Livre rejeita açude em Constância e defende renegociação das convenções da água. Foto: mediotejo.net

De visita a Constância, no distrito de Santarém, onde o partido Livre nunca elegeu nenhum deputado, Rui Tavares, acompanhado pela cabeça de lista por Santarém, Natércia Lopes, e de outros candidatos pelo distrito, afirmou ter estratégias para a água, uma das quais passa por renegociar as convenções, nomeadamente entre Portugal e Espanha.

“A escala de negociação de recursos hídricos tem que ser a europeia, ou seja, temos que fazer elevar a diretiva quadro da água, que já existe e que já nos vale muitas vezes em negociações com Espanha, para o nível de uma convenção europeia de gestão da água na qual Portugal seja uma das partes, um dos estados membros protagonistas e que isso nos possibilite um equilíbrio nas nossas relações com Espanha em relação à gestão da água”, especificou.

O dirigente do Livre apontou, a título de exemplo, a Convenção da Albufeira com a Espanha que é já antiga e a qual é difícil de renegociar porque, hoje em dia, a situação da água é mais crítica.

“Iríamos sempre renegociar em perda porque temos esta desvantagem de os rios internacionais correrem todos de Espanha para Portugal e não ao contrário”, apontou.

Livre rejeita açude em Constância e defende renegociação das convenções da água. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | RUI TAVARES, PORTA-VOZ DO LIVRE:

Em matéria ambiental, Rui Tavares defendeu também o restauro da natureza através da remoção de barragens, açudes, obstáculos e barreiras que estejam inativos ou obsoletos e a redução das perdas nos sistemas de abastecimento de água através de programas de controlo e combate às fugas.

A promoção de ações de restauro ecológico ao longo das margens dos rios e das florestas é outra das propostas, indicou.

Sobre o distrito, nomeadamente à construção de um novo açude no Rio Tejo na zona de Constância/Praia do Ribatejo, Rui Tavares manifestou a sua oposição.

Se a obra avançar, investimento que representa centenas de milhões de euros, as consequências sociais e ambientais serão muito graves, sustentou.

A título de exemplo, Rui Tavares apontou a destruição do património, nomeadamente o desaparecimento do parque ribeirinho e da praia fluvial de Constância.

“E Almourol, que tem um enquadramento absolutamente único e um castelo, vai deixar de ser uma ilha”, acrescentou.

Livre rejeita açude em Constância e defende renegociação das convenções da água. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | RUI TAVARES, PORTA-VOZ DO LIVRE:

Rui Tavares aproveitou o momento para criticar a estratégia que o Governo da Aliança Democrática (AD) tem para a escassez da água.

“É uma estratégia que está mal desenhada e está dirigida para a agricultura intensiva, ou seja, mais uma vez, é a estratégia de dinheiro fácil contra a verdadeira riqueza”, concluiu.

Livre assume ambição de eleger em Santarém roubando deputados à extrema-direita

O porta-voz do Livre assumiu hoje a ambição de eleger, pela primeira vez, um deputado em Santarém, “roubando-o” à extrema-direita, que acusou de “rebaixar a política”.

Na sua primeira deslocação a Santarém nesta campanha eleitoral, Rui Tavares afirmou que este é um distrito charneira na política nacional, muito importante e que tem muitas alterações de voto.

Livre rejeita açude em Constância e defende renegociação das convenções da água. Foto: mediotejo.net

“Quem se lembra, nos anos 1980, que este era o distrito forte do Partido Renovador Democrático (PRD) e, portanto, é um distrito que, muitas vezes, acompanha a mudança, acompanha a novidade em termos políticos, mas nem sempre essa novidade é boa, por exemplo, a novidade que vem da extrema-direita é uma novidade má”, disse.

Numa visita à praia fluvial de Constância, Rui Tavares considerou que a extrema-direita elege deputados e deputadas que “rebaixam a qualidade do trabalho” na Assembleia da República “quando não são mesmo delinquentes políticos, quando não são mesmo só delinquentes `tout court´ [simplesmente] como se viu com casos que aconteceram durante esta legislatura”.

Segundo Rui Tavares, se as pessoas neste distrito querem ter novidade política, competência, estabilidade e ideias, o voto tem de ser no Livre.

Livre rejeita açude em Constância e defende renegociação das convenções da água. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | RUI TAVARES, PORTA-VOZ DO LIVRE:

“Nós sabemos que estamos a crescer no distrito de Santarém, temos uma candidatura muito forte que é protagonizada pela Natércia Rodrigues Lopes e pelo Rui Simões que são pessoas que trazem conhecimento técnico, ou seja, conhecimento na área da ciência, poder local e gestão autárquica”, reforçou.

“Nós podemos dar aos eleitores do distrito de Santarém uma representação ímpar na próxima legislatura na Assembleia da República”, acrescentou.

Em declarações ao mediotejo.net, Natércia Lopes, cabeça de lista do Livre pelo círculo eleitoral de Santarém, afirmou acreditar numa forte votação e que é possível o partido ter uma voz do distrito no parlamento.

