A Força Operacional Conjunta (FOCON), mobilizada na sequência dos sismos que devastaram a Venezuela, aterrou na sexta-feira na Base Aérea n.º 11, em Beja, onde os operacionais foram recebidos pelo Presidente da República, António José Seguro.

Na cerimónia de receção, o chefe de Estado deu as boas-vindas aos elementos da missão e manifestou o orgulho do país pelo trabalho desenvolvido.

“Dar-vos as boas-vindas no regresso a casa, expressar o nosso orgulho pela missão que desenvolveram e também o nosso agradecimento pela forma como o fizeram”, afirmou.

António José Seguro considerou que a equipa portuguesa levou à Venezuela “o melhor que o país tem, coragem, competência e essa solidariedade” e destacou o resgate de Hernán Gil, afirmando que o venezuelano foi salvo graças à “bravura, coragem e determinação” dos operacionais portugueses.

O salvamento de Hernán Gil, de 44 anos, tornou-se um dos momentos mais marcantes e mediáticos da missão. O venezuelano permaneceu soterrado durante sete dias sob os escombros do parque de estacionamento de um centro comercial e foi retirado com vida após 76 horas consecutivas de trabalho da Força Operacional Conjunta, em articulação com equipas internacionais.

Armando Maria, da Força Especial de Proteção Civil, admitiu que a operação deixou “marcas” na equipa devido à sua complexidade e às longas horas de trabalho. Recordou ainda que, ao perceber que estava a ser resgatado por portugueses, a vítima gritou “Cristiano Ronaldo, Portugal”, criando um momento de proximidade entre os operacionais e o sobrevivente.

Também Carlos Pereira, do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, destacou o “sentimento enorme de orgulho e de missão cumprida” pelo sucesso da operação. Já o chefe da missão, Hugo Santos, sublinhou que a FOCON regressou a Portugal “bem de saúde e sem nenhum ferimento”, após dias de “intenso trabalho, num cenário de devastação indescritível”.

Sismos na Venezuela: equipa portuguesa condecorada pelo Governo venezuelano. Na foto: João Pitacas. Imagem: ANEPC

Além das operações de busca e salvamento, a equipa portuguesa prestou apoio em emergência médica e procedeu à avaliação de estruturas em risco de colapso com recurso a drones.

João Pitacas integrou a missão enquanto elemento da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). O responsável desempenha funções de 2.º comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo desde janeiro de 2023, sendo um dos operacionais da região mobilizados para a resposta internacional enviada por Portugal.

João Pitacas é natural do Entroncamento e iniciou o percurso nos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, com ligação também ao Médio Tejo

A missão portuguesa decorreu no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia e reuniu operacionais da estrutura de comando e da Força Especial de Proteção Civil da ANEPC, da Unidade Especial de Proteção e Socorro da GNR, do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), contando ainda com seis cães de busca e salvamento.

Foto: Presidência da República

Os sismos registados na Venezuela provocaram, segundo o mais recente balanço oficial, pelo menos 4.333 mortos, 16.740 feridos e 19 mil desalojados. Entre os mortos, há pelo menos 110  portugueses e lusodescendentes, e outros 55 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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