O município de Mação vai promover, a 6 e 7 de novembro, em Cardigos, um Simpósio Internacional dedicado a Joaquim da Silva Tavares, jesuíta e investigador que se destacou na área das Ciências Naturais e foi um dos fundadores da revista científica e cultural Brotéria. O programa inclui ainda o lançamento da primeira pedra da futura casa-memória dedicada ao cardiguense.
A iniciativa insere-se nas comemorações dos 160 anos do nascimento de Joaquim da Silva Tavares, que nasceu a 17 de agosto de 1866, em São Bento, na freguesia de Cardigos.
A iniciativa integra o Ciclo de Homenagens a quatro Cardiguenses, promovido entre 2026 e 2029, dedicado a quatro personalidades naturais daquela freguesia que se destacaram, a nível nacional e internacional, em diferentes áreas.
Joaquim da Silva Tavares é apresentado pelo município como uma das figuras de relevo da História das Ciências Naturais na primeira metade do século XX, tendo desenvolvido atividade científica em Portugal, na Europa e na América. Jesuíta da Companhia de Jesus, esteve também ligado à fundação da Brotéria, publicação científica e cultural que continua em atividade.
Durante a apresentação do simpósio, que decorreu em Cardigos, o presidente da Câmara Municipal de Mação, José Fernando Martins, destacou a dimensão da figura que o município pretende homenagear.
“Não estamos só perante alguém que nasceu no lugar de São Bento, em Cardigos, há 160 anos, mas sim alguém que conquistou um lugar na história da ciência em Portugal e fora do nosso país”, afirmou.
Um dos momentos previstos para os dois dias de iniciativa será o lançamento da primeira pedra da casa-memória de Joaquim da Silva Tavares, no local onde nasceu, em São Bento, Cardigos. “160 anos após o seu nascimento, naquele local, trazemo-lo de novo a casa”, afirmou o autarca.

A vereadora da Cultura, Vanda Serra, apresentou o programa do simpósio, destacando também a realização de um conjunto de ateliers dirigidos às crianças das escolas do concelho. As atividades começaram já esta semana e têm como objetivo dar a conhecer aos mais novos a vida e obra do investigador natural de Cardigos.
Segundo a autarquia, apesar da dimensão nacional e internacional do percurso de Joaquim da Silva Tavares, a sua figura continua a ser pouco conhecida no território onde nasceu. A Brotéria e o seu trabalho científico foram, contudo, objeto de estudo e reconhecimento em diferentes países.
A Academia das Ciências de Lisboa, que homenageou Joaquim da Silva Tavares há cerca de 90 anos, integra também a lista de instituições parceiras do simpósio.
A Junta de Freguesia de Cardigos participa igualmente na organização. O presidente da autarquia local considerou que a iniciativa constitui uma oportunidade para homenagear o cardiguense e aproximar a sua obra das novas gerações.
Na apresentação estiveram ainda José Eduardo Franco, em representação da Universidade Aberta, e Luiz Oosterbeek, da Universidade Politécnica de Tomar.
José Eduardo Franco, responsável pela organização do programa científico do simpósio, salientou a importância de recuperar a memória de Joaquim da Silva Tavares, que considerou “uma das maiores figuras da ciência na primeira metade do século 20”.
Segundo o investigador, a figura do jesuíta acabou por ficar “um pouco esquecido” na sequência das mudanças sociopolíticas ocorridas com a implantação da República. Ainda assim, destacou a sua “resiliência e persistência” e o reconhecimento que alcançou em importantes academias europeias e de outros países.
As inscrições para o Simpósio Internacional sobre Joaquim da Silva Tavares, SJ encontram-se abertas, podendo ser feitas AQUI.

