No período reservado à intervenção do público, Sofia Silva falou “em representação de algumas mamãs da freguesia de Fátima e de Ourém” sobre este “problema grave e que se está a agravar”.
Algumas mães já inscreveram os seus bebés em maio do ano passado, tendo sido informadas de que nem para setembro de 2022 há vagas, denunciou Sofia Silva.
Tiveram de pedir alargamento da licença de maternidade em que são penalizadas em 25% do seu vencimento e não têm perspetivas de conseguir lugar para deixar os seus bebés pelo menos até setembro.

Só em Fátima há 35 mães nesta situação, segundo um levantamento efetuado pela Junta de Freguesia, revelou o presidente da Junta, Humberto Silva. O autarca reconhece que o problema já é grave e vai agudizar-se.
Em resposta, o presidente da Câmara de Ourém começou por esclarecer que as creches não são da responsabilidade da autarquia, mas sim das IPSS ou de entidades privadas.
Luís Albuquerque lembrou que já há três anos alertou para a necessidade de mais creches e que as IPSS deviam aproveitar as linhas de financiamento para projetos de investimento nesta área. Foram apresentadas três candidaturas para Gondemaria, Fárrio e Matas, na perspetiva de construção de três novas creches.
Apesar de uma das mães ter dito que ainda havia vagas em Caxarias, o autarca revelou que não há qualquer vaga para creches no concelho, havendo pais que têm de deixar os seus filhos em Santa Catarina da Serra, já no distrito de Leiria.
Aproveitou para anunciar uma alteração ao regulamento de apoio à natalidade para suprir esta carência. As famílias que não têm apoio da Segurança Social e que têm de colocar os seus filhos em creches privadas por falta de vagas, podem vir a beneficiar de um apoio para diminuir este encargo no orçamento familiar.
O autarca de Ourém aproveitou para criticar o governo que tem vindo a prometer creches gratuitas para todas as famílias, o que não tem sido concretizado.
“Onde vamos deixar os nossos filhos para poder ir trabalhar? Dão apoios à natalidade para quê?”, questionava uma mãe na plateia, indignada com esta “situação fora do normal”.
No final, o presidente da Assembleia Municipal agradeceu a intervenção das mães neste assunto de “altíssima relevância”, de “extrema importância”, reconhecendo a incongruência de se apelar ao aumento da natalidade e de se lutar pela fixação da população à natalidade quando depois “há uma lacuna no sistema”, uma oferta que não é disponibilizada.
João Moura falou no “fracasso da Segurança Social” e no “compromisso eleitoral que não tem sido cumprido”, ao mesmo tempo que prometeu fazer “um apelo forte à Segurança Social” para que sejam dadas respostas cabais à necessidade de mais creches.

Talvez os mais de quinhentos mil Euros gastos para cães e gatos num canil tivessem dado jeito para criar creches. Só para começar por aí.