24 de abril de 2016, 16 horas, Torres Novas
Campeonato Distrital da 1ª Divisão de Seniores da Associação de Futebol de Santarém
Clube Desportivo de Torres Novas 0 – Centro Desportivo de Fátima 3
Crónica do jogo por Jorge Beirão

Jogo no Estádio Municipal Dr. Alves Vieira em Torres Novas, numa tarde de primavera com o Sol a aquecer o ambiente. Poder-se-à dizer que foi um jogo de festa para a equipa campeã do distrital maior da Associação de Futebol de Santarém, o Centro Desportivo de Fátima, em que a equipa visitada se associou de certa forma, dando uma nota de bastante fair-play, fazendo o corredor de honra na entrada do jogadores fatimenses em campo. Bonito sem dúvida.

Quanto ao jogo, propriamente dito, diremos que teve sempre o mesmo sentido, com um ataque sistemático por parte da equipa de Fátima, porque sem novidade nenhuma é composta por excelentes executantes e muito bem organizada, com os jogadores a fazerem a leitura correta das ações ofensivas e defensivas, tendo uma mobilidade impressionante e cujas rotinas criadas são complicadas para o adversário, pois exige grande capacidade física e quando a equipa tem que improvisar surpreende.
Em resumo é uma equipa de outro nível, que mereceu desde o início do campeonato os maiores encómios dos seus adversários. Digamos que os seus objectivos são bastante ambiciosos, por parte dos seus investidores, que também posaram com os atletas na fotografia com o troféu alcançado para a posteridade, após entrega do mesmo pela Associação de Futebol de Santarém, havendo grande celebração por parte dos atletas do Clube Desportivo de Fátima.

Retomemos então a crónica do jogo. Claro que o ascendente da equipa visitante no jogo era evidente, mas de uma forma bem organizada e generosa de aplicação, os homens da equipa torrejana lá iam contrariando os desejos do adversário, quando conseguiam ganhar a bola saiam para o ataque por vezes com algum individualismo, outras com troca de bola entre os homens da frente com alguma surpresa, mas como dissemos a leitura por parte do adversário era perfeita. No entanto tornou-se, nos primeiros vinte minutos, um jogo interessante, mais que não fosse, para ver até que ponto a equipa do CD Torres Novas conseguia contrariar o ascendente adversário.
Mas, há sempre um tal mas, é verdade. Se com onze já era difícil com dez mais difícil se torna. Foi o que aconteceu à equipa do torrejana. Aos 21 minutos da partida fica reduzida a dez por expulsão com segundo amarelo e respectivo vermelho de Ricardo Major, que até tinha já feito duas incursões no ataque com alguns dribles ultrapassando alguns adversários e foi num desses lances que ao ultrapassar um defensor adversário cai ainda a alguma distância da área, sendo interpretado pelo árbitro da partida por simulação de uma eventual falta, vendo o cartão amarelo. Na nossa opinião pensamos que João Bento não esteve bem. Poderia ter advertido verbalmente o jogador torrejano, já que interpretou assim o lance, e ainda para mais nem foi dentro da área, mas não nos pareceu qualquer simulação do tipo “chicoespertisse”, como tantas vezes acontece, houve contacto entre dois jogadores e um caiu.
Este lance ocorreu aos 17 minutos de jogo e volvidos mais quatro o referido Ricardo Major, ensaia mais um dos seus raides e é desarmado pelo adversário e quando se encontram no chão o jogador da casa agarra o pé do seu opositor. Justo cartão amarelo só que devido ao anterior que consideramos injusto, o Ricardo só jogou os tais 21 minutos, ficando a sua equipa reduzida a dez.
Foi pena, porque a partir deste momento como dissemos, se com onze era difícil com dez foi o descanso para o Guardião Nuno Ribeiro de Fátima, que passou a jogar como se fosse um libro, uma vez que o CDTN só esporadicamente, através de lances de bola parada, perturbou a defensiva do CDF. Mas devemos enaltecer a aplicação e espírito de sacrifício da equipa torrejana, pese embora os golos sofridos. O primeiro foi aos 34 minutos por intermédio de Vasco Gonçalves que junto ao poste direito de David, intromete-se entre os defensores de Torres Novas e desvia em toque subtil para o fundo da baliza de David.
Depois aos 42 minutos é Hamza Jouini, que no corredor direito descai para o interior e quando se espera um passe ou centro, ainda fora da área, desfere um remate pronto surpreendendo os defensores e o guarda redes David que fica pregado a ver a bola ir para o fundo da baliza.
Foi uma primeira parte em que o resultado se aceita e em que o C.D. de Fátima teve uma percentagem considerável de posse de bola, que não podemos quantificar.
No segundo período as coisas não se alteraram, em termos do domínio da partida, com a equipa campeã distrital a controlar as operações, mas não conseguindo alcançar o desiderato pretendido ou seja, em dilatar consideravelmente o resultado devido, como já foi referenciado, ao espírito de sacrifício e aplicação dos homens de Torres Novas, cujo treinador esteve sempre de pé durante a partida incentivando os seus jogadores.
Conseguiram os homens de João Henriques, apenas mais um golo, o terceiro, eram decorridos 51 minutos na etapa complementar, por intermédio de Abdullah em pontapé acrobático no interior da área da equipa torrejana. Teremos que referir, em abono da verdade, como é costume dizer-se, que o Desportivo de Fátima baixou um pouco a velocidade de execução dos lances de ataque, ou por cansaço, o que é estranho, pese embora a temperatura um pouco alta para o contexto meteorológico que temos passado, ou porque as alterações operadas premiaram atletas menos utilizados.

