As imagens foram partilhadas nas redes sociais, num grupo alusivo ao concelho de Mação e estão a causar indignação junto da comunidade. A autarquia considera a ação uma "aplicação exagerada da lei". Foto: José Santos

O caso surge após terem sido marcadas nos últimos dias inúmeras árvores com uma linha branca ao longo das estradas EN244 e EN241-1, desde o nó da A23 em Mação até Proença-a-Nova, passando pelas localidades de Pereiro, Chão de Lopes, Cabo, Maxieira, e os demais. As duas estradas em causa são da alçada da Infraestruturas de Portugal, IP, que procede à segunda intervenção naquela faixa, depois de já ter retirado 30 pinheiros e 3 três eucaliptos, todos centenários, que sobreviveram a três incêndios nas últimas décadas. A população e a autarquia repugnam a ação, e há uma onda de indignação nas redes sociais.

O assunto foi denunciado através de publicação por parte de um municípe nas redes sociais, num grupo alusivo ao concelho de Mação, onde constam fotografias das árvores marcadas e é feito apelo à divulgação e reflexão sobre o assunto. Depressa dispararam as partilhas e comentários com indignação pela retirada destas árvores que resistiram aos fogos que assolaram o território maçaense nos últimos anos.

As faixas em causa foram construídas pelo Município de Mação há largos anos, e foram sendo mantidas, disse ao mediotejo.net o vice-presidente da CM Mação, António Louro, dando conta de que foram respeitando as árvores que se considerava não causarem grande risco em termos de incêndios florestais.

“Estas árvores que agora estão a ser postas em causa, são árvores que foram respeitadas e mantidas nas últimas décadas no local. Entretanto a IP, infelizmente, só depois do grande incêndio é que vem fazer a manutenção das faixas junto às estradas”, afirma.

Por outro lado, esta não é a primeira ação, sendo que já foram retiradas árvores consideradas “em excesso e que não respeitam a legislação”.

Foto: José Santos

“Infelizmente, e para grande tristeza da Câmara, esta primeira intervenção representou a retirada de pinheiros que já tinham sobrevivido a três incêndios. Eram cerca de 30 pinheiros de grande porte, com mais de século e meio de idade, e que a autarquia foi acarinhando e protegendo ao longo dos anos. Além disso, retiraram ainda três eucaliptos históricos, que tinham também cerca de um século de idade”, enumerou o vereador.

Para Louro este é um assunto que advém da “aplicação exagerada do decreto-lei”, e apesar da autarquia ter feito sentir o descontentamento e a não concordância com os casos, nada pôde ser feito.

“Alertámos os responsáveis na altura, quando estavam a fazer esses trabalhos, para tentar proteger as árvores em causa, mas tal não foi possível. E depois de terem retirado os pinheiros e eucaliptos centenários, procederam à marcação de sobreiros”, disse.

Foto: José Santos

O autarca disse que se assiste a tal intervenção com “grande consternação”, e que apesar de se compreender “que se trata de cumprir a legislação de modo estrito e direto”, é entendimento do Município de Mação que “tem que haver bom senso e que a legislação não pode ser, pura e simplesmente, aplicada ipsis verbis, sem capacidade crítica e sem ver os seus reais impactos”, frisou.

Nos últimos dias, foram marcados sobreiros e azinheiras ao longo das faixas das estradas EN244 e EN241-1. “Penso que estão a aguardar visita dos técnicos do ICNF para darem autorização para retirada das árvores”, indicou António Louro, lembrando que se trata de espécies protegidas.

Para António Louro, vice-presidente da CM Mação e responsável pela Proteção Civil, trata-se de “um profundo exagero”, entendendo que “muitas das árvores que estão marcadas não têm de ser retiradas”.

Ainda assim, o vereador reconhece que existem casos que assim o exigem por estarem a pender em excesso para estrada, que estão demasiado junto da via de circulação, mas “um número extremamente reduzido relativamente às que estão marcadas”.

Foto: José Santos

António Louro mostrou esperança que o ICNF não permita o corte abusivo das árvores em causa, tratando-se de espécies protegidas e que precisam de avaliação e autorização para a sua retirada.

O mediotejo.net contactou a IP para esclarecimento quanto ao processo, encontrando-se a aguardar resposta às questões colocadas.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

Deixe um comentário

Leave a Reply