Abaixo-assinado exige mais cuidados de saúde em Abrantes. Foto: DR

O Centro Hospitalar do Médio Tejo está com um surto de Gripe A, estando registados 27 casos de doentes internados nos três hospitais da região (Abrantes, Tomar e Torres Novas) com o vírus influenza, disse ao mediotejo.net fonte oficial do CHMT.

O hospital de Abrantes é o que regista maior número (20) de situações de infeção por vírus de Gripe A em doentes internados numa das enfermarias do Serviço de Medicina Interna, sendo o único hospital a manter a redução do horário de visitas e uso obrigatório de máscaras como medida de restrição.

A diretora do serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Médio Tejo, que abarca as unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, confirmou no dia 15 de fevereiro um “quadro de infeção aguda do sistema respiratório em nove doentes ocasionada pelo vírus influenza, com elevado potencial de transmissão”, tendo referido, na ocasião, ser “prematuro” falar em surto da Gripe A.

Na sexta-feira o número de infectados era de 27, nos três hospitais, e a coordenadora da Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, deu conta ao nosso jornal de um “surto” e refere que a situação “tende a normalizar”.

Em declarações ao mediotejo.net, Maria dos Anjos Esperança disse que os primeiros nove doentes estavam internados em Abrantes “por outros quadros clínicos”, e que “o contágio terá sido feito por pessoas que foram visitar familiares ou amigos” que ali se encontravam, tendo elogiado as medidas de precaução e as restrições tomadas pelo CHMT.

“Sim, há um surto de gripe A, não no Médio Tejo mas no país inteiro, e teremos muito mais do que os 27 casos, embora não estejam internados”, disse aquela responsável, dando conta ser importante “desmistificar” a questão, porquanto “esta é uma gripe normal, que pode ser evitada pela vacinação”.

No Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) estão neste momento registados 27 casos de doentes infetados com gripe A. Foto: DR

“A principal perigosidade deste vírus é a sua forte propagação e contágio a pessoas mais sensíveis, seja pelo espirro, pela tosse, ou através de superfícies contaminadas (como pratos ou copos, por exemplo), sendo evitada pela higiene pessoal e conduta social”.

Para a coordenadora da Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, “as situações estão controladas”, tendo referido que as medidas de precaução, colocando os doentes em isolamento, e as restrições às visitas no hospital de Abrantes, “visam proteger as pessoas que já estavam doentes e proteger as visitas que ainda não tenham problemas” com a gripe.

Maria dos Anjos Esperança disse ainda que a vacinação, sobretudo dos profissionais de saúde e das pessoas incluídas nos grupos de risco, é a melhor forma para preservar a saúde.

“A taxa de vacinação da população é alta, as pessoas hoje em dia vacinam-se mais, mas a taxa de vacinação contra a gripe pelos profissionais de saúde é baixa”, disse a responsável, estimando que a vacinação dos profissionais ronde apenas os 30 a 40 por cento.

A atividade gripal no Médio Tejo terá atingido o seu pico na última semana e nesta altura apresenta uma curva descendente, a par do que sucede em todo o país, notou.

O CHMT mantém desde o dia 15 de fevereiro as restrições no hospital de Abrantes, tendo reduzido o número de visitas por doente e o horário das visitas, que está agora compreendido entre 16:30 e as 19.30, e enquanto for necessário, sendo obrigatório o uso de máscara que é disponibilizada no exterior da enfermaria.

No hospital de Abrantes estão 20 doentes internados com gripe A. Foto: mediotejo.net

Segundo nota informativa do CHMT, estas medidas restritivas “visam a proteção de todos, em particular os doentes, mas também as visitas, população em geral, e profissionais de saúde”, e “manter-se-ão enquanto forem necessárias, podendo ser eventualmente adaptadas a novas realidades que decorram do evoluir da situação.

Constituído pelas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros, o CHMT funciona em regime de complementaridade de valências, abrangendo uma população na ordem dos 255 mil habitantes de 12 concelhos do Médio Tejo, no distrito de Santarém, e ainda dos municípios de Gavião e Ponte de Sor, ambos de Portalegre.

Como se identifica a Gripe A?

A gripe A é inicialmente confundida com grande facilidade com qualquer outra gripe sazonal, até porque a generalidade dos sintomas são comuns aos diferentes vírus da gripe. A principal diferença reside no facto de a gripe A provocar, geralmente, febres mais elevadas e dores musculares mais intensas, podendo ainda estar associada a perturbações gastrointestinais (vómitos e diarreia).

