15 de maio, 11 horas, Mação
Campeonato Distrital de Futebol da Inatel de Santarém – Final Série 2
Troféu Prof. José Gameiro
Centro Social Cultural e Desportivo de Envendos 3 – Grupo Cultural Desportivo e Recreativo Bairrense 3
(7-8 no desempate pela marcação de grandes penalidades)
Com a bancada e a envolvente às quatro linhas com uma boa moldura humana, Envendos e Bairrense, disputaram o Troféu Prof. José Gameiro, sobre um relvado sintético em boas condições e com uma temperatura agradável.
Numa primeira parte repartida entre as duas equipas, cedo se percebeu que o jogo ia ser animado e aberto. Nos primeiros quarenta minutos para além dos habituais cruzamentos, cantos e remates de longe, que criam sempre expetativa, registámos quatro lances para cada lado de verdadeiro perigo.
Dois esquemas táticos semelhantes quando em ataque, 4-3-3, quando em situação defensiva a equipa do concelho de Mação optava por um esquema aproximado de um 4-1-4-1, ao passo que os homens do concelho de Ourém se dispunham em 4-1-3-2.
Tirando os primeiros quinze minutos de estudo mutuo, a partida decorreu em bom ritmo com situações que mantinham a plateia com os olhos postos nas quatro linhas. Ao cruzarmos o quarto de hora, uma jogada de insistência do ataque de Envendos, apanha a defensiva contrária desposicionada, aparecendo Rodrigo Brísida no coração da área a inaugurar o marcador. Cinco minutos volvidos nova jogada do ataque amarelo, cruzamento para a área, Luís Oliveira facilita e Fábio Vicente não aproveita para aumentar a vantagem. Diga-se que Luís Oliveira, durante o jogo nos pareceu ser melhor entre os postes que quando solicitado a acorrer a cruzamentos e bolas por alto.

A partir daqui sente-se o ascendente da equipa do Bairro, que começa a tomar conta das operações, conseguindo o empate aos 22 minutos, quando Gonçalo num remate cruzado à entrada da área de Envendos, contanto com alguma passividade da defensiva na pressão ao portador da bola, pede ajuda ao poste para faturar. Oito minutos decorridos e Gonçalo volta a aparecer na partida. Sem bola flete da esquerda para o meio, em zona central é servido da direita por um colega, só que o remate saí por cima da barra. Passados dois minutos, a defesa de Envendos volta a mostrar passividade. Lance sobre a linha de fundo que parecia estar controlado por Fábio Vicente, mas Vasco Pereira rouba a bola ao defensor, cruzando atrasado para Rui Santos perder o tempo de remate.

Terminava aqui o melhor momento da equipa do Bairro, pois a três minutos do intervalo surge o 2-1. Derrube de Pedro Pereira a André Batista dentro de área e Henrique Santos, bem colocado, assinala de pronto a marca de penalti. Dos onze metros Rodrigo Brísida volta a facturar, começando a construir uma manhã inesquecível a nível pessoal.

Antes do intervalo mais duas ocasiões, uma para cada lado. Primeiro é Rui Santos que no frente a frente com Alexandre Marques perde o duelo com o guardião de Envendos e depois é Rafael Alves, que numa jogada individual pela esquerda remata cruzado mas para fora.

O segundo tempo começa com a equipa do Bairrense a querer chagar à área de Envendos e numa dessas incursões à zona fatal reclama grande penalidade por derrube a Vasco Pereira. Henrique Santos mandou jogar e Manuel Marques no enfiamento do lance valida a decisão do seu chefe de equipa (e bem em nossa opinião).


Aos 52 minutos Fábio Brísida sela o hat-trick. Jogada confusa pelo ar na área dos ourienses, ninguém tira a bola da zona de perigo, até que esta chega ao avançado de Envendos que atira a contar. Pediu-se fora de jogo mas não havia razão para tal.


