“A água é fonte de vida e é fonte de festa. O nosso slogan deste ano vai ser ‘Água, Fonte de Festa'”, disse Carolina Serrão, presidente da associação cultural Além Mundus, explicando que o tema, escolhido pelos participantes logo na primeira edição do festival, ganhou ainda maior atualidade depois das tempestades e dos períodos de seca registados este ano.
Criada em 2024 pela associação Além Mundus, a Festa do Futuro assume-se como um festival comunitário que cruza cultura, ambiente, ciência e participação cidadã na aldeia do Souto, no concelho de Abrantes, onde vivem cerca de uma centena de pessoas.
Depois de uma primeira edição dedicada ao “Coletivo” e de uma segunda centrada na “Floresta”, a organização escolheu agora a água para promover uma reflexão sobre os recursos hídricos, as alterações climáticas e a relação das comunidades com o território.
“Interessa-nos falar dos recursos hídricos, das cheias e da seca, mas também da água enquanto transformação e purificação. É um tema que pode ser visto de muitos pontos de vista”, explicou Carolina Serrão, acrescentando que a programação procura abordar o assunto “de diferentes perspetivas”, entre a ciência, a criação artística e a dimensão simbólica da água.




A programação, apresentada durante uma caminhada interpretativa pelas Conheiras da Matagosa, integra concertos, teatro, dança, oficinas, caminhadas, conversas, exposições, instalações artísticas e atividades de mediação cultural distribuídas por vários espaços da aldeia.
Do programa fazem parte o Observatório dos Rios do Souto, os concertos de AP Braga, Et Toi Michel, Trio Alcatifa e Mish Mish, os espetáculos “TUIAVII”, da Companhia Caótica, e “Michelin”, pelo Grupo de Teatro Palha de Abrantes, além de oficinas, um percurso sonoro e exposições.
Entre as novidades destaca-se a abertura de pátios e outros espaços privados à programação, acolhendo atividades em casas e terrenos habitualmente inacessíveis ao público.
Pela primeira vez, haverá concertos no domingo, alargando o festival aos dois dias.
“É o festival a crescer, é o festival a amadurecer”, resumiu Carolina Serrão, indicando que a programação decorrerá das 09:00 às 02:00 nos dois dias, acompanhando o crescimento do público e dos participantes.

Segundo a responsável, o projeto continua a ser construído de forma colaborativa, através de uma convocatória anual que envolve habitantes do Souto, de aldeias vizinhas e de outros concelhos na definição do tema, das atividades e dos espaços.
“No fundo, queremos responder sempre à mesma pergunta: que futuro é que nós queremos habitar?”, afirmou Carolina Serrão, explicando que o festival usa “as artes e a cultura” para imaginar e discutir o futuro das comunidades do interior.




A terceira edição realiza-se depois de a campanha de financiamento coletivo ter ultrapassado a meta dos 5.509 euros, permitindo manter a programação prevista.
“Foi muito surpreendente e muito emocionante. Deu-nos força para continuar e mostrou-nos que este projeto está a ter impacto”, afirmou a responsável, indicando que cerca de 200 pessoas contribuíram para a campanha.
Apesar desse apoio, a responsável considerou que a sustentabilidade financeira continua a ser um dos principais desafios dos projetos culturais desenvolvidos no interior, defendendo que o setor necessita não apenas de mais financiamento, mas também de maior previsibilidade nos concursos públicos.
“Não é só o dinheiro. É também esta falta de previsibilidade que alimenta muita precariedade”, sustentou, criticando os sucessivos atrasos na abertura dos apoios da Direção-Geral das Artes e manifestando esperança de conseguir, pela primeira vez, apoio sustentado daquele organismo para as próximas edições.
c/Lusa
