Grupo Etnográfico e Folclórico de Ortiga. Foto: DR

Albertino Dias é o presidente da direção, e um dos fundadores deste rancho que nasceu corria o ano de 1985. Com 23 anos de atividade regular, fez tudo o que havia para fazer e fartou-se de viajar e levar a tradição de Ortiga além fronteiras.

Conta-nos o presidente que foi por ocasião da inauguração dos passadiços na Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo, que um dos antigos membros do rancho o desafiou: “devíamos reunir alguma malta e reativar isto”. E se assim se pensou melhor se concretizou, com as festas de Ortiga, que decorrem de 12 a 15 de agosto, a receber de braços abertos o regresso de um dos seus maiores embaixadores culturais.

Em conversações foi-se percebendo a disponibilidade e interesse de uns quantos, e no último ensaio conseguiu-se reunir 8 pares para dançar. Apesar de muitos estarem fora da localidade ou por residirem fora, aos fins-de-semana vai-se trabalhando e aprimorando, com ou sem tocador, ao som do acordeão ou não.

A intenção é reativar o grupo, não sendo esta uma apresentação isolada; apesar de não manter “a mesma intensidade” de outras épocas, a ideia é ir tentando dinamizar e participar no que for possível, mediante o entendimento e disponibilidade de todos os pares.

Por norma, o Festival de Folclore realizava-se na semana seguinte ao fim-de-semana da festa da aldeia, mas este ano integra a programação desta, num momento inédito, com a apresentação ao público e proporcionando uma viagem no tempo a todos quantos se lembram dos tempos áureos do rancho de Ortiga.

Fundado a 1 de janeiro de 1985, enquanto Grupo Etnográfico e Folclórico da Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga, conta entre os fundadores com Ausenda Lopes Daniel, Fátima Maria Ferreira Daniel, Albertino Alves Dias, José Maia Marques, Constantino Marques Eusébio e Maria Angelina de Matos Vermelho

Este Grupo foi fundado com raízes num grupo anterior criado em 1975 para apresentar algumas danças e contradanças nas festas de verão de 1975 e que com o nome de “Rancho Folclórico” Corações de Ortiga se manteve durante 5 anos.

Foto: DR

Durante os 23 anos de existência participou em muitos espetáculos e festivais de folclore um pouco por todo o país, e tendo ido até à ilha da Madeira. Também esteve em Espanha por diversas vezes e na Bélgica.

Além de ter organizado os 23 festivais de folclore, também dinamizou diversas exposições etnográficas, e foi sócio fundador da Associação de Defesa do Folclore da extinta Região de Turismo dos Templários e é reconhecido pela Federação do Folclore Português.

Em 2022, passados 14 anos, o grupo despertou para se apresentar ao seu público.

O Grupo Etnográfico e Folclórico da Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga efetuou recolhas junto de pessoas idosas, nas quais baseou todo o seu trabalho, enquanto esteve ativo.

Entre as danças típicas, surgiu o Passo Lento, “um Fado Beirão que foi transmitido ao Grupo Etnográfico nos anos 70 por um octogenário que o tinha aprendido em Ortiga, nos anos 40 do século XIX”, referia a autarquia por ocasião das 7 Maravilhas de Portugal da Cultura Popular, concurso para o qual a dança esteve nomeada na categoria Músicas e Danças.

No repertório do rancho de Ortiga, além do Passo Lento, existem as Modas de Roda, Saias, Dois Passos, Verde Gaio, Fado Batido, entre outras, demonstrativas de como se trajava e bailava no início do século XX.

“Quando o Rancho se federou percebeu ter aquela moda a particularidade de ser o único fado das beiras acompanhado por instrumentos de cordas, todos os outros acompanhavam com acordeão. É bastante incomum, particularmente por ser acompanhado pelo banjo e bandolim, não considerados instrumentos próprios de um Grupo Etnográfico”, refere a autarquia sobre este Passo Lento.

Nas várias saídas do Rancho do Grupo Etnográfico, esta dança sempre mereceu rasgados elogios, no país e no estrangeiro, pela sua particularidade e por ser uma dança lenta e peculiar, apenas tocada.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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