Seis meses após a tempestade Kristin, a Infraestruturas de Portugal (IP) repôs 56 das 57 interrupções registadas na rede rodoviária do distrito de Santarém, mantendo apenas a EN243 totalmente interrompida, em Alcanena, e obras superiores a 3,4 milhões de euros (ME) previstas para vários municípios da região.
Em resposta à Lusa, a empresa pública indicou hoje que, desde o início das intempéries, foram registadas 57 interrupções na rede rodoviária nacional no distrito de Santarém, das quais 56 já foram resolvidas, permanecendo apenas interrompida a Estrada Nacional (EN) 243, no concelho de Alcanena, embora subsistam condicionamentos à circulação noutras vias afetadas, como a EN2, em Abrantes.
Segundo a IP, a reabertura daquele troço em Alcanena, situado entre os quilómetros 28,704 e 31,325, está prevista para o quarto trimestre deste ano, após uma empreitada de estabilização de taludes orçada em cerca de 150 mil euros, cujo arranque deverá ocorrer em agosto.
Além da EN243, a empresa identificou como principais intervenções decorrentes da tempestade a estabilização do talude da EN2, em Abrantes, na zona de Espinhaço de Cão, a recuperação de um troço da EN114 e uma empreitada de beneficiação do pavimento na EN118, entre Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo, também no concelho de Abrantes.
A intervenção de maior expressão financeira incide na EN114, onde a IP prevê investir cerca de 1,5 ME na recuperação do troço compreendido entre os quilómetros 75,660 e 77,000.
Em Abrantes, mantém-se prevista para o terceiro trimestre deste ano a consignação da empreitada de estabilização do talude da EN2, na zona de Espinhaço de Cão, orçada em 1,3 ME.
A intervenção surge na sequência do deslizamento de terras provocado pelos episódios de precipitação intensa associados à tempestade Kristin e implicará a manutenção da circulação alternada, regulada por semáforos, até à conclusão dos trabalhos.
Segundo a IP, o projeto contempla estruturas de contenção e revestimento dos taludes, sistemas de drenagem superficial e profunda, bem como a reposição e melhoria das condições de drenagem da plataforma rodoviária, visando eliminar a instabilidade geotécnica identificada naquele local.
A empresa pública prevê ainda uma empreitada de beneficiação do pavimento na EN118, entre os quilómetros 128 e 134, num investimento superior a 500 mil euros, estimando concluir os trabalhos até ao final de 2027.
No conjunto, estas quatro intervenções representam um investimento conhecido superior a 3,4 ME, embora a IP tenha indicado à Lusa que continua a compilar informação sobre outras obras relacionadas com os danos provocados pela tempestade no distrito de Santarém, não estando ainda concluído o levantamento global dos investimentos associados.
Na ferrovia, a tempestade afetou quatro troços da rede sob gestão da IP: dois na Linha da Beira Baixa, um na Linha do Norte e outro na Linha de Vendas Novas.
Segundo a empresa, três desses troços já foram restabelecidos, mantendo-se em curso os trabalhos para a reabertura da Linha da Beira Baixa, entre Belver e Barca de Amieira, onde decorrem intervenções destinadas a repor as condições de circulação em segurança.
A tempestade Kristin provocou, no final de janeiro, centenas de ocorrências nos distritos de Santarém, Castelo Branco e Portalegre, originando deslizamentos de terras, cheias, derrocadas e danos em estradas e linhas ferroviárias, tendo o Governo declarado a situação de calamidade para os territórios mais afetados.
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