A praia fluvial de Aldeia do Mato é uma das praias no Médio Tejo que tem Bandeira Azul e em que a qualidade das suas águas conquistou também o prémio Qualidade de Ouro da Quercus . Foto: DR

Das 72 praias de interior galardoadas em todo o país, o Médio Tejo tem 13 praias com este galardão de excelência, um reconhecimento que a região havia também alcançado em 2020 e em 2021. A diferença relativamente ao ano passado vai para a entrada na lista da praia fluvial de Montes, em Tomar, e para a saída da listagem da praia fluvial do Lago Azul/Castanheira, em Ferreira do Zêzere.

Aldeia do Mato, em Abrantes. Foto: CMA

Vila de Rei destaca-se no território do Médio Tejo com as suas cinco praias fluviais com “Qualidade Ouro” (Pego das Cancelas, Penedo Furado, Fernandaires, Zaboeira e Bostelim). Na região ostentam ainda o galardão ‘Qualidade de Ouro’ a praia fluvial de Aldeia do Mato (Abrantes), Carvoeiro e Cardigos (Mação), Alverangel, Montes e Vila Nova-Serra (Tomar), Agroal (Ourém), e Ribeira Grande (Sertã).

A região do Médio Tejo apresenta em 2021 um total de 13 praias com “Qualidade de Ouro” para a época balnear. Foto: DR

A associação ambientalista Quercus atribuiu a bandeira de “Qualidade de Ouro 2022” a 440 zonas balneares portuguesas, o maior número de sempre, sendo mais 47 praias face ao ano anterior. Em comunicado, a Quercus revelou a listagem das 440 praias distinguidas com a qualidade de ouro, “um valor recorde na história deste galardão”, que avalia a qualidade das águas balneares nacionais.

Das 440 praias galardoadas em 2022, 359 são costeiras, 72 interiores e nove de transição, sendo que a região Tejo e Oeste voltou a registar o maior número de praias galardoadas, com 103, seguida da região do Algarve, com 86, e da região Norte, com 78.

As regiões dos Açores e da Madeira também verificaram uma subida, com mais 12 e cinco praias galardoadas, respetivamente, para um total de 54 e 35, respetivamente.

Praia fluvial de Fernandaires. Foto: CM Vila de Rei

De acordo com a Quercus, foram distinguidas mais 47 praias em relação a 2021, com a região Centro a registar a maior subida (de 23 praias, equivalente a um aumento de 85%), destacando-se, igualmente, o aumento das praias do interior com qualidade de ouro, 72 no total.

Praia fluvial de Alverangel, em Tomar. Foto: DR

Segundo os critérios definidos para a atribuição do galardão em 2022, está a qualidade da água “excelente” nas épocas balneares de 2017 a 2020 (não são ainda conhecidas as classificações de 2021) e não ter sido registado qualquer tipo de ocorrência/aviso de desaconselhamento da prática balnear, proibição da prática balnear e/ou interdição temporária da praia na época balnear de 2021.

Praia fluvial de Aldeia do Mato

Também todas as análises realizadas na época balnear de 2021 devem ter resultados melhores do que os valores definidos para o percentil 95 do anexo I da Directiva relativa às águas balneares.

Isto é, para águas costeiras e de transição, todas as análises deverão apresentar valores inferiores a 100ufc/100ml (unidade formadora de colónias/mililitro) para os enterococos intestinais e inferiores a 250ufc/100ml para a Escherichia coli; e para águas interiores, 200ufc/100ml e 500ufc/100ml, respectivamente.

Praia fluvial do Penedo Furado (Foto: mediotejo.net)

Este ano, de acordo com o ‘site’ Aquapolis (portal que dá informações sobre as praias fluviais em Portugal) as praias fluviais vão funcionar entre 01 de junho e 30 de setembro, sendo que a maioria previa a abertura em 15 de junho.

A época balnear em 2021 decorreu entre 15 de maio e 15 de outubro. Contudo, na maioria das praias a época balnear apenas teve início em junho daquele ano.

Portugal conta este ano com 431 praias, marinas e embarcações galardoadas com Bandeira Azul, mais 32 do que em 2021, com um aumento de praias fluviais distinguidas com o galardão, de acordo com a Associação Bandeira Azul Europa (EBAE).

