quadros permanentes do Exército e da GNR.

No passado dia 06 de janeiro o Ministério da Defesa anunciou a abertura de um “novo processo urgente de averiguações” sobre as alegadas práticas violentas exercidas sobre uma recruta em Abrantes, que será acompanhado pela ministra da Defesa Nacional.

Em comunicado, foi adiantado que Helena Carreiras recebeu “com grande preocupação” as notícias avançadas pelo Diário de Notícias (DN) naquele dia que, segundo a nota, terão sido “aparentemente muito mais graves do que as que constavam do processo de averiguações e processos disciplinares já em curso pelo Exército naquela unidade militar”.

O DN noticiou na passada sexta-feira que uma recruta do Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), em Abrantes, terá sido alvo de práticas violentas, no âmbito de “uma praxe que na gíria denominam de ‘Formação Orientada de Desenvolvimento de Atitudes’”.

A recruta em causa relatou ao jornal um “intenso esforço físico exigido pelo RAME, que a terá levado à exaustão e à ansiedade, acabando por ir parar ao hospital com uma crise de taquicardia”, escreve o DN, entre outros episódios.

Questionado pela Lusa, o Exército adiantou que, antes do processo aberto este mês, em 02 de dezembro o comandante do RAME determinou a instauração de um processo de averiguações, decorrente de uma participação apresentada em 29 de novembro, por uma militar em formação naquela unidade.

Na sequência desse processo de averiguações foram instaurados três processos disciplinares no RAME, “um dos quais contra a militar queixosa”.

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

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