Foto: DR

A Associação de Apoio à Vítima (APAV) publicou recentemente os seus dados relativos a 2017. Ao nível do Médio Tejo, os concelhos de Tomar e Torres Novas foram os que registaram mais casos de vítimas de violência no último ano, com 12 cada. Seguem-se Abrantes (11), Ourém e Entroncamento (10).

O psicólogo clínico Gustavo Duarte, da APAV de Santarém, apresentou os dados gerais do distrito na quarta-feira, 11 de abril, numa conferência sobre “Equipas Municipais de Intervenção na Violência – Constrangimentos e Desafios”, no âmbito do 9º Fórum de Recursos Sociais a decorrer em Alcanena. Segundo o responsável, de todos os casos de violência sinalizados, 74% relacionam-se com violência doméstica.

Gustavo Duarte explicou que muitas vezes não são apenas os próprios agressores que desvalorizam as situações de violência, mas também as vítimas, em particular quando se fala de crianças e jovens. “É um desafio sensibilizar para a importância do acompanhamento destas crianças”, defendeu, pois a violência ao longo do crescimento pode levar a características nervosas e depressões.

Os jovens vítimas de violência (seja física ou psicológica) estão muitas vezes dependentes dos agressores, têm medo de ser culpabilizadas ou desacreditadas, têm dificuldades em pedir apoio e possuem frequentemente laços afetivos com o agressor.

Em 2017, a APAV de Santarém registou 302 processos, 758 crimes e outras formas de violência e 258 vítimas. Deste bolo, 10% são processos que envolvem vítimas entre os 0 e os 17 anos, em 9% dos casos a vítima é filho/filha e em 27,9% é um cônjuge. A maioria das vítimas (38,4%) provêem de uma família nuclear com filhos.

“Cada vez mais é importante investir em redes de apoio”, defendeu. O Relatório Anual de 2017 da APAV, em termos globais, aponta que todos os dias houve registo, em média, de três vítimas entre idosos e dois registos de crianças e jovens. A esmagadora maioria das vítimas são mulheres (surgem 14 por dia), mas também aparecem homens (dois por dia). O perfil tipo da criança vítima de violência é ser rapariga, ter cerca de 11 anos e provir de uma família nuclear.

Em termos do Médio Tejo, numa consulta do relatório disponível na página eletrónica da APAV, os concelhos que registaram mais vítimas de violência foram Tomar e Torres Novas, seguidos de Abrantes, Entroncamento e Ourém. Alcanena teve nove casos em 2017 e a Barquinha seis. Ferreira do Zêzere, Mação, Constância e Sardoal registaram apenas dois casos cada e Vila de Rei e Sertã apenas um.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

Deixe um comentário

Leave a Reply