21 de fevereiro de 2016, 15 horas, Riachos
Campeonato Distrital da 1ª Divisão de Seniores da Associação de Futebol de Santarém
Clube Atlético Riachense 1 – União Desportiva Abrantina 2
Crónica do jogo por Jorge Beirão

Jogo com grande concentração competitiva antes e durante o desenrolar da partida. E mentalização desportiva/jornalística após a competição.
Antes:
Grande observação pelo trabalho preparatório dos dois conjuntos, quer de uma e outra equipa (pelas equipas técnicas). Havendo até troca de fichas entre delegados dos clubes na constituição dos conjuntos iniciais e disponibilidade de fotocópias para facilitar os órgãos de comunicação social mas, também com o objectivo, na nossa ótica, de poder compreender estratégias, tanto de uma como de outra equipa. Os chamados e concretizados “mind games”.
Durante:
Pressão sobre os atletas e obviamente por quem ajuíza o jogo (nada de novo, é assim em todos os campos, claro, porque é da “praxe”).
Concentração desportivo/jornalística, após a competição no sentido de preparar as hostes para o que se segue. Sempre com um toque na auto-estima para espevitar orgulhos e vontades oprimidas pela falta de confiança (basta ouvir as opiniões dos “misters” no final do jogo).
Na nossa perspetiva e pela introdução que entendemos fazer, facilmente se compreenderá que era um jogo bastante importante para os dois conjuntos por motivos diferentes. A equipa da casa para conseguir assegurar e cimentar a sua posição nos lugares de honra da classificação, e a equipa visitante para conseguir manter a chama da luta pela manutenção. Pensamos que foi mais realista a equipa abrantina, por interiorizar as dificuldades inerentes à melhor prestação da equipa Riachense neste campeonato e, principalmente pelas dificuldades que os seus opositores sentem no seu campo. Por isso mesmo, interiorizaram que seria uma tarde de “luta” e sacrifício. Por sua vez a equipa da casa, deu-nos a sensação de entender que, com maior ou menor dificuldade ultrapassaria este jogo com mais uma vitória, ainda para maior reforço, defrontando o “lanterna vermelha” do campeonato. Tudo se conjugou para essa (in)certeza antes de terminar a primeira parte com a obtenção do golo da equipa da casa. Pese embora ser de muito belo efeito por Bernardo, aos trinta e oito minutos, beneficiando de um livre de canto, na nossa ótica mal assinalado, até aí não tinham demonstrado “trabalho” suficiente para merecer a vantagem.

O segundo período vem reforçar aquilo que pensámos. Melhor início da Abrantina, pressionando o meio campo da equipa Riachense e obrigando os seus, mais dotados, jogadores a cometer erros. Costuma-se dizer que não há campeões sem sorte e nós diremos que não há vencedores sem sorte. Curiosamente é o que acontece na obtenção do primeiro golo (o do empate) da equipa da União Abrantina, pelo esforçado Hélio Ocante, quando ao disputar um lance com o defesa Bernas, vê o guarda-redes Mação, que havia saído extemporaneamente da baliza, chocar com o seu central, dando origem a que o esférico fique ao alcance de Hélio que mesmo desenquadrado com a baliza, atira para o melhor sítio, fazendo o golo do empate.

Foi o acordar da equipa do Atlético Riachense. Passou a pressionar o extremo reduto da UDA, só que o capitão Toni, muito bem secundado por João Rui não estavam pelos ajustes e depois, João Martins estava, qual pilar defensivo, com capacidade para chegar a tudo no seu meio campo, não esquecendo Miguel Seninho e Diogo Rosado, cujas capacidades técnicas, concentração e reservas físicas não se esgotavam. Aos vinte e seis minutos da segunda parte (setenta e um de jogo), surge o balde de água fria que enregelou as bancadas, registe-se bem compostas.
Mais uma vez Hélio Ocante, mesmo sujeito a passível entrada menos correta, como tantas que sofreu sem ter havido qualquer sanção, acreditou e insiste numa incursão na área. Aguenta a carga do opositor que lhe saiu ao caminho e remata para o fundo da baliza, mesmo com a tentativa desesperada de Mação, que previu o golo. Estava consumada a reviravolta no marcador premiando o esforço, sacrifício, humildade e sentido de oportunidade do dianteiro Ocante.

A partir daqui foi a toada de jogar mais com o coração do que com a cabeça da equipa da casa, principalmente por estar sujeita ao que nunca pensou, encontrar-se a perder. E o canto do cisne foi o magnífico cabeceamento de Nalha que vê a barra negar-lhe o empate aos trinta e sete minutos (oitenta e dois minutos de jogo).

Depois até final foi o sacrifício e sofrimento da equipa visitante a evitar tudo o que os homens de Riachos fizeram para não perder e outros lances que estes beneficiaram por sinalética sancionada de quem era suposto resistir melhor a pressões. Pensamos que por tudo o que fica dito foi um bom prémio para quem mostrou mais humildade competitiva. Na equipa do Clube Atletico Riachense, gostamos das prestações de Gonçalo, Bernas, Bernardo, Freitas e Nalha.

Quanto á equipa de arbitragem chefiada por Roberto Vasconcelos que teve como assistentes Mário Vieira e Miguel Marques, em termos disciplinares não teve critério uniforme, tendo algumas falhas também no aspeto técnico. Globalmente, demonstraram alguma insegurança que foi menos visível no árbitro assistente Miguel Marques.
Ficha do jogo
Campo Coronel Mário Cunha
Árbitros: Roberto Vascocelos, Mário Vieira e Miguel Marques

CA Riachense
Mação, Paulito, Gonçalo, Filipe Pereira, Bernas, Freitas, Bernardo Marques, Moleiro, Júlio Batista (João Guerreiro), Marco Carvalho (Silva) e Nalha
Suplentes: Galrinho, Rito, Singéis, Léo, João Guerreiro e Silva
Treinador: Mário Nelson

UD Abrantina
Chico, Abilio, Manuel Vitor, Toni, João Rui, João Martins, Diogo Rosado, Barrocas (Topa), Bexiga (Picão), Miguel Seninho e Hélio Ocante (Bruno Moita)
Suplentes: André Pereira, Bruno Morais, Topa, Bruno Moita, Zé Heitor, Cartaxo e Picão
Treinador: Paulo Fernando

Marcadores: Bernardo Marques (38′) ; Hélio Ocante (59′ e 71′)

A opinião dos treinadores:
Mário Nelson (Riachense)

Paulo Fernando (União Abrantina)

