O município de Mação vai criar um Conselho Cinegético Municipal e admite apoios financeiros às associações de caçadores para controlar a população de javalis, aguardando pelas medidas do Governo para fechar um plano de ação.
«Como não saíram as medidas [do Governo para o controlo da população de javalis], atrasa-nos aqui, certamente, um bocadinho o processo de decisão e intervenção», disse hoje o presidente da Câmara de Mação, José Fernando Martins, no final de uma reunião com associações de caçadores.
O autarca de Mação explicou que ficou decidido aguardar pelo anúncio do Governo e pela eventual inclusão do concelho no projeto-piloto nacional, para articular essas medidas com as propostas das associações e os apoios municipais.
Horas antes, em Vila Nova da Barquinha, o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, disse à Lusa que o projeto-piloto para controlar javalis em zonas consideradas mais problemáticas vai começar «durante esta época de caça de outubro», sendo a estratégia anunciada em breve.
Rui Ladeira apontou a «inquietação social», os prejuízos na agricultura e os acidentes rodoviários entre os problemas a que o Governo pretende responder, explicando que o projeto permitirá avaliar resultados para posteriormente construir «uma estratégia mais forte».
Na reunião de Mação participaram as oito associações de caçadores sediadas no concelho, que apresentaram propostas para o controlo da densidade de javalis. Uma nona associação, sediada em Mouriscas, Abrantes, mas com área de intervenção no sul de Mação, foi convidada, mas não esteve presente.
Entre as propostas estão apoios financeiros às matilhas utilizadas nas batidas, alimentação nos locais usados para esperas e recuperação de caminhos para recolher os animais abatidos. A Câmara disponibilizou ainda apoio administrativo às associações nos procedimentos junto do ICNF.
José Fernando Martins confirmou a disponibilidade do município para apoiar uma câmara de frio para conservar os animais abatidos e admitiu apoios financeiros às associações, com critérios a definir em conjunto e tendo em conta a capacidade, atuação e área de intervenção de cada uma.
Está também a ser equacionada, no âmbito dos cinco municípios do Pinhal Maior – Mação, Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei -, uma sala de desmancha onde a carne possa ser tratada, fiscalizada e posteriormente colocada no mercado.
A criação do Conselho Cinegético Municipal foi outra das decisões, devendo esta estrutura acompanhar, com a Câmara, o processo e a articulação dos apoios às associações.
O problema levou o município a promover duas reuniões nas últimas semanas, perante relatos de javalis junto e dentro das localidades e prejuízos agrícolas.
José Fernando Martins apontou acidentes rodoviários, danos em muros, vinhas durante a vindima e, mais recentemente, olivais, estimando que existam «centenas» de javalis no concelho, embora tenha ressalvado ser impossível uma contabilização rigorosa.
O autarca considerou reduzido o número de animais abatidos face à população existente.
Os 11 municípios da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo já manifestaram ao Governo disponibilidade para integrar o projeto-piloto, considerando o problema transversal à região.
«Há concelhos que têm uma situação mais grave do que outros, no entanto, é uma preocupação geral no âmbito do Médio Tejo», disse anteriormente à Lusa o presidente da CIM, Manuel Jorge Valamatos.
Também no Sardoal está prevista para terça-feira, dia 29, uma reunião promovida pelo município para debater o problema.
O projeto-piloto tinha sido anunciado pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, prevendo um mecanismo de incentivo ao abate nas zonas onde seja identificada sobrepopulação de javalis.
Rui Ladeira não indicou hoje os territórios que integrarão a fase inicial, remetendo para o anúncio da estratégia antes do arranque do projeto em outubro.
c/Lusa
