Aeródromo de Tancos. Foto: Serrano Rosa

A Assembleia Municipal de Mação aprovou por unanimidade, em sessão ordinária de 27 de fevereiro, a moção apresentada pelo Conselho Intermunicipal do Médio Tejo com vista a uma futura possível implementação de um aeroporto civil-militar no atual aeródromo de Tancos, no município de Vila Nova da Barquinha. A moção tem sido aprovada pelos vários municípios da região.

Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, lembrou que a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo tomou uma posição no sentido de reivindicar “o aproveitamento civil conjugado com o aproveitamento militar do aeródromo de Tancos, nomeadamente para dar resposta ao Turismo religioso e não só”. Para o autarca, este é um processo que terá “muito caminho para andar”.

“Acho que é nossa obrigação tomarmos uma posição política relativamente a esta matéria, aprovar esta moção e defendermos esta possibilidade, porque evidentemente, perante as possibilidades que existem no país para ter um aeroporto, que seja Tancos e não Coimbra, Leiria ou Monte Real. Porque se alguma infraestrutura destas pode vir a beneficiar o nosso concelho e a nossa região é, obviamente, Tancos”, assumiu Vasco Estrela, dando conta de que a mesma moção fora aprovada por unanimidade em sede de executivo camarário.

O autarca frisou que se pretende encontrar uma solução para que o aeródromo possa ser utilizado em termos civis, nomeadamente pelas companhias aéreas low-cost. “Partindo do pressuposto que o Montijo é para construir, seria uma outra alternativa. De outra forma, que pode ser encarada – mas neste momento não é pretensão, porque parece demasiado rebuscada para já, nesta primeira fase – de avançar para a solução para ser um outro aeroporto”, disse Vasco Estrela, lembrando ainda assim que há especialistas a indicar esta opção como viável.

“Não há estudos ainda devidamente sustentados que nos permita de uma forma clara defender para já essa opção”, referiu.

Na sessão, também Duarte Marques (PSD), deputado municipal e com assento na Assembleia de República, sublinhou que “a CIMT e os dirigentes políticos da região não devem descurar a luta de trazer para Tancos valências que vão ter de ser deslocadas do Montijo para outras zonas do país”, considerando que “não há zona melhor para colocar a nova frota de meios de combate aos incêndios do Estado como Tancos” apontando a sua centralidade e as suas capacidades e recordando que “era lá que os helicópteros Kamov treinavam”.

Por último, o deputado assumiu que há um “imbróglio grande” com Montijo e que é algo “difícil de ultrapassar”. “Dizem os especialistas que, mesmo que se faça o aeroporto do Montijo, o atraso já é tanto na construção – por mera aselhice e entre outros erros – que quando estiver pronto, não terá a resposta necessária e que era preciso”, afirmou, acrescentando que “o Montijo não é um aeroporto definitivo, é para apoiar a operação de Portela, o que está definido é que depois de Montijo se faça um aeroporto em Alcochete para permitir encerrar a Portela”.

Duarte Marques demonstrou ainda a sua posição, defendendo que se deveria “estudar a viabilidade de Tancos ser o terceiro terminal da Portela até o aeroporto de Alcochete estar feito”.

“Se calhar mais vale olhar para Tancos e ver se há ou não viabilidade aeronáutica, económica e infraestrutura para instalar ali aquele terminal”, disse, enumerando as mais-valias de proximidade a autoestradas principais do país, ferrovia e a doca seca existente em Torres Novas para o transporte de mercadorias.

Da bancada do PSD também José António Almeida frisou que a oportunidade de aproveitamento do aeródromo de Tancos seria um “balão de oxigénio” para a região. “Não temos o direito de brincar com esta situação, temos que agarrar-nos a todos os meios e possibilidades e fazer lobby para que isto se concretize”, notou, reconhecendo que não será um processo fácil, mas que também Mação irá lucrar com esta alternativa. O deputado defendeu ainda que se possa desenvolver outros procedimentos e outras iniciativas no sentido de dar visibilidade a esta hipótese apresentada.

No texto da moção aprovada é frisado que a criação de um aeroporto regional civil-militar em Tancos iria valorizar a zona centro do país, e todo o Interior, “por forma a dar resposta adequada ao turismo religioso, com especial enfoque em Fátima, ao turismo cultural e de lazer das nossas regiões e permitiria uma melhor penetração nos mercados internacionais das empresas regionais do Médio Tejo, da Lezíria do Tejo, do Alto Alentejo e das Beiras”, com “custos financeiros desmesuradamente inferiores a qualquer outra solução”.

Segundo o definido pelos municípios da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, “os primeiros objetivos passam por uma recolha de elementos dos estudos já efetuados sobre o aeródromo de Tancos, bem como realizar os estudos necessários para a implementação de um aeroporto regional civil-militar”.

Após isso, “os Municípios da região irão empenhar-se junto da administração central para que esta realize, o quanto antes, estudos para a remodelação ou construção de novas infraestruturas tendo em vista o desenvolvimento da região e da coesão nacional, contribuindo para atenuar assimetrias de desenvolvimento nas zonas de baixa densidade”.

Na mesma informação enumeram-se algumas das mais-valias apontadas para este local, referindo-se que o Polígono militar de Tancos “detém servidões aeronáuticas já constituídas (a 1ª Servidão com 3,26 Km2, a 2ª Servidão com 6,18 km2); espaço aéreo livre; duas pistas com 2440m e 1200m de comprimento, respetivamente; terrenos adjacentes desocupados (por servidões militares) para futura ampliação; excelentes níveis anuais de visibilidade”.

Por outro lado, ganha pela sua “centralidade geográfica (a 1 hora de Lisboa, 20 minutos de Fátima, 50 minutos de Coimbra e 50 minutos de Castelo Branco, e cerca de 1 hora de Portalegre); zona de baixa densidade; unidades militares instaladas para situações de emergência e catástrofe; rede de autoestradas e itinerários principais ao seu lado, A13 e A23; linha confinante de caminho-de-ferro eletrificada (linha do norte e do leste)”, pode ler-se.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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