O Cine-Teatro Municipal de Constância recebe, entre 16 e 18 de outubro, três sessões de “Lixo – Uma História de Amor”, nova produção do Santa Margarida Teatro, escrita e encenada por Flávio Tomé, que cruza teatro, música e marionetas numa reflexão sobre exclusão, afeto, consumo e esperança.
Num beco esquecido pela cidade, entre chapas, madeira, plástico e objetos abandonados, cinco personagens construíram uma pequena comunidade e aprenderam a transformar aquilo que os outros deitam fora. É neste cenário que se desenvolve “Lixo – Uma História de Amor”, espetáculo do Santa Margarida Teatro que sobe ao palco do Cine-Teatro Municipal de Constância nos dias 16 e 17 de outubro, às 21h30, e 18, às 16h00.
Com texto, encenação e direção artística de Flávio Tomé, a peça parte de uma “aldeia” improvisada no meio do desperdício para abordar temas como a exclusão social, a solidão, a memória, a relação entre o ser humano e a natureza e, sobretudo, a capacidade de criar laços e reconstruir vidas.
Alfie, Ma-Bel, Baltazar, Soneca e Resinas são os habitantes deste universo onde objetos rejeitados ganham novas utilizações e onde aqueles que ficaram à margem encontram nos outros uma ideia de casa e família. Cada personagem transporta a sua própria história e fragilidade, num espetáculo que procura confrontar o público com aquilo – e aqueles – que a sociedade escolhe descartar.
Entre as figuras centrais está Alfie, um homem de cerca de 70 anos que se desloca numa velha cadeira de rodas e funciona como uma espécie de pilar da comunidade, vendo histórias onde os outros apenas encontram lixo. Ma-Bel, por sua vez, vive com Alzheimer em fase avançada, tendo perdido referências do passado, mas conservando a capacidade de reconhecer o afeto, a bondade e a beleza.
A comunidade completa-se com Baltazar, homem solitário que percorre as ruas com um carrinho de compras carregado de latas e garrafas; Soneca, que vive num abrigo improvisado de caixas de cartão e jornais; e Resinas, uma criança que estabelece diferentes laços com cada um dos adultos e acaba por funcionar como elemento agregador daquela família improvável.
As marionetas assumem igualmente um papel na narrativa. Um gato, um rato, um cão e um pombo representam, respetivamente, ideias como liberdade, sobrevivência e partilha, consciência e esperança, acompanhando as personagens e reforçando a ligação entre humanidade, natureza e imaginação.
A produção junta em palco Elsa Cunha, Flávio Tomé, Nuno Ferreira e Carlos Henriques, com participação especial de Natã Mansoa. A componente sonora está entregue a Eduardo Pereira e Miguel Gomes, enquanto as marionetas são da responsabilidade de Rodrigo Braz, Beatriz Figueiredo e Tiago Serrano.
“Lixo – Uma História de Amor” dá continuidade à atividade que o Santa Margarida Teatro tem vindo a desenvolver no concelho de Constância. O projeto, dirigido artisticamente por Flávio Tomé e sediado em Santa Margarida da Coutada, estreou-se publicamente em 2024, no âmbito da primeira Feira Mourisca, tendo desde então participado e produzido diferentes iniciativas culturais e de recriação histórica no território.
Entre as iniciativas mais recentes encontra-se a produção da recriação histórica “Punhete – Carta Régia de 1571”, realizada em maio em Constância, num percurso de criação artística que tem procurado ligar o teatro à comunidade e à história local.
As três sessões de “Lixo – Uma História de Amor”, abertas ao público em geral e com classificação M/6, contam já com um número significativo de reservas, embora ainda existam lugares disponíveis.
Os bilhetes podem ser reservados no Posto de Turismo de Constância, através do telefone 249 730 052 ou do endereço eletrónico [email protected].

