Laura Brito é de Viseu e inscreveu-se há mais de um mês para ver o eclipse em Constância. Foto: mediotejo.locais.net/

Foi num local privilegiado, no Alto de Santa Bárbara, onde se situa o Centro Ciência Viva de Constância, que muitos grupos de amigos e famílias inteiras se juntaram para observar o momento em que a Lua se alinhou quase na totalidade com o Sol.

Passavam 34 minutos das sete quando chegou o momento tão esperado: durante cerca de 20 segundos, a Lua cobriu o Sol a 96%. E se em Constância o dia não se fez noite (só em Trás-os-Montes houve 100% de ocultação), o final da tarde ganhou tonalidades diferentes, como se tivesse sido aplicado ao mundo um filtro dourado escuro. A luz diminuiu bastante, mas, ao mesmo tempo, tudo parecia mais brilhante.

O eclipse teve início às 18h37, atingiu o máximo às 19h34 e terminou por volta das 20h29, oferecendo aos presentes quase duas horas de observação num dos locais mais privilegiados do país para a prática de astronomia.

A atividade, que exigia inscrição prévia, esgotou rapidamente, e já há várias semanas. Segundo a diretora do Centro Ciência Viva de Constância, Lina Canas, estiveram presentes 560 participantes. “Tivemos em lista de espera de mais de 300 pessoas, mas infelizmente não puderam ser incluídas. Havia que pensar na segurança de todos os participantes e nas suas necessidades específicas”, explicou.

Centro de Ciência Viva de Constância. Foto: mediotejo.locais.net/

O Centro distribuiu óculos próprios para a observação e teve os seus telescópios e técnicos à disposição de todos. A iniciativa incluiu ainda várias atividades para crianças e teve também uma componente de acessibilidade, com uma abordagem tátil ao eclipse pensada para pessoas cegas ou com baixa visão, através de modelos físicos do Sol, da Lua e da relação entre os três astros, permitindo explicar o fenómeno de forma não visual.

As amigas Diana Silva e Laura Brito inscreveram-se com um mês de antecedência para ver o eclipse em Constância. Foto: mediotejo.locais.net/

Entre os presentes estavam Laura Brito, de Viseu, e Diana Silva, de Torres Novas, que se inscreveram com cerca de um mês de antecedência. “Lembro-me muito bem da emoção que foi ver o eclipse de 1999”, conta Laura, mas era ainda criança e agora, com 35 anos, queria ver o eclipse nas melhores condições possíveis. Estando de férias na região, a visitar a amiga dos tempos da universidade, fez as suas pesquisas e decidiu-se pelo Centro de Ciência Viva de Constância.

“É um local fantástico, estamos a gostar muito”, comentou Diana, fazendo um “mea culpa” por nunca ter visitado antes o local, vivendo tão próximo. “Vamos ficar para a noite, para ver a chuva de estrelas, e haveremos de voltar, certamente”, prometeram.

Henrique Matos junto a um fotocóspio, um dispositivo artesanal que permitiu ver o eclipse em segurança. Foto: mediotejo.locais.net/

Já Henrique Matos, de Riachos (Torres Novas), é visitante assíduo do Centro de Ciência Viva de Constância. Apaixonado pelos astros, desta vez levou os filhos pequenos para que fosse possível verem o eclipse da forma mais interessante possível. “Esta é uma experiência tão rara no decorrer das nossas vidas, queria que compreendessem e se divertissem”, diz, explicando que fizeram todo um programa em família à volta deste acontecimento.

Além dos óculos especiais para verem o eclipse, mostrou aos filhos o funcionamento de um fotoscópio, um instrumento artesanal construído a partir de um tubo com uma película refletora numa das extremidades e um pequeno orifício que projeta a imagem do Sol no interior, o que permitiu acompanhar a evolução do eclipse sem qualquer risco para a visão.

Mostrou-lhes também como um espelho colocado na rede de separação do parque projetava a imagem do eclipse na parede branca que suporta o relógio de sol do Centro de Ciência Viva – uma demonstração que fascinou também outros visitantes, miúdos e graúdos.

Os filhos de Henrique gostaram de ver o eclipse, e ficaram sobretudo entusiasmados com “aquele momento em que se atinge o auge da ocultação e depois se vê o anel da luminosidade a rodar de um lado para o outro da Lua”.

Lina Canas, diretora do Centro de Ciência Viva de Constância. Foto: CCV

“Vivemos aqui uma festa muito especial”, congratulou-se Lina Canas, feliz por ver o “seu” Centro com tantas pessoas de olhos postos naquele Céu que a apaixona desde criança.

Foi um dia em cheio para a divulgação de Ciência e, terminado o eclipse solar, a programação do Centro Ciência Viva prosseguiu com a observação noturna do fenómeno das Perseidas, comumente designadas por “chuva de estrelas”, embora sejam meteoros, e que atingia o seu pico precisamente na noite de 12 de agosto.

Os visitantes puderam entrar nas cúpulas móveis do complexo de observação astronómica, alojar-se em regime de acampamento no espaço exterior e usufruir do ambiente único que caracteriza o Alto de Santa Bárbara, com uma amplitude de céu enorme, livre de poluição luminosa.

A quem este tipo de experiências possa interessar, fica desde já a dica: o Centro vai voltar a abrir portas na noite de 27 para 28 de agosto, para a observação de um eclipse lunar.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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