As águas da Albufeira de Castelo do Bode asseguram qualidade e proporcionam espaços e recantos paradisíacos para um "à descoberta". (Foto: DR)

A AETCB – Associação dos Empresários de Turismo do Castelo do Bode, face ao flagelo dos incêndios que atingiram os concelhos da zona de proteção da Albufeira do Castelo do Bode, nomeadamente em Abrantes, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar e Vila Rei, manifestou a sua solidariedade com as populações, empresários, turistas e visitantes afetados, nos danos pessoais, materiais e ambientais, e apresentou 21 propostas para o território.

Em comunicado, a AETCB, com sede em Martinchel, Abrantes, e presidida por Jorge Rodrigues, manifesta também a sua “preocupação com o futuro deste território, relativamente à proteção do recurso hídrico e da sua diversidade biológica, base da actividade económica que dele depende”.

“A AETCB, bem como os seus associados, profundos conhecedores deste território, disponibiliza-se para colaborar em encontrar soluções, que permitam a revitalização e desenvolvimento económico e social destas áreas, bem como a preservação e conservação do meio ambiente envolvente da Albufeira do Castelo do Bode”, pode ler-se na mesma nota, tendo apresentado um conjunto de 21 medidas que consideram essenciais.

1 – Declarar a zona incluída no POACB – Plano de Ordenamento da Albufeira do Castelo do Bode, atingida pelos incêndios, num regime de exceção.

2 – Avaliar o impacto dos danos ambientais, materiais e prejuízos na atividade económica.

3 – Criar um fundo para crédito de emergência, sem juros, sem burocracias, sem exigência de garantias, com decisão imediata, para recuperação dos danos agora causados e outros que possam vir a ocorrer no futuro.

4 – Apoiar os empresários que foram afetados pelos incêndios e incentivar a instalação de novos empresários, nomeadamente pela majoração dos apoios comunitários, para os projetos já aprovados ou a aprovar. Isentar ainda estes investimentos, de taxas e licenças de construção.

5 – Desenvolver um plano de marketing para o Castelo do Bode, começando de imediato as ações promocionais, nomeadamente vídeos que apresentem a Albufeira do Castelo de Bode como região atrativa.

6 – Isentar de licenciamento as obras necessárias de recuperação dos danos, quer seja através dos municípios quer seja através da APA – Agência Portuguesa do Ambiente

7- Permitir a limpeza dos terrenos, sem burocracias, sensibilizando os proprietários para os seus benefícios.

8- Proibir na zona de influência do POACB, a plantação de eucaliptos e pinheiro bravo, disponibilizando gratuitamente árvores autóctones, como sejam os carvalhos, sobreiros, medronheiros e outras.

9- Permitir, em toda zona do POACB, zonas limpas junto às habitações através da criação de zonas de segurança junto de cada habitação.

10- Permitir a construção em pedra típica da região, de escadas de acesso à água, para segurança da evacuação por meios aquáticos.

11- Permitir aos proprietários dos terrenos confinantes com o plano de água, jangadas e meios de ancorarem dos barcos junto às habitações, em muitos casos, única forma de evacuação de pessoas.

12 – Autorizar construções em cimento, para arrumos de mobiliário e embarcações, em toda a zona de proteção do POACB, até ao máximo de 10% da área do terreno.

13 – Permitir práticas de agricultura familiar em toda zona do POACB, com apoio na formação de cultura biológica ou similares, incentivadoras da preservação do meio ambiente, evitando sempre que possível a utilização de produtos químicos.

14 – Reativar os postos de vigilância e manter brigadas de intervenção rápida em locais estratégicos, como por exemplo na Serra de Tomar.

15 – Melhorar os acessos e planos de evacuação, nomeadamente por água, em articulação com os proprietários das embarcações.

16 – Solicitar autorização para afixação de cartazes nas marinas, praias, locais de acesso e locais esporádicos, informando da certificação de águas protegidas, sensibilizando o utilizador para as boas práticas de uso da área (água e envolvente), requerendo mesmo a denúncia de más práticas indicando um contacto telefónico directo.

17 – Requerer apoio e maior vigilância por parte das entidades oficiais, sobretudo no período de férias, nomeadamente na recolha do lixo e disponibilização de mais caixotes de lixo para os utilizadores da albufeira.

18 – Criar protótipos de jangadas que respeitem, segundo os cânones da POBCB, o meio ambiente por forma a dar alternativas às já existentes e degradadas.

19 – Incentivar as autarquias locais (Municípios e Juntas de freguesia) à implementação e dinamização de novas empresas, definindo regras básicas de responsabilização para com a preservação da albufeira. Impor o cumprimento desta medida, aplicando penalizações efectivas a reverter para um fundo de manutenção da AETCB.

20 – Permitir formas de recolher água da albufeira para combate a incêndios, ou em qualquer emergência, através da utilização de mangueiras e bocas-de-incêndio distribuídas na área envolvente.

21 – Divulgar os desígnios da AETCB, em locais estratégicos, como sejam os cafés das aldeias, sedes de juntas de freguesia, escolas, etc, de modo a permitir que as populações tenham acesso à informação, actuem e pensem a fixação no território, através de uma participação activa e dinamizadora dos negócios locais.

A AETCB conclui, ao defender que “é preferível termos o território ocupado e com atividade turística, do que a poluição e erosão que ocorrerá em sequência dos incêndios ocorridos”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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