Chegou este sábado a Mação a comitiva de “Pedalar para Plantar”, um grupo de ciclistas eue está a percorrer 750 quilómetros em bicicleta, passando pelos locais mais atingidos pelos incêndios de 2017. Foto: CM Mação

Chegou este sábado a Mação a comitiva de “Pedalar para Plantar”, um grupo de ciclistas amadores que está a percorrer 750 quilómetros em bicicleta, passando pelos locais mais atingidos pelos incêndios de 2017 e propondo-se a plantar pelo menos uma árvore por cada quilómetro. O périplo de oito dias termina hoje em Fátima.

O grupo foi recebido no sábado no Auditório do Centro Cultural Elvino Pereira pelo presidente da Câmara Municipal de Mação e vereadores, assim como pelos representantes das Associações Concelhias e presidentes de Junta que participavam no Fórum Associativo que ali decorria, tendo o gesto do grupo de amigos tem como objetivo “não deixar esquecer o que aconteceu [com os incêndios] e tentar chamar a atenção para que não se repita” tragédia similar.

Este domingo, às 9:30, a comitiva partiu para Fátima, a última etapa desta iniciativa, sendo que o Grupo de Cicloturismo das Matas acompanhou uma parte do percurso. Foto: DR

Este domingo, às 9:30, a comitiva partiu para Fátima, a última etapa desta iniciativa, sendo que o Grupo de Cicloturismo das Matas acompanhou uma parte do percurso.

“Ao longo de oito dias propomos levar uma mensagem e chamar a atenção para que os acontecimentos de 2017 não se repitam e que nunca sejam esquecidos, para que aqueles que sofreram as consequências dos incêndios não sejam esquecidos, para que sejam homenageadas as vítimas, para que mais e mais pessoas possam ajudar a recuperar as zonas afetadas e, acima de tudo, para que se possa mudar a maneira de pensar de tantas pessoas acerca dos incêndios e das matas e florestas abandonadas”, refere os membros da organização, em nota de imprensa.

Na mesma nota, o grupo adianta que as pessoas que quiserem “contribuir com mais árvores para a recuperação das zonas ardidas poderão fazê-lo na página de Facebook do evento [https://facebook.com/pedalarparaplantar], com uma contribuição voluntária de dois euros por árvore”, que serão plantadas em novembro.

O percurso começou no feriado de 10 de junho na Marinha Grande, distrito de Leiria, terminando nesse dia em Mira, Coimbra. No dia seguinte, o grupo fez Mira-Santa Comba Dão, em Viseu, de onde partiu a 12 para Gouveia, distrito da Guarda. Já a 13 os ciclistas entraram em Arganil, Coimbra, tendo chegado no dia 14 a Pedrógão Grande, norte do distrito de Leiria.

Depois de passar em Ansião e Mação, este último concelho já do distrito de Santarém, a comitiva é hoje, dia 17 de junho, aguardada em Fátima. Foto: CM Mação

“Fátima é uma zona central e queremos que haja uma missa, no dia 17 de junho, pois faz um ano que morreram as primeiras pessoas no incêndio de Pedrógão Grande, e queremos homenageá-las”, justificou Filipe Gaivão.

No passado, este grupo que agora se propõe “Pedalar para plantar”, já realizou outras missões, incluindo a “descida” do Tejo, a deslocação a Ceuta, 600 anos após ser tomada pelos portugueses, e a viagem a Roma “para entregar em mão ao papa Francisco uma mensagem sobre o que se faz em Portugal” para combater o desperdício alimentar.

Em junho de 2017, os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, e que acabou também por morrer. Houve ainda mais de 250 feridos.

Em outubro, 49 pessoas morreram e cerca de 70 ficaram feridas na sequência dos incêndios na região Centro, que também destruíram total ou parcialmente cerca de 1.500 casas e mais de 500 empresas.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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