A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo apresentou oficialmente as alterações que o PART – Programa de Apoio Tarifário à Redução Tarifária nos Transportes Públicos vai trazer para a região a partir desta segunda-feira, dia 1 de abril. A presidente Anabela Freitas e o secretário-executivo Miguel Pombeiro confirmaram reduções tarifárias na ordem dos 40% que abrangem rodovia e ferrovia, sendo que no último caso a entrada em vigor é a 1 de maio.
Os critérios de aplicação e outros pormenores do PART no Médio Tejo foram anunciados na última reunião da Assembleia Intermunicipal da CIM do Médio Tejo, realizada na semana passada. A apresentação oficial do que muda a partir do próximo dia 1 de abril decorreu na segunda-feira, dia 25, após reunião das CIMs do Médio Tejo e da Lezíria do Tejo com a Área Metropolitana de Lisboa, um dia antes das assinaturas mensais de abril começarem a ser vendidas.
A conferência de imprensa sobre o programa associado à redução tarifária nos sistemas de transporte público coletivo e o aumento da oferta de serviço e expansão da rede teve lugar na sede da CIM do Médio Tejo, em Tomar. Foi no auditório que a presidente Anabela Freitas e o secretário-executivo Miguel Pombeiro confirmaram o valor global de 892.759,00€ de dotação do PART prevista para esta comunidade intermunicipal em 2019.
Do total, 870.984,00€ são provenientes do Fundo Ambiental e 21.775,00€ comparticipado pelos municípios, tendo a CIM do Médio Tejo optado por aplicar cerca de 90% na redução tarifária e o remanescente no aumento da oferta de serviço e extensão da rede. No último caso, o financiamento vai incidir no projeto Transporte a Pedido que, atualmente, assegura mais de 700 viagens mensais em 11 concelhos da região através de 60 circuitos e cerca de 1100 paragens.

A aplicação do PART contempla a extensão desta rede de transporte flexível ao sul do concelho de Tomar, na União de Freguesias de Madalena e Beselga, e a novidade de ligações intermunicipais de Vila de Rei aos centros de Abrantes, Tomar e Sertã. Anabela Freitas esclareceu que, até à data, a lógica do Transporte a Pedido era a ligação interna nos municípios entre lugares e sedes de concelho.
A autarca anunciou como outra novidade a ligação das cinco cidades do Médio Tejo – Abrantes, Entroncamento, Ourém, Tomar e Torres Novas – até ao final de 2019. Além da população, a medida também favorecerá os fluxos turísticos na região e Anabela Freitas acabou por associar esta inovação à campanha “StayOver Fátima-Tomar”, projeto desenvolvido pela CIM do Médio Tejo neste âmbito.
No que respeita às reduções tarifárias no Transporte a Pedido, o número de escalões foi reduzido para três e os bilhetes passam a custar 1,00€, 1,50€ e 2,00€. Um dos exemplos apresentados foi o percurso entre Cardigos e Mação, no qual o passageiro pagará 2,00€ por bilhete simples e 10,80€ por seis viagens a partir de 1 de abril, em vez dos 3,80€ e 22,80€ que paga atualmente.

Ao contrário do que acontece no Transporte a Pedido, porque não tem esta modalidade, é sobre os passes mensais que vai ser aplicada a maioria das reduções tarifárias do PART. Os critérios estabelecidos determinam a sua aplicação de igual modo no transporte coletivo rodoviário e ferroviário, sem esquecer os urbanos nos quatro concelhos onde existem.
Os valores das reduções tarifárias, nestes casos, serão anunciados pelas respetivas autarquias, tendo sido avançado que a entrada em vigor das alterações está prevista para 1 de abril em Abrantes e Tomar e no máximo até 1 de maio para Entroncamento e Torres Novas. Maio é o mês em que o PART passa a abranger a mobilidade ferroviária no Médio Tejo.
À semelhança do transporte rodoviário, as reduções tarifárias aplicam-se a viagens com origem e/ou destino nos concelhos da região, assim como as deslocações que começam na região e terminam fora dela e vice-versa. Igualmente consideradas foram as ligações entre o território da CIM do Médio Tejo e os fronteiriços de outras comunidades intermunicipais, como a Lezíria do Tejo ou Coimbra.

Os descontos rondam os 40% e incidem nas assinaturas mensais pois as tarifas de bordo não estão contempladas. Miguel Pombeiro destacou tratar-se de um “incentivo” à utilização dos transportes públicos na região e um contributo para a “descarbonização”. A mudança de hábitos não terá efeitos visíveis a curto-prazo, mas o impacto irá sentir-se no futuro.
O transporte ferroviário inclui a utilização dos serviços regional e inter-regional e quem se desloca para Lisboa tem a possibilidade de combinar o passe regional, até Vila Franca de Xira, com o da Área Metropolitana de Lisboa.
Por exemplo, um passageiro que viaja regularmente de comboio entre Entroncamento e a capital já poderá usufruir do novo valor do passe da Área Metropolitana de Lisboa (40,00€) a partir de abril.
A partir de 1 de maio, o mesmo passageiro deixa de pagar 164,20€ entre o Entroncamento e Vila Franca de Xira e o encargo mensal desce para os 98,50€. Em termos globais, considerando a soma do passe regional e do passe metropolitano, a partir de 1 de maio, o custo mensal entre Entroncamento e Lisboa desce de 252,90€ para 138,50€, entre Tomar e Lisboa passa de 279,35€ para 164,25€ e entre Abrantes e Lisboa reduz de 292,00€ para 168,60€.