Natércia Lopes, cabeça de lista do livre por Santarém. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | NATÉRCIA LOPES, CABEÇA DE LISTA DO LIVRE POR SANTARÉM:

Com o mote ‘Crescer com Santarém: a alternativa é ser LIVRE!’, o partido apresenta-se às eleições legislativas de 2025 pelo círculo eleitoral de Santarém com uma lista encabeçada por Natércia Rodrigues Lopes e Rui Simões, sendo a mesma composta por membros das sub-regiões da Lezíria e do Médio Tejo, “representando as diversas realidades” do distrito.

Em comunicado, o Livre afirma que tem “crescido de forma sustentada” no distrito de Santarém, “proporcionando um novo imaginário político assente nos valores do universalismo dos Direitos Humanos, da ecologia e do europeísmo”, ao mesmo tempo que se afirma “defensor dos ideais de liberdade, igualdade, solidariedade e progressismo”.

O Livre, que recentemente formalizou o seu Núcleo Territorial em Santarém e elegeu o primeiro Grupo de Coordenação Local dessa estrutura, apresenta-se a estas eleições legislativas antecipadas com o compromisso de “reforçar o trabalho desenvolvido” na região, afirmando-se “convicto de que a política se faz de forma honesta, genuína e responsável, sempre com as pessoas e para as pessoas”.

“A escassez de serviços públicos de qualidade e de oportunidades de emprego qualificado, o baixo investimento na região, e a insuficiência de incentivos para a fixação de jovens constituem um cenário de condições desfavoráveis aos habitantes do distrito de Santarém”, indica o partido.

Consequentemente, acrescenta, os “cidadãos naturais e residentes são muitas vezes forçados a procurar alternativas noutras regiões do país ou até mesmo no estrangeiro”, em “realidade que é reflexo de um declínio económico e social que resulta da histórica centralização de recursos, decisões políticas e investimento público nas grandes áreas metropolitanas”.

Para o Livre, “a Regionalização, um processo de descentralização” que defende como “garante essencial da coesão territorial e do desenvolvimento equilibrado do país, representa uma oportunidade para corrigir as assimetrias históricas entre o litoral e o interior”, sendo, por isso, uma “questão estruturante para o futuro de todo o território português”, defende.

“É urgente adotar políticas que revertam esta tendência de despovoamento do interior, o que só é possível garantindo mais serviços, novas oportunidades e uma melhor qualidade de vida”, acrescenta.

Nesse sentido, o Livre defende o “reforço do Estado Social e o investimento em serviços públicos”.

“Na Saúde, são necessários recursos humanos, equipamentos e infraestruturas, a par de uma reestruturação de serviços que responda às necessidades reais da população para assegurar um SNS que garanta o direito ao acesso universal à saúde.

Na Educação, o Livre defende igualmente o “investimento numa escola pública de qualidade”, que funcione “em articulação com as comunidades em que se insere e que acompanhe as pessoas ao longo das suas vidas, capacitando-as de acordo com os seus interesses e necessidades”.

Também na Habitação, para o Livre, “a oferta pública tem de ser uma prioridade”, de forma a “combater a atual crise que irradia dos grandes centros urbanos e que afeta já significativamente várias zonas do país, como é o caso do distrito de Santarém”.

“Outra das prioridades” do Livre para o distrito “continua a ser a mobilidade e coesão territorial”, salienta, no comunicado.

“Os benefícios do Passe Nacional Ferroviário, conquista do Livre na Assembleia da República que antecede o atual Passe Ferroviário Verde, ficam claros através do acentuado aumento da procura destes serviços, não só em Santarém como em todo o território nacional. Agora, é preciso acompanhar esse interesse aumentando a oferta a nível de horários, frequência e alcance, sem esquecer o investimento na infraestrutura envolvente que precisa dar resposta ao maior fluxo utilizadores. Mais ainda, é fundamental compreender que a mobilidade em Santarém precisa ser mais do que as ligações a Lisboa: é preciso pensar também nas ligações das aldeias aos centros urbanos mais próximos”, com uma #verdadeira rede de transporte público eletrificado que garanta, a todas as pessoas, o acesso a bens e serviços essenciais”.

Natércia Lopes afirmou a “convicção” que “assegurar uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas passa necessariamente por uma visão ecologista da ação política e do desenvolvimento humano”.

O Livre, notou, “está particularmente atento a questões relacionadas com a água no distrito de Santarém, desde os persistentes problemas com a poluição de rios e outros cursos de água, até às graves falhas na rede de saneamento básico em muitos dos municípios da região”.

Neste contexto, a candidata por Santarém alerta para a “necessidade premente de apostar cada vez mais na reciclagem e na reutilização de águas residuais como resposta a períodos de seca e escassez de recursos”, bem como a “oposição firme a construções que ameaçam a integridade das paisagens naturais e dos ecossistemas do distrito”.

Nas eleições legislativas de 10 de março de 2024, o distrito de Santarém elegeu nove deputados, três pelo PS, três pelo PSD e três pelo Chega.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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