Há poucos profissionais a tratar a saúde mental ao nível dos cuidados primários. FOTO: mediotejo.net

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo só possui cinco enfermeiros e três psicólogos com especialidade em saúde mental, para um universo de 228 mil utentes. Os dados foram avançados pela diretora executiva do ACES, Sofia Theriaga, frisando a escassez de recursos humanos para atender a todos os serviços onde este acompanhamento é necessário. Só nos cuidados continuados “seria necessário uma equipa a tempo inteiro”, constatou.

A informação foi avançada na abertura do seminário “Saúde Mental – Perspetivando a Reabilitação e a Reintegração na Doença Mental Grave”, na quinta-feira, 26 de janeiro, no Cine-teatro Municipal. “A saúde mental é uma prioridade”, começou por referir a responsável, explicando que esta se encontra entre as patologias mais prementes, nomeadamente no que toca à depressão.

“É preciso um tratamento de maior proximidade”, defendeu, o que com os atuais recursos se torna difícil, uma vez que há apenas cinco enfermeiros e três psicólogos com especialidade em saúde mental no Médio Tejo para os cuidados primários. “Trabalham sobretudo os problemas de humor e ansiedade”, acorrendo aos vários serviços, como os cuidados continuados ou o pós-parto. “É necessário mais profissionais de saúde mental ao nível dos cuidados primários”, terminou.

Dados adicionais foram facultados pelo diretor do Plano Nacional de Saúde Mental, Álvaro Carvalho, indicando que a média anual nacional de baixa médica psiquiátrica é de 22,5 dias, sendo que os tratamentos para depressão têm em média um atraso de quatro anos e encontrando-se o consumo de antidepressivos em Portugal acima da média da União Europeia.

Ainda na sessão de abertura, o presidente da Câmara, Paulo Fonseca, disse que “ainda que a saúde não seja uma competência direta dos municípios, temos o dever e a convicção de estarmos sempre preocupados em conquistar novos acessos e resolver os problemas das populações, sempre em parceria com aqueles que mais sabem”. Lembrou por isso os eventos promovidos pela Câmara ao longo desta semana (Seminário Sobre Dor Crónica, Jornadas ACES Médio Tejo e Seminário sobre a Saúde Mental), referindo que “a aprendizagem e troca de conhecimento sobre as questões da saúde é fundamental”.

Este seminário foi promovido pelo município de Ourém, em parceria com o Laboratório de Reabilitação Psicossocial, Serviço de Psiquiatria do Centro Hospital do Médio Tejo, ACES do Médio Tejo, A FARPA – Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes Psicóticos, Associação de Saúde Mental do Médio Tejo e Contrato Local de Desenvolvimento Social 3G Ourém.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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