Municípios do Médio Tejo conquistam seis bandeiras azuis, com a praia fluvial de Fernandaires (Vila de Rei) a conquistar o galardão pela primeira vez. Foto: CM VR

A vigilância das praias foi reforçada em maio com 29 viaturas todo-o-terreno e cerca de 100 militares diariamente nas operações de vigilância e socorro, revelou a Autoridade Marítima Nacional.

O dispositivo é semelhante ao do ano passado e conta ainda com oito moto4 e três motos de água, segundo as informações reveladas pelo diretor do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), Rui Santos Pereira, numa conferência de imprensa sobre a época balnear de 2022.

As viaturas, sejam os 29 todo-o-terreno, do projeto “Seawatch”, sejam as motos, do projeto “Praia Saudável”, são operacionalizadas por duplas de militares da Marinha, 76 no total, “todos com curso de nadador-salvador, operadores de viaturas todo-o-terreno” e “curso de desfibrilhador automático externo”, explicou Santos Pereira.

As viaturas do projeto “Seawatch”, que existe desde 2011, estão todas equipadas com Desfibrilhador Automático Externo.

Praia fluvial do Agroal. Foto: mediotejo.net

Aos 76 militares que diariamente assegurarão, até 30 de setembro, a vigilância motorizada das praias, juntam-se outros 30 que farão vigilância a pé (26 até 15 de julho e 30 entre 15 de julho e 30 de setembro).

Após 30 de setembro, o dispositivo diminuirá, mas mantêm-se meios no terreno, no âmbito da época balnear de 2022, até ao final de outubro.

Dentro do programa “Praia Saudável”, que existe desde 2005, voltarão a ser feitas este ano campanhas de sensibilização nas praias, depois de terem estado suspensas em 2020 e 2021 por causa da pandemia de covid-19, afirmou Santos Pereira.

Este verão, o ISN conta ter cerca de 5.500 nadadores-salvadores certificados um número “ligeiramente abaixo” ao dos últimos dois anos.

O diretor do ISN explicou que por causa da pandemia de covid-19 foram canceladas as formações e certificações de nadadores-salvadores e foram prorrogadas certificações que iriam caducar e que isso explica que o número de este ano seja inferior.

Ainda assim, o número esperado de nadadores-salvadores para este ano só foi alcançado porque foram prorrogadas até 31 de outubro todas as certificações que iriam caducar entre 01 de janeiro e 30 de outubro. “No entanto, este número está de acordo com o número que tínhamos nas épocas pré-pandemia”, sublinhou Santos Pereira.

O diretor do ISN disse que o número é suficiente para responder às necessidades das praias que têm obrigatoriamente de estar vigiadas, mas acrescentou que “não se pode garantir” que “todos esses nadadores salvadores estão disponíveis para trabalhar”.

A certificação tem validade de três anos e “muitos fizeram a sua certificação e entretanto seguiram as suas vidas, mudaram de profissão” e não se sabe “se estão disponíveis para trabalhar”, afirmou, dizendo que há todos os anos algumas dificuldades na contratação de nadadores salvadores no início da época balnear por muitos deles serem estudantes e estarem ainda em época de exames.

“No entanto, não tenho conhecimento de nenhuma concessão de nenhuma praia que não tenha aberto por falta de nadador salvador, portanto, acaba por se resolver”, afirmou, dizendo que está a ser trabalhada uma proposta de alteração legislativa, para ser apresentada ao Governo, para tentar fixar os nadadores-salvadores na profissão.

Em relação ao dispositivo para época balnear, Santos Pereira afirmou que “os resultados até agora têm sido bastante positivos” e os meios são os adequados.

O diretor geral da Autoridade Marítima, o vice-almirante João Dores Aresta, também presente na conferência de imprensa, acrescentou que o “dispositivo tem alguma flexibilidade” e que “esta Marinha é uma Marinha holística”, que está “disponível a reforçar o dispositivo à medida que vá sendo necessário”.

Os meios para a época balnear de 2022 foram reforçados em maio, mas estão já no terreno desde 07 de abril.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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