PSD solicitou ao Governo que mantenha helicóptero Kamov perto de Ferreira do Zêzere. Foto: mediotejo.net

A Fase III do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais arrancou no dia 1 de junho e os meios previstos e anunciados para o distrito de Santarém têm menos um meio aéreo no terreno, nomeadamente um helicóptero Kamov que deveria estar disponível para operar a partir de Ferreira do Zêzere. Miguel Borges, presidente da Comissão Distrital da Proteção de Santarém, confirmou esse “percalço” de uma falta que disse ser “temporária” desse meio aéreo, tendo dado conta que os operacionais estão a postos, havendo este ano o fator covid-19 na equação da proteção geral e a exigir cuidados redobrados.

O responsável disse que o dispositivo operacional não é inferior ao do ano passado, que houve um adiar da vinda do meio aéreo para Ferreira do Zêzere que terá ver com normas e procedimentos e que em 15 dias será uma questão que deverá estar ultrapassada. Por outro lado, deu conta da importância de debelar um incêndio na sua fase inicial e apelou à prevenção e limpeza dos terrenos a quem ainda o não fez, sendo a proteção de pessoas e bens a primeira prioridade da proteção civil e demais agentes da autoridade no terreno.

O PSD questionou esta semana o ministro da Administração Interna precisamente sobre o reposicionamento provisório em Vila Real do helicóptero pesado Kamov que deveria estar a operar a partir desde o dia 1 de junho em Ferreira do Zêzere, no âmbito do combate aos incêndios. “Preocupa-nos a ausência de um meio aéreo pesado tão importante numa zona tão perigosa como é a nossa”, disse ao mediotejo.net o deputado Duarte Marques, tendo defendido que o Kamov enquanto não pode ficar em Ferreira do Zêzere que fique próximo da região e a operar a partir de Tancos.

No requerimento entregue no parlamento, deputados social-democratas consideram “muito preocupante a ausência deste meio na região Centro na fase III do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR2020), que prevê um reforço dos meios de combate em todo o país, nomeadamente com a entrada em funções dos três Kamov contratados pelo Estado à Heliportugal.

“Tendo em conta o histórico dos últimos anos, a existência de um meio pesado desta natureza na zona centro, em Ferreira do Zêzere, tem sido vital para o combate aos incêndios, como aliás se pode também verificar pelas trágicas consequências que teve a sua ausência durante um largo período de tempo da época de 2019”, afirmam.

O requerimento sublinha ainda a importância da localização do aeródromo de Ferreira do Zêzere junto da albufeira de Castelo de Bode, no distrito de Santarém, “um excelente local de abastecimento de água para este meio, contribuindo para maximizar a sua eficiência”.

Helicóptero Kamov vai estar estacionado no Centro de Meios Aéreos de Ferreira do Zêzere durante o período de incêndios Foto: Cláudia Gameiro/mediotejo.net

Os deputados referem que a razão invocada para a reposição provisória, “no máximo de 15 dias”, terá a ver com “limitações colocadas à operação pela Autoridade Nacional da Aviação Civil”, pelo que sugerem, como forma de ultrapassar o problema de imediato, a reposição temporária deste meio pesado na Base Aérea de Tancos, situada no concelho de Vila Nova da Barquinha, também no distrito de Santarém.

Para os deputados, de acordo com a legislação em vigor, esta base militar “poderia receber de imediato esta aeronave, mantendo-a assim na região e continuando a ter um papel decisivo no combate aos fogos sem desequilibrar o planeamento feito pela ANEPC (Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil), que pode ficar ‘amputado’ se esta deslocação para Vila Real se concretizar”.

Em declarações ao mediotejo.net, o deputado Duarte Marques, eleito pelo distrito de Santarém, clarificou que não está em causa a capacidade de resposta instalada em Vila Real, uma vez que o centro de meios aéreos desta cidade conta já com um meio aéreo pesado, ao contrário do que acontece na região Centro, que fica sem nenhum com o reposicionamento do Kamov que deveria estar disponível a partir desde dia 1 de junho em Ferreira do Zêzere na âmbito da fase III do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR 2020).​​​​​​​

Na fase IV (de 01 de julho a 30 de setembro), a mais crítica, o dispositivo distrital de Santarém contará com 49 Equipas de Combate a Incêndios (ECIN) mais 25 Equipas Logísticas de Apoio ao Combate (ELAC), o que corresponde a 295 operacionais, a par de 21 equipas (105 elementos) das Equipas de Intervenção Permanente (EPI), de meios técnicos e humanos da AFOCELCA – Agrupamento Complementar de Empresas de Proteção Contra Incêndios, Associação de Produtores Florestais, ICNF, militares do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro, agentes da PSP e militares da GNR/SEPNA), além de apoio ao nível de postos de vigia e sistema de videovigilância, entre outros.

Em Santarém, o plano operacional para este ano é uma continuidade da estratégia utilizada no ano anterior, e conforme a diretiva nacional, no distrito estarão ainda posicionados quatro meios aéreos, um helicóptero ligeiro e um pesado em Ferreira do Zêzere, um ligeiro em Pernes (Santarém) e um médio no Sardoal.

No âmbito do comando e controlo, o dispositivo conta com um comandante em permanência no Comando Distrital, um oficial de planeamento, dois comandantes de operações em permanência na Lezíria e no Médio Tejo, três equipas de posto de comando operacional e oito equipas de reconhecimento e avaliação da situação.

Para este ano, Mário Silvestre fez notar a sua “preocupação face à problemática da covid-19” e deu conta da implementação de “medidas de mitigação e não contaminação dos operacionais”.

Questionado sobre que medidas poderão ser aplicadas, Mário Silvestre disse que se vão “tentar implementar regras de conduta diretamente relacionadas com o ambiente operacional”, dando como exemplos a “obrigatoriedade de máscaras na deslocação dentro dos veículos”, um “maior distanciamento [entre operacionais] quando não em ação direta [de combate aos incêndios]” e a tomada de “refeições com um maior distanciamento social”.

Medidas que, notou, “não são regra, mas visam tentar minimizar eventuais contágios”, sendo que outras “fazem parte dos planos de contingência dos próprios corpos de bombeiros” e outras “advirão de diretivas nacionais”.

c/Lusa

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