Foto: CMS

Mais de 70 horas de programação, quase uma centena de convidados, milhares de participantes e uma comunidade mobilizada transformaram, entre 2 e 4 de julho, o concelho da Sertã num grande palco dedicado aos livros, à palavra e ao amor. A 14.ª edição da Maratona de Leitura voltou a levar atividades a locais emblemáticos do território e terminou com um balanço positivo, apontado pela organização como a melhor edição de sempre do festival.

O balanço foi traçado no encerramento oficial do evento, já passava da uma da manhã de domingo, pelo presidente da Câmara Municipal da Sertã, Carlos Miranda, que classificou esta como “a melhor edição de sempre” da Maratona de Leitura.

“A Maratona de Leitura é uma grande referência para a cultura em Portugal e isso ficou, uma vez mais, comprovado nesta 14.ª edição. Batemos recordes de participação, a comunidade envolveu-se de uma forma fantástica e no final ficou a certeza de que a Maratona de Leitura está mesmo a mudar o concelho da Sertã e toda a nossa região”, afirmou o autarca.

Organizado pela Câmara da Sertã, através da Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes, o festival voltou a espalhar a literatura por vários locais emblemáticos do concelho, promovendo encontros com escritores, workshops, oficinas, espetáculos, performances, passeios pedestres, exposições, feira do livro, sessões temáticas, passeios literários de barco, as tradicionais “Festas na Aldeia” e as emblemáticas “24 Horas a Ler”.

Uma das principais novidades desta edição foi a manifestação que abriu oficialmente o festival. Sob o lema “É urgente o amor”, centenas de pessoas percorreram a Avenida Gonçalo Rodrigues Caldeira empunhando cartazes e entoando palavras de ordem que apelavam à valorização dos afetos e da solidariedade.

No final da iniciativa, Carlos Miranda destacou a “força transformadora do amor e a necessidade deste tipo de ações para termos um mundo mais unido, fraterno e coeso”, lendo ainda o poema “Urgentemente”, de Eugénio de Andrade.

A cerimónia oficial de abertura decorreu no Cineteatro Tasso do Clube da Sertã e incluiu a atuação do Coro de Gigantes, a entrega dos prémios do Concurso Nacional de Leitura em Voz Alta e uma conversa com a escritora Inês Pedrosa, moderada por Pedro Vieira.

O primeiro dia ficou igualmente marcado pelo espetáculo de improvisação “Romance ao Contrário”, pelo encontro “Amor à Sertã”, que reuniu Carlos Marçal, Joaquim Filipe Patrício, João Miguel e Zélia Machado, pelas sessões de contos em diversos estabelecimentos do concelho, pelo podcast ao vivo “A língua descalça”, com Renato Filipe Cardoso e Gabriela Relvas, pelo encontro com Tânia Graça, pelos passeios literários de barco com Rosa Alice Branco e Marta Martins Silva e pelo lançamento do livro Kama Suletra.

A programação prosseguiu durante a madrugada de sexta-feira com o passeio noturno “Mistérios e Tragédias” pelas ruas do centro histórico da vila.

Ao longo do dia realizaram-se novas oficinas, sessões de contos, apresentações editoriais e encontros literários, entre os quais “As pequenas coisas”, com Bernardo Mendonça, Afonso Cruz, Jorge Reis-Sá e Pedro Vieira, bem como a entrega dos prémios do concurso de cartas de amor PECAR.

Um dos momentos mais aguardados aconteceu com a participação de Sérgio Godinho, antecedida pelo espetáculo Barco Doido, de Miguel Calhaz e Ricardo Grácio. O programa incluiu ainda uma nova sessão do “Pinguim Fora de Portas” e um espetáculo de Zeca Medeiros.

No sábado, o Castelo da Sertã voltou a receber as emblemáticas “24 Horas a Ler”, iniciativa que arrancou com leituras protagonizadas por Carlos Miranda, pelo diretor-geral da DGLAB, Luís Filipe Santos, e por Sérgio Godinho. Ao longo do dia sucederam-se dezenas de leitores, conhecidos e anónimos, intercalando as leituras com momentos de performance literária.

As “Festas na Aldeia” voltaram também a percorrer várias localidades do concelho, enquanto a programação reuniu alguns dos mais reconhecidos nomes da literatura portuguesa contemporânea. Fernando Alvim conversou com Inês Maria Menezes e Tozé Brito; Gonçalo M. Tavares, Raquel Patriarca e Francisco Mota Saraiva participaram num encontro na Igreja Paroquial da Ermida, moderado por Luís Caetano; Hugo Gonçalves, Susana Moreira Marques e Nélson Nunes estiveram à conversa no Jardim da Serrada, sob moderação de Minês Castanheira; e Marta Coelho, Adélia Carvalho e Inês Cardoso participaram num encontro dedicado à literatura infantil, conduzido por Manuela Ribeiro.

O encerramento decorreu no Castelo da Sertã, onde o público assistiu ao espetáculo resultante da oficina “A invenção do amor”, orientada por Pedro Lamares e desenvolvida com elementos da comunidade sertaginense, seguindo-se “Ainda assim, Amar”, com André Neves (Maze), Francesco Valente e Maria Caetano Vilalobos.

Depois de três dias em que a literatura ocupou ruas, jardins, igrejas, aldeias e espaços patrimoniais do concelho, a 14.ª Maratona de Leitura terminou reforçando o estatuto da Sertã como uma referência nacional na promoção da leitura e da cultura. O tema do amor serviu de elo entre dezenas de conversas, leituras e experiências partilhadas, numa edição que voltou a envolver a comunidade local e milhares de visitantes, deixando já lançadas as bases para a próxima edição do festival.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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