Recomendações para o dia a dia

Lavar as mãos com muita regularidade, evitando o contacto das mãos com os olhos, nariz e boca antes da lavagem; cobrir a boca e o nariz com um lenço de papel para tossir ou espirrar, devendo esse lenço ser imediatamente depositado no lixo; limpar frequentemente superfícies que estejam em contacto regular com as mãos, tais como maçanetas das portas, ratos e teclados de computadores, torneiras, talheres e telefones, entre outros.

Usar máscara sempre que for necessário contactar com pessoas doentes e com sintomas de gripe, redobrar todos estes cuidados com grávidas, crianças com menos de 5 anos, seniores com mais de 65 anos e doentes crónicos, e incentivar as crianças a adotar todas as medidas preventivas.

Sintomas da gripe A:

Febre, tosse, obstrução nasal, dor de garganta, dores musculares, cefaleias (dores de cabeça), calafrios, fadiga, vómitos ou diarreia.

O vírus da gripe A tem uma elevada capacidade de transmissão pessoa a pessoa. Na maior parte dos casos, os efeitos da gripe A passam ao fim de poucos dias e o vírus não deixa sequelas.

A capacidade de transmissão e a gravidade são semelhantes aos da gripe habitual, embora atingindo pessoas mais jovens. O vírus transmite-se pela tosse, expetoração ou espirros, diretamente (inalação) ou indiretamente (contacto com superfícies contaminadas).

Como se manifesta a doença?

Na maioria dos casos apresenta-se como uma vulgar constipação (febre, dores no corpo, tosse, expetoração, pingo do nariz) ou gastroenterite (febre, diarreia, vómitos). As principais complicações, essencialmente respiratórias (pneumonias ou descompensação de doenças respiratórias crónicas, como a bronquite crónica ou o enfisema pulmonar), cardíacas (descompensação de insuficiência cardíaca já existente) ou metabólicas (desidratação, descompensação de diabetes já existente), surgem especialmente nos chamados grupos de risco.

Quais os grupos de risco?

As crianças com menos de dois anos, as grávidas (em particular no segundo e terceiro trimestres), as mães até duas semanas após o parto, os portadores de doenças crónicas respiratórias (asma sob tratamento crónico com cortisonas, bronquite crónica, enfisema), cardiovasculares (insuficiência cardíaca), metabólicas (diabetes, obesidade marcada) e renais (insuficiência renal), os doentes com perturbações da imunidade (infeção por HIV, entre outras) e os doentes submetidos a tratamentos que de algum modo reduzem a sua capacidade de defesa (anti-tumorais, corticoides, entre outros). Estes têm um maior risco de complicações e mortalidade mais elevada, razão pela qual necessitam de precauções redobradas e ser submetidas a profilaxia (quando contactam com casos confirmados) e a tratamento (quando adoecerem com sintomas de gripe causada por este vírus).

Qual o período de incubação do vírus e qual a duração da fase contagiosa?

Este período varia entre três a 10 dias, com uma média de sete, durante o qual a contagiosidade é praticamente nula. A doença dura cerca de sete dias, mas após dois dias sem febre a contagiosidade já é reduzida.

O que se deve fazer se tiver sintomas de gripe?

Permanecer em casa, contactar a Linha Saúde 24 e seguir as indicações. Tomar paracetamol para a febre e aumentar a ingestão de líquidos. Em caso de agravamento (febre mais de três dias ou em subida, falta de ar…) dirija-se a uma urgência hospitalar.

Como se previne a transmissão?

As pessoas doentes não devem partilhar a mesma divisão, beijar ou abraçar, devendo guardar distância (um metro) e usar máscara, tossir ou espirrar para lenços descartáveis, ou proteger a tosse ou o espirro com o braço e não com a mão.

A lavagem das mãos com água e sabão ou sabonete é a medida mais importante. Em alternativa, podem usar-se soluções alcoólicas ou toalhetes embebidos em soluções desinfetantes. As roupas e as loiças devem ser lavadas com água quente e detergente.

As zonas de utilização comum devem ser limpas com detergentes desinfetantes após cada utilização, os quartos devem ser arejados e as superfícies (mesas de cabeceira, interruptores, estruturas das camas, paredes até à altura do braço) devem ser limpas aquando do fim da doença.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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