Festival Vapor regressa em 2027 entre balanço positivo e alertas à perda de identidade. Foto: Fábio Leitão

O Festival Vapor vai regressar ao Entroncamento em 2027, confirmou a organização após a sexta edição, realizada no Museu Nacional Ferroviário. O balanço positivo do evento contrastou, entretanto, com alertas feitas na reunião de Câmara sobre a alegada perda de identidade ferroviária e steampunk e a promoção do festival.

Realizado nos dias 3 e 4 de outubro, numa parceria entre o Museu Nacional Ferroviário e o Município do Entroncamento, o festival reuniu cerca de 13 momentos de música, teatro e cinema, aos quais se juntaram atividades de inspiração steampunk, feira do livro, feira de artesanato, oficinas e propostas dirigidas às famílias.

A programação musical incluiu Mandra, Iolanda, Fogo Fogo, Stereossauro, Rita Vian, Arapucagongon, Motherflutters, Mayra Andrade e Hermanas Sisters. O concerto de xtinto acabou por ser cancelado devido à forte tempestade que se fez sentir durante a tarde do primeiro dia.

O programa integrou ainda a peça “Antiprincesa Clarice Lispector”, de Cláudia Gaiolas, sessões de curtas-metragens do Planos Film Fest e várias iniciativas desenvolvidas em parceria com a Liga Steampunk, entre as quais a Fábrica de Autómatos, jogos de tabuleiro, um espaço de fotografia e uma oficina de reciclagem.

A edição deste ano incluiu também um programa dirigido às escolas, realizado na tarde de 2 de outubro, com a participação de turmas do 1.º ciclo do Entroncamento.

Festival Vapor regressa em 2027 entre balanço positivo e alertas à perda de identidade. Foto: Fábio Leitão

No balanço divulgado após o evento, Manuel de Novaes Cabral, presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário, destacou a diversidade da programação, as medidas de acessibilidade e inclusão e a ligação à ferrovia, num ano em que se assinalam os 170 anos do caminho de ferro em Portugal.

Também o presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha (Chega), classificou o Vapor como “um evento de referência” para a cidade, defendendo que valoriza a identidade ferroviária e contribui para afirmar o Entroncamento como “a cidade ferroviária de Portugal”.

A organização confirmou igualmente que o festival regressará em 2027.

Festival Vapor regressa em 2027 entre balanço positivo e alertas à perda de identidade. Foto: Fábio Leitão

O balanço surge depois de a edição deste ano ter motivado uma discussão na reunião de Câmara de 6 de outubro, onde o vereador do PS Mário Balsa defendeu que o festival perdeu parte da identidade que marcou as primeiras edições.

Mário Balsa, que participou no executivo municipal durante as primeiras edições do evento, considerou que o Vapor foi inicialmente pensado com uma matriz ferroviária e steampunk mais vincada e uma ambição de projeção nacional e internacional.

O vereador apontou como exemplos de anteriores componentes do festival o cinema, a literatura, o artesanato e atividades dirigidas às famílias, considerando que a aposta atual se tornou mais centrada na programação musical.

Na edição agora realizada, contudo, o programa divulgado pela organização incluiu cinema, teatro, feira do livro, artesanato e várias atividades steampunk, pelo que as declarações do vereador traduzem uma avaliação sobre o peso e a expressão dessas componentes no conceito global do festival.

Festival Vapor regressa em 2027 entre balanço positivo e alertas à perda de identidade. Foto: Fábio Leitão

Mário Balsa reconheceu que a identidade steampunk não desapareceu por completo, mas considerou que “toda a construção do próprio evento perdeu a sua essência”, defendendo uma recuperação da matriz original e uma maior aposta na internacionalização.

Também Rui Madeira, eleito pela coligação Viva o Entroncamento (PSD/CDS-PP), acompanhou as críticas e colocou sobretudo o foco na promoção do evento, afirmando que o festival tem vindo a registar menos assistência e defendendo uma divulgação compatível com a dimensão regional, nacional e internacional pretendida.

Na resposta, Nelson Cunha reconheceu que o festival “tem potencial para mais” e admitiu que algumas componentes poderiam ter tido maior expressão, apontando como exemplos a pintura, a arte urbana e outros géneros musicais.

O presidente da Câmara afirmou, contudo, que a intenção do município é manter a orientação internacional do Vapor e anunciou que pretende avaliar, junto das unidades hoteleiras da cidade, o impacto do festival nas dormidas e comparar os resultados com a edição anterior.

Nelson Cunha salientou ainda ter identificado público de outras nacionalidades durante o evento e defendeu o potencial do Museu Nacional Ferroviário como espaço diferenciador para a realização de iniciativas culturais.

A sexta edição contou, segundo a organização, com cerca de uma centena de pessoas envolvidas na sua realização e voltou a integrar um plano de acessibilidade, apoiado pela Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply