Segundo um comunicado da IP, a nova unidade, a instalar no Complexo Logístico do Entroncamento, terá uma potência de cinco megawatts-pico (MWp), baterias para armazenamento de energia e uma produção anual estimada de oito gigawatts-hora (GWh).
A energia produzida poderá representar cerca de 30% do consumo da subestação ferroviária do Entroncamento, contribuindo para reduzir a dependência da aquisição de eletricidade no mercado energético.
O projeto, atualmente em fase de contratação, constitui a primeira unidade da nova estratégia de produção própria de energia solar da IP, que prevê atingir uma potência instalada de 50 MWp nos próximos quatro anos.
A empresa estima que, quando estiver concretizado, este programa possa assegurar cerca de 25% das atuais necessidades de energia da operação da rede ferroviária nacional, permitindo reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em cerca de 16.800 toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano.
Segundo a IP, a futura central do Entroncamento destina-se a fornecer energia para a tração elétrica de comboios de passageiros e mercadorias e permitirá testar soluções técnicas e operacionais que poderão ser posteriormente utilizadas noutras instalações ferroviárias.
A estratégia resulta de um estudo desenvolvido por uma equipa multidisciplinar da IP, que identificou terrenos do domínio público ferroviário com condições favoráveis à instalação de unidades de produção fotovoltaica.
A intenção, salienta a IP, é aproveitar áreas atualmente sem utilização, privilegiando terrenos sob gestão da empresa e localizações próximas de subestações de tração ferroviária.
O investimento pretende também reduzir a exposição da IP às oscilações dos preços da eletricidade e permitir uma maior previsibilidade dos custos energéticos suportados pelos operadores ferroviários.
O projeto do Entroncamento já tinha sido contemplado numa portaria publicada em março deste ano, que autorizou a repartição de encargos até ao montante máximo de 10 milhões de euros (ME) para a construção do parque solar e adaptação da subestação ferroviária, com despesas previstas entre 2027 e 2033.
O concurso público para a empreitada foi anunciado em agosto, no Diário da República, abrangendo a primeira fase do parque fotovoltaico e a adaptação da subestação do Entroncamento.
A iniciativa insere-se nos objetivos nacionais de descarbonização dos transportes e de incorporação de energias renováveis, enquadrados pelo Decreto-Lei n.º 84/2022, que estabelece para o setor ferroviário uma meta de 100% de energia renovável em 2030.
Com a produção própria de eletricidade, a IP pretende aumentar a autonomia energética da infraestrutura ferroviária e diminuir os custos e o impacto ambiental associados à sua exploração.
c/Lusa