Quanto à equipa do Desportivo de Torres Novas diremos que surpreendeu mesmo com dez, talvez pela motivação de jogar contra o campeão, mesmo utilizando dois jogadores ainda juniores, falamos do guarda-redes Amaral nos minutos finais da partida e do outro júnior de dezoito anos, João Bruno, durante o jogo todo.
Quanto à equipa de arbitragem chefiada por João Bento e seus assistentes Samuel Dionísio e Nuno Ferreira, realizaram um trabalho muito bom em termos técnicos, muito bem também no acompanhar dos lances com diagonais corretas e boa coordenação entre os seus elementos no assinalar das infracções. No que se refere ao aspeto disciplinar, pensamos que houve um certo exagero por parte de João Bento, que após a expulsão parece que o reconheceu, deixando de ser tão peremptório e excessivo nesta “verborreia gestual da cartolina icterícia”. Até porque o jogo tinha as características que se conhecem (em jeito de festa) daí também a sua nomeação, porque sendo árbitro de segunda categoria nacional seria para dar mais um toque positivo ao encontro, dizemos nós, mas o “mal” já estava feito, neste caso na equipa da casa. Jogo fácil e jogadores muito pouco complicativos, daí a nossa surpresa em termos que referenciar este aspeto menos abonatório pela atuação do árbitro da partida. Por curiosidade, refiro que sempre foi assim, e parece que o “vírus” se mantém, ou seja, os árbitros dos quadros nacionais quando arbitram nos distritais “esticam-se” sempre neste capítulo.
Por fim referenciar que Nelson Ramos, capitão da equipa torrejana, realizou o seu último jogo na sua carreira futebolística, tendo sido substituído aos 57 minutos de jogo, sendo bastante ovacionado.
Ficho do jogo
Estádio Municipal Dr. Alves Vieira
Árbitros: João Bento, Samuel Dionísio e Nuno Ferreira

CD Torres Novas
David (Amaral), Joel, André Vieira, Tiago Vieira, Nelson Ramos (Fábio Timor), Paz Miguel, Leandro, Ricardo Major, João Bruno, Cláudio Major (João Rosa) e Sudesh
Suplentes: Amaral, Messi, João Rosa, Fábio Timor, Brito e Cerqueira
Treinador: Pedro Monserrate

CD Fátima
Nuno Ribeiro, Fábio Coça (Luisito), Abdullah, André Sousa, João Martins (Faysal), Jorge Neves, Nélson Sousa, Vasco Gonçalves, Ivan, Hamza (Ednilson) e Laranjeiro
Suplentes: Hélio, Faysal, Cédric, Ednilson, Sérginho, Luisito e Miguel Neves
Treinador: João Henriques

Cartão amarelo: João Bruno (13′), Cláudio Major (15′), Ricardo Major (17′ e 21′) e Fábio Timor (78′) ; Hamza Jouni (42′) e João Martins (48′)
Cartão vermelho: Ricardo Major (21′)


