“Entrámos às zero horas na fase Delta, o nível máximo de empenhamento do dispositivo especial de combate a incêndios rurais”, disse ao mediotejo.net o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato.
Segundo o responsável, a sub-região passou a dispor de 21 equipas permanentes de combate a incêndios, 12 equipas de apoio logístico, além das Equipas de Intervenção Permanente dos corpos de bombeiros e dos piquetes municipais de emergência.
David Lobato mostrou-se preocupado com a evolução das condições meteorológicas, apontando para temperaturas elevadas e níveis de perigo de incêndio que deverão manter-se no máximo durante vários dias.
“Este início de julho não irá ser fácil. Vamos ter os combustíveis muito mais secos e o perigo de incêndio rural em risco máximo, o que é sempre problemático”, alertou.
Ainda assim, considerou que a evolução da situação dependerá sobretudo dos comportamentos da população.
“Se não houver comportamentos de risco e cada um fizer o seu papel, acredito que conseguiremos ultrapassar este período”, afirmou.
Em paralelo com o reforço do dispositivo nacional, entrou também hoje em vigor um plano operacional específico para os municípios mais afetados pela tempestade Kristin, que provocou a queda de milhares de árvores e deixou acumulado grande quantidade de material combustível na floresta.
Segundo David Lobato, o plano abrange os concelhos de Ourém, Ferreira do Zêzere, Tomar, Sardoal, Abrantes e Mação, prevendo o reforço e o pré-posicionamento de meios terrestres nas zonas consideradas mais críticas.
“Fica devidamente justificada a utilização de meios externos para estas zonas e o pré-posicionamento de brigadas e de veículos nas áreas mais sensíveis”, explicou.
Os trabalhos de desobstrução dos caminhos florestais encontram-se praticamente concluídos, faltando apenas intervenções pontuais em Ourém, o concelho mais afetado pela tempestade, estando agora em curso ações de regularização da rede viária florestal.
“A nossa preocupação é garantir que os caminhos estejam desimpedidos quando a situação começar a apertar”, indicou.
O comandante reiterou que a estratégia continuará a privilegiar um ataque inicial “imediato e musculado”, concentrando rapidamente meios para impedir que os incêndios evoluam para grandes dimensões.
“Todos os incêndios nascem pequenos. Se conseguirmos colocar bastantes meios numa fase inicial, evitamos que passem a ataque ampliado e resolvemos a maior parte das ocorrências nos primeiros 90 minutos”, afirmou.
Segundo David Lobato, o Médio Tejo registava hoje 145 ocorrências de incêndio rural desde o início do ano, sem que nenhuma tivesse evoluído para ataque ampliado.
“Vamos continuar a pedir a colaboração de todos. O nosso objetivo é simples: não haver ignições neste período mais crítico”, afirmou.
O responsável destacou ainda o reforço dos meios de primeira intervenção e vigilância, com equipas e viaturas pré-posicionadas em municípios como Abrantes, Ourém, Tomar e Ferreira do Zêzere.
“Conhecem o território como ninguém e conseguem debelar rapidamente os pequenos incêndios. É aí que fazemos a diferença”, sustentou.
O Governo anunciou hoje que o Estado de Prontidão Especial da Proteção Civil deverá subir para nível 3 entre quinta-feira e o fim de semana, enquanto a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil alertou para perigo muito elevado e máximo de incêndio rural em praticamente todo o território continental, devido à vaga de calor.
