O conselho consultivo da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ferreira do Zêzere reuniu na noite de quinta-feira, 9 de agosto, com juntas de freguesia, Câmara Municipal, ex-dirigentes, Liga dos Bombeiros Portugueses e paróquia para analisar qual a melhor estratégia de ação no que toca à angariação de fundos para recuperar os danos provocados pelo incêndio que deflagrou no quartel a 4 de agosto. O prejuízo contabilizado até ao momento ascende os 240 mil euros, com duas viaturas destruídas, três a precisar de arranjo, o telheiro a ter que ser reparado, assim como dois motociclos e duas bicicletas destruídas, que serviam de meio de transporte a elementos da corporação.
Os acontecimentos do último sábado ainda parecem meio irreais para quem os viveu. Um incêndio deflagrou ao fim da tarde no quartel, destruindo por completo o veículo de comunicações e o veículo de combate a incêndios florestais, provocando danos em outros veículos e ferimentos em três bombeiros. Segundo o Comandante Pedro Carraço a situação não afeta a prestação de auxílio da corporação – até porque os Bombeiros trabalham em rede e podem sempre vir carros e homens de outras corporações circundantes – mas há efetivamente algumas fragilidades a serem reparadas.
O presidente da assembleia geral da Associação dos Bombeiros e responsável pelo conselho consultivo, Luís Vaz Pereira, decidiu por tal reunir ex-dirigentes, autarcas e outras figuras da sociedade civil e religiosa para debater uma estratégia de angariação de fundos, oficializando as atividades que estão ligadas efetivamente aos Bombeiros de outras que partem de iniciativas particulares e sob as quais a corporação não tem qualquer controlo. Conforme foi salientado no decorrer da sessão, durante a semana surgiram imensas iniciativas de apoio nas redes sociais, querendo os Bombeiros pautar-se pela transparência e alertar para a eventualidade de abusos em torno da situação.
Oficialmente os Bombeiros têm apenas uma conta aberta na Caixa Geral de Depósitos para receber donativos, com o IBAN PT50 0035 0315 0000 0711 9301 3. Na reunião ficou decidido organizar equipas, em parceria com as juntas de freguesia, para ir de porta à porta pedir donativos e abordar também o núcleo empresarial.
Só o veículo de comunicações, que pertencia aos Bombeiros mas era utilizado a nível distrital pela Proteção Civil por ser o único existente na região, representa um prejuízo de 160 mil euros, refere a listagem de danos que os Bombeiros cederam ao mediotejo.net. O veículo de combate a incêndios florestais está estimado em 70 mil euros, o pavilhão e fachada destruídos 10 mil euros e as duas motas e duas bicicletas 2 mil euros.
A listagem não contempla os danos sofridos no veículo tanque, veículo especial de combate a incêndios e o veículo de transporte pessoal, que continuam operacionais mas tiveram que ser reparados.

O presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Jacinto Lopes, sugeriu a data do aniversário da corporação, em abril, como limite para repor a situação. Foram já realizados contactos com o Secretário de Estado da Proteção Civil para que se solidarize com a situação, tendo sido também enviada uma carta à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.
Da parte da Liga dos Bombeiros Portugueses, o vice-presidente Luís Lopes, presente na reunião, manifestou ao mediotejo.net o apoio da instituição e a vontade de mover influências, quer junto da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) quer junto da tutela, para que seja dada uma resposta rápida quanto a equipamentos necessários, atendendo à “circunstância especial” de que se reveste a situação. Conforme salientou, o veículo de comando e comunicações usado no distrito pertencia a esta corporação, que sempre a disponibilizou.
Entre quem esteve presente foi frisada a necessidade de transparência em todo o processo de angariação de donativos, evitando-se que o rasto do dinheiro se perca à semelhança do que aconteceu com Pedrógão Grande, disponibilizando-se os Bombeiros para dar a conhecer os consequentes relatórios, inclusive pela comunicação social. Presidentes das juntas e clero local foram alertados para esclarecer fregueses e paroquianos.
Na quinta-feira à noite a corporação tinha angariado 2151 euros, havendo já algumas propostas de empresários locais para ajudar a recuperar o telheiro destruído.
