Panorâmica aérea da cidade de Tomar. (Foto: DR)

Há momentos em que uma região tem de decidir se quer continuar a viver das oportunidades perdidas ou se está preparada para construir o seu próprio futuro. O Médio Tejo está precisamente nesse ponto.

Durante anos habituámo-nos a ouvir que o desenvolvimento acontecia noutros lugares. Os grandes investimentos seguiram para o litoral e para as grandes áreas metropolitanas. Os jovens partiram à procura de melhores oportunidades e muitos acabaram por aceitar que este era um destino inevitável. Não era. E continua a não ser.

O Médio Tejo tem tudo aquilo que hoje muitos territórios ainda procuram construir. Tem uma localização estratégica, boas acessibilidades, empresas competitivas, património histórico reconhecido internacionalmente, recursos naturais de enorme valor e uma qualidade de vida que se tornou um dos fatores mais importantes para quem procura viver e investir.

O problema nunca foi a falta de potencial.

O problema foi, demasiadas vezes, a falta de ambição coletiva.

Continuamos ainda, muitas vezes, a olhar para os desafios a partir das fronteiras de cada concelho, quando o mundo já funciona em escala regional. Nenhum município conseguirá, sozinho, atrair grandes investimentos, afirmar uma marca turística forte ou criar condições para fixar população qualificada. Mas juntos, os onze municípios do Médio Tejo têm dimensão, recursos e capacidade para o fazer.

É essa visão que falta consolidar.

Quando se fala do Médio Tejo fala-se inevitavelmente do património templário, da religiosidade, do Castelo de Almourol, do Castelo do Bode, dos rios, das aldeias, da floresta e da riqueza cultural que atravessa gerações. Mas fala-se ainda pouco da sua capacidade industrial, do ensino superior, das empresas exportadoras, dos centros de conhecimento, da inovação que já existe e da capacidade de competir num mercado cada vez mais exigente.

A região tem argumentos para atrair empresas, turismo e novos residentes. O que precisa é de os apresentar de forma articulada, consistente e com confiança.

Vivemos um período de transformação económica em que a qualidade de vida, a sustentabilidade, o teletrabalho, a digitalização e a descentralização criam oportunidades que dificilmente existiam há vinte anos. Hoje, muitos procuram tranquilidade, proximidade, segurança e espaço para crescer, precisamente aquilo que o Médio Tejo oferece.

Seria um erro deixar passar este momento.

Os fundos europeus, os novos investimentos públicos e privados e a crescente valorização dos territórios do interior representam uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Mas nenhuma oportunidade se concretiza apenas porque existe. É preciso visão, liderança e capacidade para transformar intenções em projetos.

Também é tempo de mudar o discurso.

O Médio Tejo não deve afirmar-se por aquilo que lhe falta, mas pelo que pode oferecer. Deve apresentar-se como uma região preparada para receber investimento, criar emprego qualificado, acolher novas famílias e valorizar os seus recursos naturais e culturais.

Isso exige cooperação. Exige que autarquias, empresas, associações, instituições de ensino e sociedade civil caminhem na mesma direção. Exige também que o poder central reconheça o papel estratégico desta região no desenvolvimento do país. Mas, antes de exigir esse reconhecimento, o Médio Tejo tem de acreditar em si próprio.

As regiões que hoje são exemplos de desenvolvimento não chegaram onde estão por acaso. Definiram objetivos, uniram esforços e recusaram resignar-se à ideia de que o futuro estava reservado aos outros.

O Médio Tejo pode fazer o mesmo.

Não lhe falta património. Não lhe falta talento. Não lhe falta capacidade empresarial. Não lhe faltam recursos naturais. O que não pode continuar a faltar é uma ambição coletiva capaz de transformar todas essas vantagens em crescimento económico, emprego, inovação e qualidade de vida.

Durante demasiado tempo discutimos aquilo que perdemos.

Está na hora de começar a construir aquilo que queremos ganhar.

Porque o futuro do Médio Tejo não depende apenas das decisões que são tomadas em Lisboa. Depende, acima de tudo, da confiança que esta região tiver na sua própria capacidade para fazer mais e melhor.

E essa decisão começa agora.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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