Com uma vantagem de dois golos e menos de meia hora para jogar, pensou-se que com maior menor dificuldade a equipa de Envendos tinha a final controlada. Puro engano. A alma e o querer do Bairrense aliada ao desacerto defensivo que os maçaenses iriam revelar, fez com que assim não fosse. Era esperado que a equipa de Envendos adota-se uma toada mais de contenção, que unisse as linhas e até joga-se mais recuada no terreno, com a finalidade de evitar dar espaços nas suas costas. Talvez devido à juventude da equipa, ao peso do jogo, à ansiedade de querer “arrumar a questão” ou até mesmo por não estar habituada a jogar num campo tão grande, não foi nada disso que vimos. Manteve o mesmo sistema e a mesma forma de jogar, saindo-lhe cara a ousadia.
Ao minuto 57 fica o primeiro aviso do Bairrense. Vasco Pereira foge pela direita, remata cruzado, valendo Alexandre Marques a corresponder com excelente intervenção. Aos 65 minutos surge mesmo o 3-2. Vasco Pereira, sem marcação, recebe tranquilamente na área de Envendos e na cara de Alexandre atira a contar. Pediu-se posição irregular. É certo que por estar tão sozinho a posição do atacante pode levantar dúvidas, mas Manuel Marques no enfiamento da jogada (e melhor colocado que nós) decidiu manter o esparadrapo em baixo.



Quinze minutos por jogar e este golo veio trazer ao jogo aquilo que um 3-2 sempre traz. Quem marca galvaniza-se e quem sofre treme. Dez minutos para o fim e o empate aparece. Bola novamente cruzada para as costas da defensiva e André Bento (aposta ganha de Luís Caricas), quase sem ângulo, num remate de belo efeito, faz a bola passar por Alexandre Marques.

Com o empate no marcador e o final da partida próximo, as equipas pareceram não querer arriscar mais, pois o tempo para recuperar de alguma surpresa inesperada seria curto, surgindo o apito final sem mais alterações, indo a decisão da final para as grandes penalidades.
Foram necessária dezoito pontapés, falhando o Bairrense um (excelente defesa de Alexandre Marques), contra dois falhanços do adversário (duas defesas de Luís Oliveira a duas penalidades mal batidas).
Vitória que premeia quem teve coração para lutar por ser feliz quando estava em desvantagem no marcador e que penaliza quem teve tudo para vencer e (em nosso entender) por culpa própria deixou fugir a vitória.
Sobre o trio de arbitragem, para além do já escrito, há a dizer que teve apenas um lance menos feliz. Foi quando o assistente Márcio Alves, na mesma jogada, levanta e baixa a bandeira numa jogada de ataque. Contemporizava, lia a jogada e depois decidia. Da forma como fez, mesmo tendo razão, deu azo a protestos desnecessários. Tirando isso, nada de mais a registar. Boa condução de jogo, sinalética perfeita, diagonais bem definidas e bom entendimento entre todos os elementos.

O Troféu de vencedor da Série 2, foi entregue à equipa do Bairrense pelo homem que lhe dá o nome, o Prof. José Gameiro. Nota positiva e de louvar, à Inatel de Santarém, pois permite que aquele que foi a impulsionador do futebol da Inatel durante largos anos, tenha em vida a oportunidade de ver reconhecido o seu esforço e dedicação a esta causa.

Ficha do jogo
Campo Municipal Agostinho Pereira Carreira
Árbitro: Henrique Santos
Árbitros Assistentes: Manuel Marques e Márcio Alves
4º Árbitro: Bandeira Martins

CSCD Envendos
Alexandre Marques, João Salgado, Fábio Vicente, João Martins, Ruben Xisto, Filipe Santos (Rafael Alves), Nuno Martins, Ricardo Alves (Nuno Marques), Rodrigo Brísida, Luís Dias (André Cristovão) e André Batista
Suplentes: Tiago Rocha, Nuno Marques, Ruben Barata, Carlos Pires, Rafael Alves e André Cristovão
Treinador: Raul Macena

GCDR Bairrense
Luís Oliveira, Fábio Silva, José Pereira, Pedro Pereira, Pedro Silva, Diogo Reis, André Pereira, Daniel Reis (André Bento), Rui Santos, Vasco Pereira e Gonçalo Ferreira
Suplentes: João Reis, Luís Gonçalves, Pedro Marques, Cristiano Filipe, Paulo Vieira, Pedro Bento e André Bento
Treinador: Luís Caricas

Marcadores: Rodrigo Brísida (15’,37’ e 52’) ; Gonçalo Ferreira (22’), Vasco Pereira (65’) e André Bento (73’)
Cartão amarelo: Filipe Santos (27’) ; Pedro Pereira (37’) e Diogo Reis (60’)
Marcação das grandes penalidades:



















