Multidões acorreram à Cova da Iria, em 1917. Foto: DR

“Senhores de Fátima – Torres Novas e os acontecimentos da Cova da Iria”, um novo livro de João Carlos Lopes, vai ser apresentado este sábado, dia 14 de outubro, pelas 15h30, no auditório da Biblioteca Municipal de Torres Novas.

O ensaio tem prefácio de Luís Filipe Torgal, autor de referência no âmbito dos estudos sobre os acontecimentos de Fátima. “Senhores de Fátima” aborda aquilo que se poderá entender como o “pilar torrejano” da construção de Fátima, isto é, a ação articulada de algumas pessoas que, em Torres Novas e a partir de Torres Novas, tiveram um papel de relevo no desenvolvimento do processo que conduziu à validação, pela Igreja, dos acontecimentos de 1917.

O livro aborda o percurso desde a oferta da imagem de Nossa Senhora de Fátima à criação dos primeiros hinos e do primeiro jornal de propaganda, da fundação do “servitas” à concretização do relatório canónico que deu como aceites as alegadas “aparições”, ou mesmo o papel de alguns protagonistas como confessores junto de Lúcia de Jesus, garantindo que a vidente escreveria o que era pretendido pelo bispo de Leiria, D. José Correia da Silva.

O político torrejano Carlos Azevedo Mendes, o “senhor de Fátima”, Alberto Dinis da Fonseca, advogado em Torres Novas e militante político católico, Gilberto Fernandes dos Santos, que ofereceu em 1920 a imagem de Nossa Senhora e iniciou outros negócios na Cova da Iria, e Benevenuto de Sousa, padre natural do Outeiro Grande, protagonista de relevo da acção católica desde finais do século XIX até ao início do século XX, jornalista, pregador, empreendedor do santuário de Nossa Senhora de Lurdes em Outeiro Grande, Assentis, em 1909/1910, são algumas das figuras cujo percurso a narrativa pretende ligar em torno dos acontecimentos de 1917 e do que posteriormente veio a acontecer.

Para Luís Filipe Torgal, citado em nota informativa, “este livro é mais um elemento probatório segundo o qual não foi Fátima que se impôs à Igreja, mas foi a Igreja que impôs Fátima”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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