Mação prepara plano para reduzir javalis e admite financiar ações de controlo. Foto ilustrativa: DR

A Câmara de Mação e as associações de caçadores vão elaborar um plano para reduzir a população de javalis no concelho, admitindo o município financiar medidas de controlo, disse hoje o presidente da autarquia.

“Da parte da Câmara, abertura total para poder dar apoios, para promover estas ações», afirmou José Fernando Martins (PS), após uma reunião entre o município, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e oito das nove associações de caçadores com atividade no território.

O encontro, realizado hoje em Mação, não resultou ainda em medidas concretas, tendo ficado agendada uma nova reunião para 25 de setembro, na qual deverá ser delineado um plano de ação para a correção extraordinária da densidade de javalis.

“Hoje, nesta reunião, não chegámos a conclusões efetivas ou medidas de trabalho efetivo. Chegámos à conclusão que temos de trabalhar e temos de trabalhar muito para podermos fazer esta correção das densidades dos javalis”, afirmou.

Até à próxima reunião, as associações de caçadores deverão discutir internamente o problema e apresentar propostas concretas, enquanto a Câmara vai estudar formas de apoio às ações a desenvolver.

Entre as possibilidades admitidas pelo município estão apoios financeiros a matilhas e licenças, a instalação de uma câmara frigorífica para armazenamento das peças abatidas, soluções para o seu escoamento e intervenções na manutenção das zonas de caça.

Segundo José Fernando Martins, o veterinário municipal participou na reunião e vai estudar soluções para o destino dos animais abatidos, uma questão considerada essencial para que o aumento das ações de controlo seja viável.

“Não podemos só abater os javalis, temos também que criar medidas para depois escoar este produto”, afirmou.

O autarca disse que as associações identificaram os custos da atividade como uma das principais dificuldades para aumentar os abates, juntamente com a redução e envelhecimento dos caçadores, a falta de jovens na atividade, a densidade do mato e dificuldades de circulação em caminhos e estradões.

A reunião serviu também para decidir a criação do Conselho Cinegético Municipal, atualmente inativo, estrutura que deverá reunir as entidades ligadas ao setor e facilitar a articulação com o ICNF.

Segundo José Fernando Martins, o ICNF reconheceu a existência de um elevado número de javalis no país e na região e manifestou disponibilidade para colaborar nas medidas de correção extraordinária de densidade.

O presidente da Câmara defendeu ainda a inclusão de Mação no projeto-piloto que o Governo está a preparar para reduzir a população de javalis em zonas onde seja considerada excessiva.

“Aquilo que espero é que, da parte do Governo, Mação possa estar nesta zona-piloto e possamos fazer parte deste projeto”, afirmou, defendendo que eventuais apoios nacionais devem ser articulados com as medidas que venham a ser adotadas localmente.

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo decidiu na quinta-feira solicitar ao Governo a inclusão dos 11 municípios da região no projeto-piloto, uma posição que José Fernando Martins disse resultar das “preocupações muito grandes” existentes no território.

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, anunciou recentemente a preparação de um projeto-piloto que prevê uma compensação financeira por cada javali abatido nas zonas onde exista excesso destes animais, não tendo ainda sido divulgados o valor, os territórios abrangidos e as regras.

Na semana passada, José Fernando Martins tinha dito que os problemas com javalis abrangiam todo o concelho de Mação, com animais a entrarem nas aldeias, destruírem pequenas culturas e provocarem danos e acidentes rodoviários.

O autarca associou então o aumento da presença dos animais junto das localidades ao crescimento da espécie e ao abandono de terrenos agrícolas mais afastados das habitações.

c/Lusa

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