conferência da proteção civil fez ponto de situação da propagação da vespa asiática Foto: mediotejo.net

Com quase nenhum ninho de vespa asiática identificado no concelho no final de 2018, o município de Ferreira do Zêzere acabou por contratualizar um serviço de apoio ao combate à espécie invasora face à pressão dos apicultores, que já se debatiam com o problema, e a ausência de diretivas objetivas do Governo. Em 2019 os ninhos começaram a aparecer às dezenas, sendo contabilizados 132 ninhos naquele território.

O ponto de situação da propagação da vespa asiática em Ferreira do Zêzere foi realizado na manhã de 13 de março, sexta-feira, na Conferência da Proteção Civil, pela empresa Enxame d’Abelhas. O encontro manteve-se apesar do Covid-19, com regras de desinfeção frequente de mãos e o evitar de contactos próximos, várias vezes repetidas aos presentes.

O cenário em relação à vespa asiática não está porém muito melhor que o novo coronavírus. Com pouquíssimos casos identificados no concelho de ninhos em 2018 e praticamente sem histórico da espécie invasora, o município foi surpreendido em 2019 com a quantidade de ninhos, primários e secundários, que foram surgindo, ultrapassando a centena.

A freguesia pior foi a do Bêco, adiantaram ao mediotejo.net os especialistas da Enxame d’Abelhas, onde foram encontrados 28 ninhos de vespa asiática. A autarquia reunia todas as condições para potenciar o crescimento da espécie, explicaram, nomeadamente a grande quantidade de água, altitude, vegetação de frutos e encontrar-se na convergência de outros concelhos que já lidavam com a praga e onde a prevenção não foi suficiente.

Em 2020 a equipa vai renovar as 750 armadilhas instaladas e colocar mais 400, nomeadamente por meio de barco e com a ajuda da população, sobretudo jovens. A Enxame d’Abelhas encontra-se ainda a “chipar” algumas vespas capturadas, com o fim de identificar o ninho por radiotelemetria.

Outra ideia em desenvolvimento, foi avançado no decorrer da conferência, é organizar grupos de intervenção nas comunidades que, conhecendo o terreno, possam ajudar a identificar mais ninhos. O projeto está a ser analisado pelas juntas de freguesia.

Só no final do ano se poderá saber se estas técnicas estão a ter resultado, admitiram os especialistas, uma vez que não há termo de comparação além de 2019. Se o número de ninhos identificados descer, mantiver-se ou subir ligeiramente são boas notícias. “O dobro ou o triplo é mau sinal”, reconheceram, significando que a estratégia não resultou.

A vespa asiática já se encontra em todas as freguesias e, frisaram, é quase impossível erradicá-la. Um ninho faz 30 a 40 rainhas para o ano seguinte, explicaram, pelo que mesmo que se mantém algumas é muito difícil eliminar toda a cadeia.

Com o calor a chegar e as vespas já a circular, começa por esta época os picos de atividade. As abelhas europeias, sem defesas contra a invasora e essenciais à agricultura e ao equilíbrio do nosso ecossistema, estão em perigo.

Na ocasião, o comandante da Proteção Civil de Ferreira do Zêzere, Pedro Mendes, tornou a criticar a falta de indicações objetivas da parte do Governo sobre o tema da vespa asiática, que acabou por colocar a responsabilidade nas câmaras municipais.

“Isto tem sido uma organização desorganizada”, afirmou, e o problema já vai no Alentejo. “Continua sem haver uma definição de quem resolve o problema”, além de que tipo de ameaça é esta, se de “saúde pública, uma espécie invasora ou um caso de Proteção Civil”.

“Alguém tem que olhar para isto de outra maneira”, alertou.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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