Médico dentista já trabalha no Centro de Saúde de Alferrarede. Até final de abril, o ACES Médio Tejo quer ter em todos os municípios um Gabinete de Saúde Oral a funcionar. Foto: CMA

A Diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, Diana Leiria, visitou esta semana as instalações do Gabinete de Saúde Oral da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Abrantes, no Centro de Saúde de Alferrarede, onde anunciou que todos os municípios do ACES terão um médico dentista até ao final de abril nos respetivos centros de saúde.

“As pessoas estão muito contentes por terem aqui um dentista e, como sabem, nós já tínhamos um projeto piloto, logo no início dos programas de saúde oral, com médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Fátima, e efetivamente de Abrantes para Fátima ainda é uma grande distância, portanto foi muito bom as pessoas que andavam a ser seguidas em Fátima virem agora ser chamadas aqui para junto de casa no concelho de Abrantes. Sardoal, Constância e Barquinha estão programados para arrancarem na semana de 18 de abril, não quer dizer que seja exato, uns é a 18, outros é a 19, mas vão arrancar nessa semana, já temos a equipa completa”, afirmou a responsável.

Atualmente com cinco gabinetes de saúde a funcionar em Fátima, Ourém, Entroncamento, Abrantes e Tomar, Diana Leiria disse que a previsão é “até ao final do mês ter todos os municípios com este serviço”. 

Diana Leiria, Diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo. Foto: CMA

ÁUDIO | DIANA LEIRIA, DIRETORA EXECUTIVA DO ACES MÉDIO TEJO:

A funcionar em pleno desde o passado mês de março, o Gabinete de Saúde Oral no Centro de Saúde de Alferrarede integra um médico dentista e uma assistente dentária e presta serviços de medicina dentária a toda a população que seja indicada pelo médico de família para a prestação destes serviços de saúde.

O Gabinete de Saúde Oral no Centro de Saúde de Alferrarede funciona de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 18h00, e realiza uma média de sete consultas diárias, dependendo dos tratamentos a realizar, e a sua abertura teve um significado especial.

O Gabinete de Saúde Oral funciona todos os dias úteis no Centro de Saúde de Alferrarede. Foto: CMA

“Significa um momento de alegria, uma vez que é algo que nós já há muito tempo pretendíamos iniciar e que resulta de uma parceria entre a nossa ARS e as autarquias do Médio Tejo e aqui, neste caso em concreto, a Câmara Municipal de Abrantes”, afirmou Diana Leiria, dando conta do investimento efetuado em equipamentos e recursos humanos.

“Isto foi um investimento em conjunto, a ARS fez as obras de adaptação, designadamente dos esgotos, eletricidade e a renovação do gabinete, e a Câmara adquiriu os equipamentos. A contratação das equipas decorre por conta também da ARS. As pessoas estão muito contentes por terem aqui um dentista e como sabem nós já tínhamos um projeto piloto, logo no início dos programas de saúde oral, com médicos dentistas no serviço nacional de saúde em Fátima, e efetivamente de Abrantes para Fátima ainda é uma grande distância”.

 

Gabinete de Saúde Oral da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Abrantes funciona no Centro de Saúde de Alferrarede. Foto: CMA

A contratação dos médicos dentista decorre através de um regime de prestação de serviços, sendo menos difícil contratar, comparado com a dificuldade que existe ao nível dos médicos de saúde familiar, atestou.

David Martins, o médico dentista que presta cuidados no Gabinete Oral no Centro de Saúde de Alferrarede, faz dupla com a assistente Sandra Carvalho, e deu conta da satisfação profissional e dos próprios utentes, encaminhados pelo respetivo médico de família. 

“Tem estado a correr muito bem até agora, acho que tem sido tudo fantástico, as pessoas aqui também são todas muito recetivas e tenho gostado muito de estar aqui, em termos de população no geral, em vez de irem para Fátima virem aqui é sempre uma boa opção e em termos do resto das pessoas que estavam à espera já há muito tempo desta oportunidade de vir ao médico dentista sem pagar o privado, acho que tem sido muito bom e temos tido feedbacks positivos e acho que tem sido positivo em todos os aspetos”, afirmou, dando conta de haver listas de espera tendo assegurado que todos os utentes vão ser tratados.

