3 de abril de 2016, 15 horas, Abrantes
Campeonato Distrital da 1ª Divisão de Seniores da Associação de Futebol de Santarém
União Desportiva Abrantina 2 – Grupo de Futebol dos Empregados no Comércio 2
Crónica do jogo por Jorge Beirão

Estádio Municipal de Abrantes, céu nublado e vento com alguma intensidade, relvado natural em muito boas condições para a prática do futebol.
Início da partida muito interessante, em que se defrontaram duas equipas bastante preocupadas com a sua posição na tabela classificativa, perante o aproximar do final do campeonato e a perspetiva de uma eventual despromoção, mais a equipa da casa, por ser lanterna vermelha e a equipa visitante por eventualmente poder vir a receber esse testemunho, ou ficar também nos lugares dessa fatalidade.
Começou muito melhor a UDA que aos doze minutos já se adiantava no marcador por intermédio de Bexiga, com uma execução técnica bastante interessante em que ao dominar com o peito remata de pé direito sem deixar cair o esférico, frente a Picão guarda-redes da equipa escalabitana.

Ora com a pressão inicial e a pressão constante, nos minutos iniciais, sobre o extremo reduto defensivo da equipa visitante coroada com a obtenção de um golo, tudo se conjugava para que a Abrantina controlasse o jogo e conseguisse o desiderato que todos os seus apaniguados desejavam. Mas, há quase sempre um mas, não foi assim, a partir dos vinte minutos de jogo e depois de se ouvir por várias vezes a voz de Jorge Peralta gritando com os seus jogadores, os Empregados no Comércio equilibram as operações e começam a dominar o meio campo com a recuperação constante das segundas bolas.
É sem surpresa que conseguem o golo do empate por intermédio do “irrequieto” Valter que no meio dos defensores abrantinos antecipa-se à sua ação e remata de pronto sem hipótese para André Pereira.

Este golo fez “mossa” na autoestima dos atletas da equipa da casa que deixaram de estar tão disponíveis para a execução técnica no tratamento do esférico, isto é, a partir deste momento alguns dos seus elementos quando iniciavam alguma acção de carácter técnico parecia que a bola “tinha picos”. Os sete minutos restantes desta primeira parte, passaram com algum alívio para a equipa da casa, com o intervalo a ser bastante importante para o retemperar das forças físicas e anímicas e reorganizarem as operações.
Ao intervalo empate a uma bola.
A segunda parte começou um pouco mais tarde com a equipa da casa e a de arbitragem a ter que esperar pela que viajou da capital de distrito, que não aparecia no túnel de acesso ao relvado.
Teria sido isso que contribuiu para retirar o stress positivo que a equipa de Abrantes trouxe do balneário? Eram decorridos cinco minutos do segundo tempo e a equipa dos Empregados no Comércio faziam a reviravolta no resultado, com Valter mais uma vez a marcar, numa jogada em que tudo parecia que estava controlado pela defensiva abrantina, mas esqueceram-se de Valter e a bola só parou no fundo da baliza do desamparado André Pereira.

A partir deste momento tudo se complicou, deixou de haver o pouco entrosamento que a abrantina ia conseguindo implementar e assistiu-se a uma maior maturidade, leia-se experiência por parte da equipa forasteira. Passou a assistir-se a um futebol, um tanto ou quanto, desligado entre setores por parte da UDA, em que Miguel, Picão e Bexiga, estavam, um pontos acima dos seus companheiros, aparecendo a espaços Barrocas e de certa forma, desgarrado da equipa, diria desligado, o Hélio Ocante, jogador como vem sendo hábito, bastante importante na estratégia da sua equipa. Estaria em dia não? Talvez!
Claro que Paulo Fernando não gostava do que via e tentou ajudar com duas alterações na equipa, tirou um defesa e fez entrar Topa que logo numa das suas intervenções remata do “meio da rua” e acertou na barra com Picão perfeitamente batido, que só se fez ao lance para não dizerem que não tinha tentado nada.

