O PSD questionou hoje o Governo sobre a ausência de qualquer posto de abastecimento para veículos elétricos no Médio Tejo, apesar do protocolo assinado há mais de dois anos com a Mobi.E. O problema foi dado a conhecer esta semana pelo mediotejo.net e pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, tendo o ministro do Ambiente admitido a falta dos equipamentos e assegurado ao nosso jornal que até ao final do ano todos os concelhos do país serão dotados de carregadores, “incluindo os da região do Médio Tejo, que reconheceu “estarem em falta”.
Numa pergunta endereçada ao ministro do Ambiente e da Transição Energética, os deputados do PSD eleitos por Santarém lembram que o protocolo entre a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo e a Mobi.E, entidade do Ministério do Ambiente, para a instalação da rede de abastecimento de viaturas elétricas na região, foi assinado no âmbito da entrega de 13 veículos elétricos para os centros de saúde dos concelhos que integram esta CIM.
“Quase três anos depois não há qualquer posto da Mobi.E a funcionar e, dos três que foram implementados, verificou-se que não estavam certificados”, afirma o deputado Duarte Marques enviada à Lusa, na qual salienta o facto de os centros de saúde terem sido “obrigados a criar condições próprias para este abastecimento”.
Na pergunta endereçada a João Matos Fernandes, os deputados social-democratas questionam se existem outras situações “em que outros concelhos de Portugal, apesar de terem estabelecido contratos para tal, se encontrem sem postos de abastecimento de viaturas elétricas a funcionar”, bem como quais os concelhos do país que ainda não têm postos de abastecimento de viaturas elétricas.
Questionam ainda sobre que medidas vai o Governo tomar para resolver o “incumprimento por parte da Mobi.E” e como justifica “o incumprimento reiterado dos compromissos assumidos por esta empresa pública, sob tutela do ministro do Ambiente, com os municípios do Médio Tejo”.
A situação “é lamentável” e “desprestigia a aposta que se quer fazer na descarbonização e na mobilidade elétrica”, já havia afirmado esta semana ao mediotejo.net o secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT).
“É uma situação lamentável porque ao mesmo tempo que incentivamos a compra de carros elétricos negligencia-se a rede de carregadores para esses mesmos veículos”, disse Miguel Pombeiro, tendo aquele responsável da CIMT feito notar as “inúmeras tentativas, todas elas infrutíferas” de tentar perceber e resolver um processo que resulta de um protocolo assinado em junho de 2017 com a Mobi.E, responsável pela instalação dos postos de carregamento de carros elétricos.
“É uma insatisfação total, seja ao nível da CIMT seja ao nível de cada município individualmente, (…) e é uma descredibilização de uma prioridade que todos reconhecemos em termos de objetivos nacionais da descarbonização e promoção da mobilidade elétrica”, lamentou Pombeiro, tendo feito notar que a situação “não é exclusiva na região do Médio Tejo”.

Questionado pelo mediotejo.net em Abrantes sobre as declarações do secretário-executivo da CIMT, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Matos Fernandes, disse na quarta-feira que “até ao final deste ano todo o país, todos os concelhos do país, serão dotados de carregadores, ainda da rede pública”, tendo feito notar que “cada vez mais são promotores da instalação entidades não públicas”.
O governante disse que, até ao final deste ano, “também os concelhos do Médio Tejo beneficiarão da colocação desses carregadores [da rede pública] que sabemos que ainda estão em falta”.
c/LUSA
