A associação Rotas de Mação promove no sábado, 12 de setembro, uma “Expedição ao Vale do Ocreza”, com uma caminhada dedicada ao património arqueológico e às gravuras rupestres do Paleolítico Superior com mais de 20 mil anos. As inscrições estão esgotadas, segundo a organização.
A iniciativa decorre durante a manhã e pretende dar a conhecer um dos mais relevantes conjuntos arqueológicos do concelho de Mação, através de um percurso pelo Vale Pré-Histórico do Ocreza, onde estão identificadas representações de animais como cavalos e auroques.
O programa, que terá os arqueólogos Sara Garcês e Hugo Gomes como guias, propõe uma viagem pelo território e pela sua história, permitindo aos participantes conhecer as gravuras e o contexto natural e arqueológico do vale, numa atividade que combina caminhada, interpretação e descoberta do património.
A arte rupestre do Ocreza integra o Complexo Rupestre do Vale do Tejo e tem particular importância por conservar manifestações artísticas atribuídas ao Paleolítico Superior, sendo o único sítio daquele complexo onde estão identificadas representações paleolíticas de animais.
A primeira gravura paleolítica do vale foi descoberta em 2000 e representa um cavalo sem cabeça, ficando conhecida como “Cavalo do Ocreza”. A descoberta ocorreu no contexto das obras da A23 e revelou a importância arqueológica de um território onde até então não era conhecida a existência de arte rupestre paleolítica ao ar livre a sul do Douro.
Desde então, a investigação arqueológica permitiu identificar mais de uma centena de gravuras no vale, com diferentes cronologias. Em 2021 foi descoberto um painel com vários animais, incluindo um auroque, e em 2023 foi identificada outra representação de um bovídeo pré-histórico. Em 2024 foi descoberta uma nova gravura representando um cavalo.
Um estudo publicado em 2025 na revista Journal of Paleolithic Archaeology refere a existência de um novo conjunto de painéis de arte rupestre paleolítica no Vale do Ocreza, com figuras zoomórficas, incluindo auroques e cavalos, reforçando a importância do local no contexto da arte rupestre do Paleolítico Superior na Península Ibérica.
O Vale do Ocreza constitui um dos 12 sítios de arte rupestre conhecidos no Complexo Rupestre do Vale do Tejo, que se estende por cerca de 120 quilómetros e reúne milhares de gravuras. No território de Mação, as manifestações rupestres abrangem uma cronologia muito mais ampla, desde o Paleolítico Superior até períodos posteriores, incluindo representações pré-históricas de diferentes épocas.
O município tem desenvolvido, através do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo e em parceria com instituições de investigação, ações de estudo, proteção e divulgação deste património, que se tornou também um elemento de valorização turística do território.

A atividade das Rotas de Mação pretende precisamente aproximar este património do público, proporcionando uma manhã de caminhada e interpretação num território onde natureza e arqueologia se cruzam.
Informações para a “Expedição ao Vale do Ocreza” estão disponíveis através das Rotas de Mação.

