Presidente da Câmara Municipal de Gavião, José Pio. Foto: mediotejo.net

O processo de transformação está em curso para que o corpo de Bombeiros de Gavião passe de Municipal a Voluntário. Para tal, a escritura de constituição da Associação Humanitária dos Bombeiros de Gavião realizou-se no dia 12 de abril. E após essa data foi eleita a primeira direção assumida por José Pio. Na verdade nenhum dos 60 bombeiros pertence aos quadros de pessoal da Câmara Municipal de Gavião, apesar da estrutura ser municipal. Com esta transformação ganham os bombeiros que, segundo o presidente da Câmara, poderão, no futuro, formalizar candidaturas com o objetivo de reduzir custos.

Após 70 anos, os Bombeiros Municipais de Gavião vão passar a Voluntários. O processo de transformação está em curso e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Gavião já foi constituída, sendo o presidente da direção José Pio, presidente da Câmara Municipal de Gavião (CMG), precisamente para assinalar que a autarquia continuará a assumir as suas responsabilidades municipais. Atualmente, o processo aguarda autorização da Autoridade Nacional de Proteção Civil. “Esperamos que aconteça rapidamente”, disse José Pio ao mediotejo.net.

Os Bombeiros municipais “têm sido altamente prejudicados nos apoios da Administração Central” sendo do orçamento municipal que saem as verbas para colmatar as despesas necessárias, explicou. José Pio em conversas regulares com o comando dos bombeiros tentou que “aceitassem a passagem a Voluntários” por entender ser “a melhor” forma de rentabilizar os recursos do Município.

Os incêndios no verão de 2017 “foram a gota de água que fez transbordar o nosso copo de paciência” desabafou. Desde que assumiu funções na CMG, o Executivo de José Pio garante “ter lutado pela constituição de uma EIP (Equipa de Intervenção Permanente)” no corpo de bombeiros. O seu estatuto “não o permitia, porque sendo Municipais entendiam que tínhamos disponibilidade permanente para ter gente na EIP. Não é verdade!” assegura.

Os bombeiros de Gavião “sempre foram um corpo misto” constituído na sua maioria por voluntários “onde a CMG colocava algumas pessoas” mas em número insuficiente “para aguentar a pressão dos meses de verão”, referiu. Gavião “nunca teve no seu quadro de pessoal bombeiros profissionais”, sublinhou o presidente

No caso do corpo de Bombeiros Municipais de Gavião colocava-se então a questão de transformação tendo em conta que os apoios do Estado são menores para um corpo municipal, “no caso da estrutura de Gavião a transferência rondava os 50 mil euros ano”, do que para um corpo voluntário, sendo os custos para o Município muito superiores. A CMG irá subsidiar a Associação Humanitária com 150 mil euros por ano, sendo que gastava anualmente cerca de meio milhão de euros com o corpo de Bombeiros Municipais.

Com esta transformação “ganha especialmente o corpo de bombeiros” uma vez que “vão poder candidatar-se a um conjunto de programas nacionais, nomeadamente para aquisição de viaturas de socorro e de intervenção, que não podíamos enquanto Câmara”. José Pio garante que a CMG “continuará a apoiar naquilo que é a sua obrigação, e já vinha fazendo aos longo dos anos, com alguma redução”.

O Município assumiu o compromisso de dar resposta em caso de problema “em termos estruturais ou financeiros”. Aliás, apesar de não ser um projeto experimental por três anos, “a ideia é ser definitivo”, esclareceu José Pio, mas “se não resultar poderemos sempre reconsiderar e voltar atrás”. Por isso, o corpo de Bombeiros Municipais “não é extinto” mas “suspenso”.

Ou seja, na prática nada se altera, a estrutura orgânica dos bombeiros mantém-se, tal como o corpo de comando. As instalações continuam propriedade do Município cedidas através de protocolo à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Gavião.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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