Gavião reforça apoios às montarias e alerta para prejuízos crescentes causados por javalis. Foto: DR

A Câmara de Gavião aumentou para 1.200 euros o apoio máximo anual às montarias por associação de caçadores, procurando travar a proliferação de javalis, que já provocam estragos em explorações agrícolas, jardins públicos e acidentes rodoviários. O município reclama a inclusão no projeto-piloto nacional.

O presidente da Câmara Municipal de Gavião, António Severino, afirmou ao mediotejo.net que o concelho enfrenta uma presença crescente de javalis, com consequências para a agricultura, os espaços públicos e a segurança rodoviária, defendendo uma resposta articulada entre o município, as associações de caçadores, os agricultores e as entidades nacionais.

A autarquia decidiu aumentar de 250 para 300 euros o apoio por montaria e duplicar o número de ações comparticipadas, de duas para quatro por associação. Desta forma, cada uma das nove associações de caçadores do concelho poderá receber até 1.200 euros anuais, contra os anteriores 500 euros.

A decisão foi anunciada numa reunião do Conselho Cinegético Municipal, recentemente reativado, e surge depois de Gavião ter ficado excluído do projeto-piloto lançado pelo Governo para controlar a densidade populacional de javalis.

“Nós, quando soubemos da intenção do Governo nesta matéria, o que fizemos foi, junto das entidades responsáveis, neste caso o ICNF, mostrar interesse em integrar as medidas que foram recentemente divulgadas”, explicou António Severino.

O autarca lamentou que o município não tenha sido contemplado, apesar das diligências realizadas, e admitiu que a insuficiência de registos oficiais sobre os prejuízos e os animais abatidos possa ter contribuído para essa exclusão.

Segundo o presidente da Câmara, as associações de caçadores reconheceram que nem sempre são comunicados os danos provocados pelos animais ou registados os abates nas plataformas existentes, o que dificulta a avaliação da dimensão do problema.

O município pretende, por isso, incentivar as associações a melhorar a comunicação destes dados, de forma a sustentar futuras reivindicações junto do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

“Vamos continuar a pressionar”, assegurou António Severino, manifestando a expectativa de que o projeto-piloto venha a ser alargado a outros municípios.

Javalis entram na vila e destroem jardins públicos

A dimensão do problema, segundo o autarca, ultrapassa as explorações agrícolas e já se faz sentir dentro da própria vila de Gavião, onde os javalis entram em espaços ajardinados à procura de alimento.

“Há uma população muito significativa por todo o território. Mesmo aqui dentro da vila, nos jardins públicos, eles entram nos jardins e destroem tudo”, afirmou, acrescentando que dois jardins públicos foram fortemente danificados.

António Severino alertou igualmente para os prejuízos causados em vinhas, olivais e pequenas propriedades agrícolas, relatando o caso de um agricultor que perdeu toda a produção de uma vinha após a passagem dos animais.

“Andou lá todo o ano e, quando chegou ao fim, em duas noites devastaram aquilo tudo. Não colheu de lá nenhum bago de uva”, contou, considerando que situações desta natureza contribuem para a desmotivação dos proprietários e para o abandono das terras.

A segurança rodoviária constitui outra preocupação. De acordo com o presidente da autarquia, têm ocorrido regularmente acidentes envolvendo javalis em estradas municipais e nacionais, com danos materiais significativos nas viaturas, embora sem consequências pessoais graves nos casos de que tem conhecimento.

Primeira montaria com novos apoios realiza-se no sábado

O reforço municipal começa a produzir efeitos já no sábado, 24 de outubro, com uma montaria organizada pela Associação de Caçadores de Gavião, nas imediações da vila.

Além da comparticipação financeira, o município disponibiliza apoio logístico, nomeadamente viaturas, tratores e outros equipamentos necessários à realização das montarias e à gestão das reservas de caça.

António Severino justificou o aumento dos apoios com os custos crescentes destas atividades, desde as licenças à contratação de meios e à alimentação, num contexto em que as associações enfrentam dificuldades para manter a participação dos seus associados.

O presidente da Câmara manifestou ainda preocupação com a presença crescente de veados no território, considerando que a gestão das populações de animais selvagens exige uma intervenção continuada.

Governo disponibiliza 500 mil euros para projeto-piloto

O projeto-piloto do Governo, desenvolvido através do ICNF, dispõe de uma dotação global de 500 mil euros e abrange mais de 1.300 zonas de caça, distribuídas por 65 concelhos de 15 distritos de Portugal continental.

A medida prevê incentivos financeiros às entidades gestoras das zonas de caça que obtenham resultados de controlo superiores à respetiva média histórica, com um limite de 2.000 euros por zona de caça, decorrendo até maio de 2027.

Apesar de não integrar esta primeira fase, Gavião pretende continuar a defender a sua inclusão, considerando que os incentivos nacionais poderão complementar os apoios municipais e reforçar a capacidade de intervenção das associações.

Para António Severino, a resposta depende de um esforço conjunto, alertando que, sem medidas eficazes, os prejuízos agrícolas e o abandono das terras poderão agravar-se.

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