Hugo Costa (PS) diz que proposta do BE para a ponte da Chamusca não tinha base legal. Foto: DR

O deputado do PS eleito por Santarém, Hugo Costa, disse ao mediotejo.net que o chumbo dos socialistas à proposta do BE para a inclusão da construção de uma nova travessia do rio Tejo, entre a Chamusca e a Golegã, no Orçamento de Estado para 2020, não tinha enquadramento legal, mantendo os socialistas a defesa de uma nova travessia no Tejo no âmbito do IC3 no horizonte temporal 2021-2030.

“O PS defende a conclusão do IC3 e a mesma foi incluída no Plano Nacional de Investimentos 2021-2030 por iniciativa dos deputados do PS na legislatura passada”, começou por referir Hugo Costa, tendo feito notar que os socialistas defendem que tal seja feito “no quadro do PNI 2021-2030, sendo para isso necessário garantir o financiamento adequado à obra”, o que, alegam, não está assegurado.

“O que o BE propôs foi uma ponte que não segue os critérios orçamentais porque obras avulso já não existem desde que acabou o Programa de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC), e sem explicar onde ia buscar o dinheiro e sem o respetivo enquadramento orçamental, o que não responde aos critérios legais do Orçamento de Estado”, deu conta Hugo Costa, justificando o voto contra à proposta bloquista.

“Os deputados do PS continuam a defender o IC3 e uma nova travessia no Tejo no âmbito do horizonte temporal 2021-2030”, concluiu.

Com os votos contra do PS, Chega e Iniciativa Liberal, a abstenção do PSD e CDS e os votos a favor do Bloco, PCP e PAN, foi chumbada na Assembleia da República a proposta que o Bloco de Esquerda apresentou para que fosse incluída no Orçamento de Estado para 2020 a construção de uma nova travessia do rio Tejo, entre a Chamusca e a Golegã, o que motivou fortes críticas ao PS e ao PSD por parte da deputada do BE eleita por Santarém.

Para Fabíola Cardoso, ao recusar a proposta, “PS e PSD mostram a sua falta de coragem política: votam a favor de uma recomendação, mas votam contra quando se trata de a colocar em aplicação transformando-a em Lei”.

Considerando ter-se tratado de “uma oportunidade para o distrito que foi perdida”, o BE afirma que “não abandona as populações do distrito aos joguinhos do bloco central”. Nesse sentido anuncia novas iniciativas a revelar numa conferência de imprensa marcada para sexta feira, dia 7, às 11 horas, junto à ponte da Chamusca.

Segundo os bloquistas, esta obra é considerada “estruturante para o distrito”, e lembram que “foi objeto de uma resolução aprovada por unanimidade na última legislatura”, e por isso “deve ser incluída como prioritária já para este Orçamento de Estado”.

Na nota justificativa da proposta, o BE referia que as duas faixas de rodagem da ponte, ao longo dos 756 metros da estrutura de ferro, “foram um enorme avanço em 1909, quando a ponte foi inaugurada e abandonadas as anacrónicas barcas que asseguravam a travessia do rio Tejo”.

Mas 110 anos depois, “esta ponte constitui um enorme estrangulamento que impede a fluidez do tráfego e asfixia a atividade económica da região. Tem, além disto, evidentes implicações na segurança das populações, pois já ficaram imobilizadas ambulâncias, no meio de trânsito”, argumentava o BE.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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