Foto: DR

A informação foi confirmada pela autarquia de Mação, em reunião de executivo, tendo o presidente de Câmara, Vasco Estrela (PSD), dado conta da correspondência enviada ao município, referindo-se a uma carta enviada pelo diretor do Centro Distrital de Segurança Social, Renato Bento, sobre o Centro Social S. João Baptista, de Carvoeiro.

Em causa uma “carta remetida para a Procuradora do Ministério Público, no sentido de ser nomeada uma comissão para gerir aquele Centro Social até que os sócios possam eleger os respetivos corpos sociais”.

“Em tempos foi pedido à Câmara a indicação de um técnico com formação na área que pudesse ajudar nesta matéria, e ser parte desta comissão, e vem aqui indicado em conjunto com um representante da UDIPSS, Luís Lopes, bem como Ana Matos, técnica superior do Centro Distrital de Segurança Social”, começou por indicar o autarca.

O presidente da Câmara, questionado pela comunicação social após a reunião, adiantou que “houve uma ação inspetiva por parte da Segurança Social que comunicou ao Ministério Público”.

Vasco Estrela disse não ter “conhecimento pormenorizado” do assunto, mas referiu que por consequência de diligências tomadas houve destituição dos órgãos sociais por iniciativa dos próprios.

Acontece que, segundo explicou, “em dezembro houve uma Assembleia Geral e não apareceram listas concorrentes”, situação que tem deixado a instituição em crise diretiva e que levou a que a Segurança Social tomasse iniciativa.

“O diretor da Segurança Social, Renato Bento, solicitou à PGR/Ministério Público, para que pudesse ser nomeada uma comissão de gestão da instituição para gerir os destinos da mesma até que os associados tenham uma Assembleia Geral onde os sócios possam chegar a entendimento sobre o destino da instituição e eleger novos órgãos sociais”, elucidou Vasco Estrela sobre o assunto.

Centro Social S. João Baptista de Carvoeiro, em Mação. Foto: DR

A ação da Segurança Social e do Ministério Público já se arrastará há um ano, mas a destituição dos corpos sociais terá ocorrido há alguns meses, sendo que “havia pessoas que estavam a gerir, ainda que há distância, a IPSS, com menos permanência no local a partir de julho/agosto (…) neste momento a situação está um pouco mais complicada, porque não há ninguém a gerir e há necessidade de haver maior presença”.

“O senhor diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Santarém entendeu, e quanto a mim bem, que esta comissão fosse nomeada, mas só pode ser nomeada se o Ministério Público assim o entender”, notou.

Quanto aos processos que seguiram para o Ministério Público, Vasco Estrela disse não ter “rigorosamente nada a comentar, uma vez que não são do meu conhecimento pessoal e o presidente de Câmara não se deve imiscuir de questões que não estarão relacionadas com ele”.

“A comissão que irá tomar posse, espero eu, brevemente, poderá ou não avaliar algumas questões. Há coisas que estão noutros âmbitos, muito longe dos âmbitos políticos, e o assunto é obviamente sensível”, terminou.

Durante a reunião, neste ponto, o vereador Nuno Barreta (PS) questionou o autarca Vasco Estrela sobre a veracidade de um boato que corria na comunidade que apontava que, aquando um corte de energia elétrica na IPSS, teria sido o autarca a pagar a eletricidade. O edil respondeu que não. “Tive conhecimento, mas não tive influência nesse assunto”, afirmou.

Por seu turno, o vice-presidente da autarquia, António Louro, não quis deixar passar a oportunidade de tecer comentário relativamente à situação vivida pelo Centro Social de Carvoeiro e pelos órgãos sociais demissionários, demonstrando-se preocupado e até indignado pela informação que corre na opinião pública.

“É com grande preocupação que tenho assistido a toda essa tragédia que está a acontecer àquela instituição e não posso deixar de manifestar a minha enorme preocupação por ver a forma como todo o processo se está a desenvolver. Especialmente também pela falta de informação que parece grassar na opinião pública e junto da população do Carvoeiro”, começou por referir.

António Louro refletiu sobre o assunto, sublinhando que se vivem “tempos muito difíceis para todos os que desempenham cargos públicos e que desempenham funções públicas”.

IPSS de Carvoeiro vive crise diretiva. Foto: DR

Notou ainda não ter “nenhum dado que permita perceber que tenha existido por parte de nenhum membro dos corpos sociais aproveitamento dos recursos da instituição para uso próprio, para seu benefício próprio, e a forma como a comunicação e todo o processo se tem vindo a desenvolver, faz atirar todo o corpo diretivo para uma nebulosa em que parece ter havido aproveitamento pessoal, quando por aquilo que a informação fidedigna que me vai chegando dos diferentes membros, nunca vi isso retratado de maneira visível”.

“Houve efetivamente problemas e incorreções na gestão da instituição por aquilo que consta, mas que foram executados na procura de servir a instituição e fazer com que sobrevivesse a momentos especialmente difíceis”, notou.

Para o vice-presidente da Câmara de Mação, deve diferenciar-se quem erra na gestão das instituições dependendo da intenção com que o faz. “Temos de aprender a diferenciar”, notou, defendendo que “não devemos generalizar e meter tudo no mesmo saco”.

“Uma coisa é alguém que faz utilização de um cargo público, semi-público ou à frente de uma instituição destas e que faz decisões de gestão para seu benefício pessoal, dos seus familiares, para ter vantagens patrimoniais. Outra coisa é alguém que toma decisões que não são as mais corretas, mas que entende serem as mais ajustadas àquele momento de dificuldade, em prol da instituição que dirige, em prol das pessoas que procura servir”, enumerou.

“Acho que não devemos sancionar da mesma forma tudo e todos, são situações perfeitamente diferenciadas e que temos todos a obrigação de colaborar para que sejam tratadas de modo diferenciado”, afirmou António Louro.

Por outro lado, deixou um lamento pela forma como a comunidade tem estado a reagir à situação e sobre a forma como o acontecimento está a ser replicado na opinião pública, nomeadamente com consequências para os corpos sociais demissionários.

O Centro Social S. João Baptista, em Carvoeiro, teve, desde 2008, António Luís Pereira como presidente da direção.

“É com algum pesar que vejo a forma como têm vindo a ser tratados publicamente, até ao momento e pela informação que disponho, os corpos sociais dessa instituição, porque também antevejo que qualquer associado que neste momento se proponha candidatar a lugar diretivo, que não é remunerado e em que as pessoas desempenham as funções ao serviço da sua comunidade, se vejam tratadas desta forma, enxovalhadas publicamente, por erros na gestão mas que não foram feito para seu benefício pessoal… Custa-me um bocadinho”, concluiu.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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