“Sim, mas estamos a dar boa conta disso, e a maior parte das referenciações ainda ativas muitas delas já estão tratadas e está em bom ritmo”, disse, quando questionado sobre as listas de espera, dando ainda conta do seu procedimento quanto aos receios de alguns utentes em ir ao dentista.

“Geralmente tento sempre ter uma abordagem um bocadinho mais calma na primeira consulta, de modo a ficar a conhecer as pessoas, para as pessoas me ficarem também a conhecer a mim e perceberem que não estamos aqui para aleijar ninguém, e hoje temos felizmente meios para fazer os tratamentos sem ter que aleijar ninguém e formas de bloquear as dores com anestesias e com tudo, portanto não vejo motivos hoje em dia para ter medo de ir ao médico dentista”, notou.

David Martins, médico dentista, e Sandra Carvalho, asseguram o funcionamento do Gabinete de Saúde Oral em Abrantes. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | DAVID MARTINS, MÉDICO DENTISTA CENTRO SAÚDE ALFERRAREDE:

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, acompanhou a visita ao Gabinete de Saúde Oral, inteirou-se dos procedimentos e do dia a dia do mesmo, e, confessando ser um adepto do Serviço Nacional de Saúde, questionou a diretora do ACES Médio Tejo sobre a possibilidade de ter dentistas nas Unidades de Saúde Familiar.

 

“Eu sou um adepto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a todo o tempo e eu acho que este é o melhor exemplo para concretizar este pensamento, este entendimento ideológico sobre o que a nossa perceção do SNS. Até hoje o mais frequente era que as pessoas que tinham dinheiro conseguiam ir ao médico dentista, e hoje temos aqui um novo cenário. As pessoas que têm dinheiro podem vir aqui ao médico dentista do serviço público e quem não tem dinheiro, obviamente não deixa de ser tratado, e como acabámos de ouvir há doenças associadas, há um conjunto de debilidades e fragilidades nas pessoas que podem ser aqui tratados, e este sentido de olhar para a nossa comunidade como serviço público, ou melhor, entender que temos melhores condições para ajudar a nossa comunidade a sorrir, a estar mais bem disposto, a ter uma vida mais saudável, é sempre um momento de grande satisfação e de grande esperança para com o futuro”, afirmou.

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes. Foto: CMA

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

O autarca perguntou pela possibilidade de aumentar esta oferta a mais pessoas no concelho e se as USF’s também poderiam vir a disponibilizar este serviço, mas a resposta de Diana Leiria foi negativa sobre a pretensão, tendo afirmado que tal não está previsto. Manuel Jorge Valamatos registou mas vincou querer aproveitar todas as oportunidades.

“Aquilo que temos dito, temos de dividir aqui até no âmbito das transferências de competências, que assinámos o auto há uns dias atrás, dizer que a Câmara Municipal continua sempre atenta àquilo que é o desenvolvimento das ações ao nível da saúde, estaremos disponíveis para aquilo que são os equipamentos, os materiais, como foi este caso aqui particular deste investimento que fizemos, também nos equipamentos para este espaço de saúde oral poder funcionar, nós estamos em parceria, nunca fomos um problema, queremos fazer parte das soluções, para fazer mais e melhor pelas nossas comunidades. Nós estamos disponíveis para fazer todo o investimento necessário, aliás temos aí um Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) à mercê e que tem um tempo limitado e ao qual estamos a ter muita atenção para fazermos investimentos na área da saúde, portanto continuamos a acreditar que em termos de materiais e equipamentos a Câmara estará sempre disponível para avançar e para apoiar, deixando ao Ministério da Saúde a responsabilidade profissional dos médicos, dos enfermeiros, assistentes técnicos e em parceria cá estaremos para fazer mais e melhor pela nossa comunidade”, concluiu. 

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply