Bem sei que é mais fácil falar do que fazer e que, neste país de língua afiada, se é preso por ter cão e preso por não ter, que é como quem diz, aqueles que criticam agora a ação permanecem na linha da frente para criticar amanhã a inação.

Também sei que vivemos uma realidade nova e que a gestão do desconhecido e da incerteza torna tudo mais imprevisível, obrigando a um reajustamento quase diário da estratégia e das medidas tomadas.

Enquadramento feito com as regras do jogo definidas e apreendidas, já posso afirmar que, apesar de reconhecer legitimidade a todo este argumentário, há decisões que se perdem algures no meio da incoerência.

Não me refiro à incoerência daqueles que hoje as defendem porque as medidas foram decididas por quem veste de azul-claro e que amanhã serão os primeiros a criticá-las quando as mesmas medidas forem implementadas por quem veste de azul-escuro.

Refiro-me àqueles que, debaixo da responsabilidade de terem sido eleitos para representar e defender os interesses locais, interesses esses que muitas vezes se estendem aos concelhos vizinhos, sucessivamente se demitem dessa responsabilidade, mostrando falta de solidariedade com os seu colegas e falta de coragem com receio de hostilizar os poderes centrais.

É por isso que a liberdade de pensar pela própria cabeça se torna incómoda para aqueles que se resguardam em estratégias seguidistas, abandonando ou suspendendo a sua capacidade analítica, para se limitarem a dar voz e visibilidade ao sucesso e não tendo a humildade para reconhecer o insucesso.

Aqueles que mais acertam nem sempre acertam e aqueles que mais erram, de vez em quando também acertam.

A legitimidade da crítica ganha dimensão quando também se reconhece o sucesso. Mas o contrário também é verdade. A comunicação do sucesso também ganha dimensão quando se reconhecem as limitações.

É a esta coerência, ou à sua falta, se preferirem, que faço referência. O silêncio ensurdecedor na defesa da região que choca de frente com os gritos de sucessos recentes e aparentes.

O presente olha para o futuro através das experiências do passado. Bem sei que a memória é curta e as estratégias de maquilhagem estão cada vez mais desenvolvidas, mas o meu romantismo faz-me acreditar que a coerência acabará por ser recompensada. Pode demorar, mas acredito que acabará por ser.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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