9 de abril de 2016, 16 horas, Alcanena
Campeonato Nacional de Juniores da 2ª Divisão – Fase de Manutenção Série D
Atlético Clube Alcanenense 5 – Eléctrico Futebol Clube 2
Jogo em que acabou por imperar a lei do mais forte mas nem sempre se conseguiu perceber quem era o mais forte, em especial na primeira metade do primeiro tempo.
A primeira parte foi bastante movimentada e interessante de seguir com a bola a rondar as duas áreas. O Alcanenenses com um futebol mais rendilhado, com mais bola e troca de pé para pé, enquanto do lado do Eléctrico a toada de dar a iniciativa ao adversário e partir para o contra-ataque (bem ensaiado), com bola a entrar rápido nos seus rápidos avançados.
Aos seis minutos fica o primeiro aviso dos alentejanos. Luís Rodrigues, aproveitando algum desacerto dos centrais da casa, ganha-lhes a bola e em boa posição atira ao lado da baliza. Respondem os auri-negros no minuto seguinte, com Afonso em zona central e dentro da área visitada a não conseguir acertar com a baliza.


Na jogada seguinte surge o primeiro golo do jogo. Patrick foge pela direita, cruza para a zona central, onde a bola chega a Lista que entra na área verde-branca, desvia do guarda-redes e atira a contar, abrindo o ativo.

Com a equipa do Alcanenense a marcar cedo, pensou-se que o mais difícil estava feito e que a tarde iria ser tranquila para os homens da “Capital da Pele”. Puro engano. Talvez por estarem a defrontar o último classificado que só tem um ponto, os atletas da casa foram muito desplicentes, em especial nas tarefas defensivas, permitindo aos alentejanos criar muitos lances de perigo. A defensiva da casa viu-se e desejou-se para parar (muitas vezes não conseguiu) os contra-ataques delineados por Renzo, Luís Rodrigues e em especial por Jair. Fica o elogio para a atitude dos jogadores do Eléctrico que nunca viraram a cara à luta.
Voltando ao jogo, ao minuto 10, novamente Luís Rodrigues (aproveitando espaços dados pela defensiva caseira), ligeiramente descaído para direita e só com Francisco pela frente, não consegue fazer a bola ultrapassar o guardião da casa. Lista, dois minutos volvidos remate forte e colocado de fora da área, mas João Carvalho com uma intervenção nega o segundo golo ao avançado de Alcanena.

Aos 15 minutos numa saída rápida em contra-ataque, os centrais da casa não são lestos a tirar o esférico da zona de perigo e o veloz Jair aproveita para fazer o merecido (nesta altura) empate.

Surpreendidos pelo atrevimento dos alentejanos, os rapazes da casa sentiram o golo. Durante alguns minutos notou-se alguma desorientação pelo sucedido e isso foi aproveitado pelos forasteiros. Novo lançamento de bola para a velocidade de Jair e já na área o guardião Francisco toca no avançado e provoca grande penalidade. João Navalho assinala de pronto a grande penalidade e expulsa o guarda-redes. Da marca de 11 metros Jair atira a bola para um lado, indo o recém entrado José Miguel para o outro. Estava a reviravolta no marcador consumada.


Com menos um homem, a não terem a intensidade de jogo de um líder e com o Eléctrico a explorar bem as fraquezas do Alcanenense, pairou a sensação de surpresa. No entanto, e estranhamente, foi a partir daqui que o jogo virou. O verde-brancos, talvez satisfeitos com o tinham alcançado aos 22 minutos de jogo, deixaram de procurar tanto a área contrária, remetendo-se ou sendo empurrados pela adversário (fica sempre a dúvida) para o seu meio-campo. Com dez homens, a equipa da casa adotou um 4-3-2 e passou a dominar o jogo. Paulatinamente foi tomando as rédeas do jogo e ao minuto 35, após um canto e alguma confusão na área, Patrick em salto de peixe, de cabeça restabelece a igualdade.

