A equipa de infantis da Escola de Futebol do Concelho de Alcanena (EFCA) perdia por 1-2 quando Santiago Oliveira apareceu isolado frente ao guarda-redes e só tinha de ‘encostar’ para fazer o 2-2 e empatar o jogo. Ao invés, ao aperceber-se que um jogador adversário estava no chão, lesionado, optou por chutar a bola para fora para que este recebesse de imediato assistência médica. O gesto de fairplay do jovem de 13 anos valeu-lhe a amostragem imediata do cartão branco por parte do árbitro da partida e elogios generalizados e a EFCA acabaria por perder o jogo por 1-3. Mas há atitudes que valem mais que vitórias!
“Este gesto é o reflexo do trabalho que desenvolvemos na Escola de Futebol (EFCA) e, neste caso em concreto de uma equipa do treinador Pedro Lista, porque a nossa vocação não é só a parte desportiva mas formar melhores homens e melhores cidadãos. Somos uma escola e temos uma vertente muito social muito vincada e uma grande exigência relativamente à educação e aos estudos dos jovens atletas”, disse ao mediotejo.net o coordenador da EFCA, Rui Pedro Gaivoto. Este foi o primeiro cartão branco que a EICA recebeu na sua história.
“Este cartão branco serve de exemplo de uma atitude e de uma postura desportiva que queremos que se estenda a adeptos e encarregados de educação porque o mais importante não é ganhar a todo o custo mas, e acima de tudo, o fairplay e o respeito pelo adversário”, vincou Rui Gaivoto, coordenador de uma instituição que assinala em maio 25 anos em atividade.
Tudo aconteceu no parque desportivo de Bugalhos (Alcanena), no jogo de sábado entre a EFCA B vs Legenda Genuína A a contar para o Nível l do campeonato distrital de Infantis. Com o resultado em 1-2, o jogador Santiago Pereira Oliveira isolou-se e quando estava a ficar frente a frente com o guarda-redes, ao aperceber-se que um jogador adversário estava no chão lesionado, abdicou da hipótese de fazer um possível golo, chutando a bola para fora para que o menino recebesse assistência médica.
“Estávamos a perder 2-1 e o Santiago apareceu isolado e podia fazer o golo do empate. Mas ao ver que um jogador adversário estava no chão, lesionado, em vez de rematar parou e olhou para o treinador Pedro Lista, como que a dizer: “mister, vou atirar a bola fora”. E assim fez, numa atitude que “reflete os valores da nossa escola de futebol, onde o respeito e o fair play são o nosso ADN”, frisou Gaivoto.
Em consequência, o árbitro da partida dirigiu-se ao Santiago Oliveira e exibiu-lhe o cartão branco. O resultado final acabaria por ser de 1-3 para a equipa visitante mas o aplauso geral foi para o respeito e o fairplay, tão bem vincados pelo exemplo dado por um jovem com 13 anos.

O Cartão Branco é um recurso pedagógico que visa enaltecer condutas eticamente corretas, praticadas por atletas, treinadores, dirigentes, público e outros agentes desportivos.
O Cartão Branco resulta de uma parceria entre o PNED-Plano Nacional de Ética no Desporto (Instituto Português do Desporto e Juventude, IP), a CAJAP-Confederação das Associações de Juízes e Árbitros de Portugal, entre outras entidades.
