É uma acusação grave mas que se torna gravíssima quando é feita pela própria entidade que, sob tutela do governo, gere a infraestrutura ferroviária.
Um grito de alerta, uma denúncia pública ou uma pura confissão de incapacidade, a entidade pública a quem compete garantir a qualidade e segurança dos milhares de comboios que atravessam Portugal vem, em jeito de desespero confirmar o que todos já sabíamos: O Governo da Geringonça tem impedido a contratação de pessoal especializado para garantir a segurança da circulação ferroviária.
O número crescente de acidentes ferroviários já tinha levantado essa suspeita, mas esta confirmação por parte da IP coloca a nu a responsabilidade do ex Ministro Pedro Marques, de António Costa e de Mário Centeno.
É importante esclarecer que certo tipo de investimentos na manutenção de infraestruturas podem até ser adiados dois ou três anos conforme o planeamento e a capacidade financeira do país, mas adiar mais tempo coloca em causa a segurança e passa um ponto de “não retorno” na solidez de algumas estruturas.
A manutenção e investimento público dos últimos três anos é ainda mais baixo do que no período da troika e isso é inexplicável e injustificável. É uma irresponsabilidade que o Partido Socialista, o PCP e o Bloco de Esquerda têm que assumir em conjunto. Ter medidas simpáticas e populares tem este reverso da medalha, resulta na falta de investimento nos comboios, na degradação dos hospitais e dos serviços públicos.
Como conta o jornal Público na sua edição de ontem, “a falta de recursos da IP impede-a de executar todos os trabalhos de manutenção recomendáveis para assegurar a total fiabilidade das linhas férreas” e responsabiliza o Governo ao dizer que isso acontece “por falta de autorização em contratar ou reforçar meios”.
Esta admissão da IP surge anexa a um relatório de investigação sobre um descarrilamento na Linha do Douro, ocorrido em janeiro de 2017, de acordo com o Público de ontem. Segundo a empresa, qualquer trabalho extraordinário a que seja obrigada, traduz-se em falhas em outras atividades de monitorização da segurança da ferrovia.
