O MODO Arquitectos apresentou uma ideia de projeto para uma nova ponte que venha a ligar Montalvo e Santa Margarida, exatamente no limite dos concelhos de Abrantes e Constância. Foto: MODO

Os autarcas do Médio Tejo têm até dia 15 de setembro para entregar ao ministro do Planeamento e das Infraestruturas uma lista concertada politicamente sobre as prioridades da região em termos de pontes e de novas acessibilidades. A ponte de Tramagal (Abrantes), no âmbito do IC9, a ponte da Praia (Constância Sul – Praia do Ribatejo) e a ponte da Chamusca, no âmbito do IC3, a par da requalificação da EN118, são algumas das reivindicações de há muito de autarcas e populações. Mas o dinheiro não vai chegar para tudo.

Este é, em suma, o resultado de uma reunião ocorrida a 31 de julho em Lisboa, a pedido da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), presidida por Maria do Céu Albuquerque (que também preside à Câmara de Abrantes) e que decorreu com a presença da autarca, do ministro Pedro Marques, e dos presidentes das autarquias de Constância e Vila Nova da Barquinha [Chamusca, apesar de município vizinho de Constância e Vila Nova da Barquinha, pertence à Lezíria do Tejo, e não participou na reunião], no sentido de elencar quais os investimentos considerados prioritários para a região no próximo ciclo de investimentos comunitários no âmbito do Portugal 2020-2030.

Ponte da Praia, que liga Constância Sul a Praia do Ribatejo, em Vila Nova da Barquinha, está interdita a pesados e circula-se numa única faixa e em modo alternado. (Foto: mediotejo.net)

Em declarações ao mediotejo.net, a presidente da CIMT, Maria do Céu Albuquerque, explicou que a reunião com o ministro Pedro Marques sobre acessibilidades versou uma ”nova travessia ou qualificação das existentes, nomeadamente da EN 118 e das outras que hoje existem e não oferecem as melhores condições de segurança para quem as utiliza”.

Segundo a autarca, “o que senhor ministro nos pediu é que, enquanto região, priorizássemos os investimentos e que apresentássemos até 15 de setembro e, com isso, pudéssemos ver contemplado no próximo plano de investimentos aquilo que são as aspirações e as necessidades desta região. Não é exclusivamente da Abrantes, Constância e Barquinha, é muito mais lato do que isso, nomeadamente de toda a Lezíria e do Alto Alentejo, regiões que são servidas também por estas acessibilidades”.

Ponte da Chamusca, que liga à Golegã, é muito estreita e não permite a passagem de dois veículos pesados em simultâneo. (Foto: mediotejo.net)

Questionada sobre se é desta que avança a ponte de Tramagal, de ligação Abrantes a Ponte de Sôr no âmbito do IC9 (ligação da A23 ao IC13), inscrita no PRN 2000 e com estudos de avaliação de impacto ambiental feito e aprovado, Maria do Céu Albuquerque não o confirmou.

“A presidente da Câmara de Abrantes vai discutir com os seus pares aquilo que for melhor para Abrantes, para a região e para as suas empresas. Estamos a falar de infraestruturas que são fundamentais rodoviárias, mas também não esquecendo a ferrovia e é nesse sentido, sem olharmos para o limite administrativo do território, que vamos, todos, e é esse esforço que conto que seja feito por todos os autarcas, pensarmos mais largo e de irmos ao encontro daquilo que é possível fazer atendendo às circunstâncias em que o país se encontra e às exigências de investimento que a Europa nos coloca e nos condiciona para, com isso, podermos aspirar a uma região mais competitiva”.

A secular ponte rodoviária sobre o Tejo em Abrantes foi requalificada há pouco tempo. Foto: mediotejo,net

Perante o pedido de clarificação da posição da autarca, Maria do Céu Albuquerque disse que “quando foi apresentado o Plano Rodoviário Nacional, onde prevê a construção de uma ponte em Abrantes e de uma ponte na Chamusca, prevê também uma variante à EN 118″.

“Todos hoje sabemos que o país não tem condições para assumir um determinado nível de investimento que noutra hora foi possível desenhar. Aquilo que é necessário neste momento é priorizar. Não quero fazer conjeturas sobre isto. Seria especulativo. Não quero influenciar de todo aquilo que será a nossa capacidade negocial entre autarcas que querem o melhor para a sua região e depois, com isso, que possamos entregar ao ministro um conjunto de prioridades que sirvam toda esta região”, concluiu.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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