Rui Gaivoto, treinador do Mação, vai coordenar também a escola de futebol da E. Foto: DR

Rui Gaivoto voou diretamente da China para ser o novo treinador da equipa sénior da Associação Desportiva de Mação (ADM), clube que milita na série C do Campeonato de Portugal. O técnico, de 33 anos, rende no cargo José Torcato e assume o clube com três pontos amealhados, após seis jornadas disputadas. A missão que lhe foi confiada é simples: assegurar a manutenção nos nacionais da categoria. Em entrevista, Rui Gaivoto diz que tem jogadores com qualidade para vencer o desafio que assumiu.

Um “espírito guerreiro”, “boa organização de jogo”, e o “apoio dos adeptos” são fatores que o treinador [que estava na China desde setembro de 2017 numa Academia do Sporting] destaca para alcançar o sucesso.

Rui Pedro Gaivoto assumiu esta semana o comando técnico do Mação. Foto: DR

Perfil:

Rui Pedro Gaivoto, treinador da Associação Desportiva de Mação (ADM)

– 33 anos, natural de Louriceira, solteiro

– Percurso Desportivo, enquanto jogador CRD Louriceirense sub 11, EFCA Sub Infantis a Juvenis, AC Alcanenense e Ac. Santarém ( 1ª Divisão Nacional) em Juniores. Seniores: GDR Monsanto 2004/2005; UR Mirense 2005/2006, e CD Amiense 2006/2014.

Treinador EFCA 2009 a 2011 sub 8, EFCA 2009-2013 sub 13; CD Amiense 2013/2014 sub 13; 2014/2015 Iniciados e adjunto Séniores; 2015/2016 Principal Juvenis e Séniores; 2016/2017 Principal Sub 10 e Séniores; setembro 2017 a setembro 2018 Academia Futebol na China; setembro de 2018 chegada ao Mação. Formação técnica – Curso Treinador Futebol UEFA B – Nivel ll.

Rui Gaivoto defende organização e muito trabalho para alcançar a manutenção no CP. Foto: DR

mediotejo.net – Quais os objetivos que a direção do clube lhe pediu para esta época?

Rui Gaivoto – A minha contratação vem no seguimento de uma série de maus resultados, e isso mostra que os objetivos da AD Mação desde o inicio da época passam por conseguir a manutenção.

Quais os trunfos que tem em mãos e que destaca para o objetivo da manutenção?

Os principais trunfos que tenho em mãos é qualidade dos meus jogadores e também aquilo que enquanto treinador lhes posso proporcionar em termos de trabalho para que possam melhorar a cada dia individualmente e coletivamente.

Já se apresentou à equipa e já conheceu os jogadores…como encontrou a equipa, em termos anímicos, e que mensagem é importante incutir no grupo de trabalho?

O normal numa equipa de futebol que atravessa um momento como este, quando os resultados tardam em aparecer é perfeitamente natural que animicamente haja algumas falhas nos jogadores e até por vezes o acreditar e o interrogar sobre as suas próprias capacidades. A mensagem a incutir obviamente que é de foro interno, para o grupo de trabalho, mas de uma forma geral, na base do muito trabalho que há a fazer e da necessidade de mudarmos algumas coisas para melhorar e tentarmos sair da situação.

É preciso reforçar algumas posições com alguns jogadores, redefinir sistemas táticos?

Cheguei apenas há 1 dia, com um treino realizado, o mais importante agora é perceber aquilo que estes jogadores me podem dar e fazer uma avaliação mais pormenorizada, e claro está, gradualmente a assimilação e consolidação dos processos daquilo que pretendo para a equipa e fundamental.

Como define o futebol que pretende que a equipa mostre ao domingo? É possível aliar o espetáculo e o futebol de ataque à necessidade de amealhar pontos?

Acima de tudo uma equipa organizada, que conheça e que saiba o que fazer em cada momento do jogo, com e sem bola de forma a que esteja mais perto de vencer. Tudo é possível, o que para si possa ser o espetáculo e futebol de ataque não significa que seja para mim ou outras pessoas. Na minha opinião o jogo e o futebol vai muito além disso por diversos fatores.

Como analisa esta série C do Campeonato de Portugal?

Olhando para aquilo que é o atual momento em termos classificativos e o que era expetável no início da época penso que estará mais ou menos de acordo com o que as pessoas esperavam, com uma parte da tabela com equipas profissionais com objetivos claramente de andar nos lugares cimeiros e depois uma luta muito intensa de outras tantas equipas pelos objetivos de conseguir manter de divisão.

Rui Gaivoto é o novo treinador da Associação Desportiva de Mação. Foto: DR

Como recebeu este convite e o que significa para o Rui Gaivoto treinar o Mação?

Recebi este convite com muito orgulho, porque já tinha sido abordado noutras ocasiões mas as coisas acabaram por não se proporcionar e agora mais uma vez senti-me muito desejado e que havia grande vontade das pessoas que estão à frente da AD Mação, e isso tornou fácil a minha decisão de vir de tão longe para abraçar este projeto, ainda mais com o fator extra de ser uma competição onde qualquer treinador que esteja em patamares inferiores ambiciona chegar um dia, e tudo isso significa muito ainda mais pela coragem, de não haver qualquer receio em apostar num treinador jovem para dar seguimento aos seus objetivos, e isso só servirá para me motivar mais e orgulhar da oportunidade de treinar o clube que nos últimos anos tem escrito as suas melhores páginas no futebol.

O próximo jogo é em Oleiros, dia 7 de outubro. Qual a importância desse desafio para esta nova fase do Mação?

Independentemente do adversário, após esta transição a importância será sempre enorme por tudo aquilo que envolve uma mudança de treinador e pela oportunidade que temos já pela frente de mudar uma situação e trilhar um caminho mais condizente com a qualidade dos jogadores e com as ambições do clube, e tentarmos dar sequência domingo após domingo. Não só o próximo jogo, mas sim todos os jogos são de uma importância extrema porque a luta pelos pontos vai ser muito grande, e como se costuma dizer os pontos vão estar caros e nós vamos trabalhar para conseguir obter o maior número que nos for possível.

Que mensagem deixa aos adeptos e sócios do clube.

A mensagem nesta altura é que nos venham apoiar, que acreditem em nós e que tudo vamos fazer para dignificar da melhor forma o nome da AD Mação e da vila de Mação. O que podemos prometer é que iremos ser uns guerreiros dentro do campo com muita vontade de dar a volta, e que durante a semana e ao domingo iremos trabalhar nos limites e deixar tudo dentro de campo para que as pessoas sintam orgulho do clube que apoiam.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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