Até o intervalo não houve mais golos, chegando o minuto 45 com um empate certo, pelo que as equipas tinham feito na primeira parte.
A etapa complementar é que foi totalmente diferente. Imperando então a lei do mais forte. Bruno Ferreira aproveitou bem o intervalo para orientar bem as suas pedras, apenas com 10, no relvado e o Alcanenense jogou sempre instalado no meio-campo adversário, ficando ainda mais patente os lances de contra-ataque do adversário. Entra da melhor forma a equipa da casa, pois precisou apenas de dois minutos para dar a “cambalhota” no marcador. Patrick em nova iniciativa pelo lado esquerdo, entra na área e de ângulo apertado remata forte, João Carvalho defende bem, mas na recarga Gomes não perdoou, consumando o 3-2.

Desta feita foram os visitantes, e de que maneira, que sentiram o golo sofrido.
Cinco minutos passados (52 de jogo) e novo golo. Jogada individual de Lista pela direita, entra na área, perante dois adversários atrapalha-se com o esférico, mas com sorte ganha o ressalto e remata para os fundo das redes. Com 4-2 o jogo ficou fechado e notou-se que os jovens de Ponte de Sôr atiraram a toalha ao chão. Tentaram fazer mais alguma coisa no jogo, mas o ímpeto e a alegria que tiveram na primeira parte tinha sido perdida. Paulo Vicente ainda tentou alterar algo do banco, mas as soluções não eram muitas.

Entrou-se numa toada em que a bola pouco saía do meio-campo verde-branco, os incursões à area forasteira iam-se sucedendo, havendo do outro lado timidos contra-ataques. O desnível acentuou-se ainda mais quando aos 68 minutos, Luís Rodrigues vê pela segunda vez o cartão amarelo, deixando a sua equipa reduzida a dez elementos.
Aos 70 minutos de jogo, Cristiano de livre direto fecha a contagem em 5-2. De longe remata forte e faz entrar a bola entrar ao meio da baliza, dando a sensação que o guarda-redes forasteiro podia ter feito mais.

Até final nada de grande realce a registar apenas um lance em que se reclamou grande penalidade para o Alcanenense, em que em cima da linha de golo fica a sensação de uso dos braços, por parte de um defensor, para evitar que a bola entrasse. O árbitro em cima do lance e numa melhor posição nada assinalou.

Vitória certa da equipa do Alcanenense que após contornar a dificuldades iniciais impostas pelo Eléctrico construiu um resultado que lhe deu mais três pontos. De enaltecer a boa réplica dos jovens verde-brancos em especial nos primeiros quarenta e cinco minutos.
Arbitragem com pouco a dizer. Tirando no lance da grande penalidade assinalada em que nos fica a dúvida quanto à cor certa para o cartão a mostrar, fez um bom trabalho. No lance da expulsão do guarda-redes da casa, o penalti é bem assinalado, mas o cartão vermelho talvez tivesse sido exagerado, pois o avançado faz a finta para fora do enfiamento da baliza e havia um defesa no corredor central em condições de discutir o lance. Esta foi a nossa leitura do local onde nos encontrávamos, mas o árbitro no campo teve outro entendimento, o que se respeita.

Ficha do jogo
Estádio Joaquim Maria Baptista
Árbitro: João Navalho, Mário Costa e Fá Sanhá

AC Alcanenense
Francisco, Pedro Silva, Gao Bo (Cristiano), Afonso, Iuri, Patrick, Ivan (Bernas), Gomes, Bruno Ferreira, Lista e Pan Qi (José Miguel)
Suplentes: José Miguel, Bernas, Fábio Marques, Bernardo e Cristiano
Treinador: Bruno Ferreira

Eléctrico FC
João Carvalho, Tiago Varandas, Eduan Barbosa, Maxi Jacob, Rui Lopes (Rodrigo Vicente), Renzo, Francisco Matos, Pedro Lopes (Miguel Castro), Nuno Severino, Diogo Lobato, Luís Rodrigues e Jair
Suplentes: António Dias, Miguel Castro e Rodrigo Vicente
Treinador: Paulo Vicente

Marcadores: Lista (8′ e 51′), Patrick (35′), Gomes (47′) e Cristiano (70′) ; Jair (15′ e 22′)
Cartão Amarelo: Bruno Ferreira (31′), Patrick (33′) e Gomes (60′) ; Luís Rodrigues (16′ e 68′), Tiago Varandas (28′), Nuno Severino (43′) e Jair (88′)
Cartão Vermelho: Francisco (20′) ; Luís Rodrigues (68′)



