O jogo decisivo para o apuramento do 3º classificado na série A da II divisão distrital da AF Santarém, entre Alferrarede e Atalaiense, não se realizou porque a equipa da casa não efetuou o pagamento à PSP de Abrantes em devido tempo e como era de Lei, informaram hoje as autoridades policiais, em comunicado. A ser assim, o Conselho de Disciplina da AF Santarém, que está a analisar o caso e já foi informado da situação pela PSP, poderá aplicar o vertido no artigo 66, alineas 1,2,3, com derrota ao Alferrarede e sanção pecuniária. Neste caso, o Atalaiense assegura o 3º lugar que dá acesso ao Play off de apuramento de campeão.

Mas o Conselho de Disciplina pode mandar realizar o jogo em data a calendarizar, se assim o entender, salvaguardando, de alguma forma, a verdade desportiva da competição.
“A Portaria n.º 55/2014, de 06MAR, estabelece que o pagamento dos serviços requeridos deve ser efetuado no prazo máximo de 2 dias úteis antes do início de espetáculo…. No caso em apreço a PSP não nomeou polícias para o policiamento ao espetáculo desportivo em questão porque, embora a entidade promotora, C.D.R. Alferrarede, tenha requerido o policiamento, a mesma não efetuou o pagamento dos serviços requeridos dentro do prazo legalmente fixado, ou seja, antes do evento desportivo”, lê-se no comunicado da PSP, que divulgamos na íntegra.
A falta de policiamento no campo CUF, em Alferrarede, levou a equipa de arbitragem a decidir não iniciar o jogo que oporia a equipa da casa e o Atalaiense, jogo que a equipa de Atalaia necessitava de vencer para assegurar o 3º lugar da série A e assim juntar-se a TSU e Rio Maior na disputa do play off de apuramento de campeão e de subida de divisão. No outro jogo que colocou em campo as equipas do Pego e Aldeiense, a equipa pegacha venceu por 2-1 e subiu ao 3º lugar, mas à condição.
Em Alferrarede, o árbitro ainda esperou cerca 30 minutos pela chegada da PSP, mas tal não viria a suceder, recolhendo os jogadores aos balneários, remetendo a decisão do apuramento para o Conselho de Disciplina da AF Santarém.

Comunicado da PSP:
“A Portaria n.º 55/2014, de 06MAR, estabelece que “O pagamento dos serviços requeridos deve ser efetuado no prazo máximo de 2 dias úteis antes do início de espetáculo…”. No caso em apreço a PSP não nomeou polícias para o policiamento ao espetáculo desportivo em questão porque, embora a entidade promotora, C.D.R. Alferrarede, tenha requerido o policiamento, a mesma não efetuou o pagamento dos serviços requeridos dentro do prazo legalmente fixado, ou seja, antes do evento desportivo”, lê-se no comunicado da PSP.
Tendo sido veiculada, em alguns Órgãos de Comunicação Social de âmbito regional e local, a notícia de que um “JOGO DECISIVO NA II DIVISÃO DISTRITAL NÃO SE DISPUTOU POR FALTA DE POLICIAMENTO”, o Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Santarém, ao abrigo do exercício do direito de resposta e de forma a esclarecer cabalmente o sucedido, informa o seguinte:
1. A notícia reporta-se ao encontro de futebol, agendado para o dia 15 de abril de 2018, que opunha as equipas do C.D.R. Alferrarede e a U.D. Atalaiense, em jogo da 2.ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Santarém, o qual não se realizou por decisão da equipa de arbitragem, com fundamento na ausência de policiamento;
2. O Decreto-Lei n.º 216/2012, de 09OUT, define os espetáculos desportivos em cuja requisição de policiamento é obrigatória, atribuindo a responsabilidade pelos encargos com o policiamento aos respetivos promotores;
3. A Portaria n.º 55/2014, de 06MAR, estabelece que “O pagamento dos serviços requeridos deve ser efetuado no prazo máximo de 2 dias úteis antes do início de espetáculo…”;
4. No caso em apreço a PSP não nomeou policias para o policiamento ao espetáculo desportivo em questão porque, embora a entidade promotora, C.D.R. Alferrarede, tenha requerido o policiamento, a mesma não efetuou o pagamento dos serviços requeridos dentro do prazo legalmente fixado, ou seja, antes do evento desportivo;
5. Salienta-se que a referida entidade já havia sido alertada, por diversas vezes, para a necessidade de dar cumprimento aos procedimentos legais relativos à liquidação dos encargos com o policiamento e que a PSP colabora com inúmeras entidades promotoras de espetáculos desportivos, mantendo sempre e com todos o mesmo grau de exigência no cumprimento das normas legais”, conclui o comunicado da PSP.

O Pego, que venceu no domingo o Aldeiense (2-1), é a outra equipa ainda com possibilidades de apuramento, dependendo do resultado do Atalaiense em Alferrarede, se jogo se vier a realizar. Se o Atalaiense empatar ou perder, é a equipa do Pego apurada.
Contactado pelo mediotejo.net para esclarecer como se resolve o imbróglio, Jorge Heleno, vogal da direção da Associação de Futebol de Santarém, disse no domingo que, “primeiro que tudo, há que analisar os motivos pelos quais não houve jogo. Só depois”, possívelmente esta segunda-feira, ou na terça-feira, no máximo, o Conselho de Arbitragem tomará uma decisão”.
Uma coisa é certa: o relatório do árbitro será fulcral para apurar o sucedido, e o Conselho de Disciplina tomar uma decisão.
E das duas uma: “ou pune a equipa da casa com derrota e sanção pecuniária ou, se existir um motivo excecional, pode marcar nova data para que o jogo se realize”, avançou Jorge Heleno, advogado, tendo feito notar, no entanto, ser prematuro avançar com qualquer perspetiva de decisão.
A punição do clube de Alferrarede com multa e derrota é situação que “não passa pela cabeça” do presidente dos Dragões de Alferrarede, Nuno Mateus.
Em declarações ao mediotejo.net, o presidente da direção do CDR Alferrarede disse que “o problema foi a PSP não ter aparecido no campo de jogos, apesar de requisitada para tal. Ainda fomos à esquadra, eu e um dirigente do Atalaiense, e confirmámos que o registo do pedido estava lá. Porque não apareceram só eles poderão dizer, pelo que esta situação nos ultrapassa, para além de ter criado bastante transtorno, em situação que o árbitro terá descrito no seu relatório”, afirmou.

Segundo Nuno Mateus, “gerou-se confusão nas bilheteiras porque havia muito ingressos vendidos e foi muita gente, naturalmente, a pedir a devolução do dinheiro dos bilhetes que haviam pago”.
Segundo o dirigente, “em princípio o jogo será remarcado para um dia desta semana”. Outra possibilidade poderia ser a aplicação de uma multa e penalização com derrota ao clube da casa, hipótese que Nuno Mateus diz não acreditar venha a acontecer. Não seria justo, não temos culpa de nada, e isso obrigaria a um vivo protesto da nossa parte”, concluiu.
*C/ Tiago Soares