Depois tira novo defesa entrando o atacante Bruno Moita que tentou remar contra a maré. Também Jorge Peralta, estava atento no banco e como a vantagem era algo que tinha sido difícil de alcançar, retirou o atacante Vasco e colocou Beni, mais fresco e rápido para surpreender a defesa contrária após as alterações operadas pelo seu treinador.
Convém realçar que a juventude da equipa visitada era o seu maior problema, caindo sistematicamente no engodo das faltas desnecessárias e outras bem simuladas pelo adversário muito mais experiente, com interrupções provocadas por eventuais lesões e com entradas do massagista. Adiantamos que o senhor Carlos Covão, árbitro da partida condescendeu muito com estas situações, sim porque, bastaria advertir verbalmente os jogadores para dar outra imagem. Como nunca o fez, somos obrigados a dizer que foi condescendente.
Jorge Peralta estava atento a isto mesmo e antes que as coisas se complicassem, resolve da melhor maneira. Retira Ricardo Alves esgotado, entrando para o seu lugar o experiente, Mário Ruas, para os doze minutos restantes, que veio dar maior consistência ao primeiro bloco dos Empregados no Comércio. Só que os minutos finais foram de contenção da equipa visitante originando as tais continuadas interrupções. E entramos nos minutos de compensação tendo Carlos Covão, dado a indicação que seriam seis, que nos pareceu correto, minorando as tais paragens “forçadas” pelos escalabitanos.
Foi então que se assistiu a um acordar da letargia que se apoderara da equipa abrantina, qual canto do cisne, arrancando para uma pressão constante sobre o extremo reduto defensivo da equipa que viajou da capital de distrito. De uma destas incursões ofensivas, Dani faz falta sobre Miguel Seninho mesmo sobre a linha limite da entrada da grande área, em zona frontal da sua baliza.
Surge então o melhor desta tarde desportiva, a irrepreensível execução técnica de Diogo Rosado na marcação deste livre direto, que deixou pregado Picão, restabelecendo a igualdade a dois golos na partida.

Ainda faltando cerca de cinco minutos para o fim da partida foi a tentativa de “assalto” à baliza de Picão, qual castelo sitiado, mas os homens de Santarém estiveram à altura dos acontecimentos.
Resultado certo num jogo fraco em que os nervos e a importância da obtenção de determinado resultado, entenda-se a vitória no jogo, parece que “pesou” bastante na cabeça da jovem equipa abrantina, contrariamente à sua congénere escalabitana, que foi sempre mais calculista e com alguma maturidade durante o jogo.
Quanto a Carlos Covão árbitro da partida e seus assistentes, José Morgado e Pedro Sousa, para além do que foi já referenciado, diremos também que realizou um trabalho bastante aceitável no aspeto técnico e em termos disciplinares foi mais exigente com a equipa da casa, mas não teve influência no resultado num jogo que não se antevia fácil, o que se verificou.
Ficha do jogo
Estádio Municipal de Abrantes
Árbitros: Carlos Covão, José Morgado e Pedro Sousa

UD Abrantina
André Pereira, Abílio (Topa), Toni, Manuel Vitor (Bruno Moita), João Rui, Diogo Barrocas, Diogo Rosado, Miguel Seninho, Bexiga, Picão e Hélio Ocante
Suplentes: Chico, Romero, Bruno Morais, Topa, Zé Heitor, Bruno Moita e Monteiro
Treinador: Paulo Fernando

GF Empregados no Comércio
Picão, Rui, Dani, Zé Santos, Serginho, Godinho, Zé Miguel, Ricardo Alves (Mário Ruas), Diogo, Valter e Vasco (Beni)
Suplentes: Formiga, Rodrigo, Pató, Mário Ruas e Beni
Treinador: Jorge Peralta

Marcadores: Bexiga (12′) e Diogo Rosado (90+1′) ; Valter (50′ e 83′)
Cartões amarelos: Diogo Barrocas (61′), Miguel Seninho (76′) e Diogo Rosado (86′) ; Godinho (59′)
A opinião dos treinadores:
Paulo Fernando (Abrantina)
Jorge Peralta (Empregados no Comércio)
