Segundo números apresentados no decorrer das cerimónias do Dia do Concelho de Ourém, visitaram Fátima 6,7 milhões de pessoas no ano passado. Aguarda-se que em 2017 esse número atinja os 8 milhões, com a visita do Papa Francisco a 13 de maio. O mediotejo.net foi fazer o ponto de situação da ocupação hoteleira na cidade religiosa. Neste momento há quartos a serem vendidos a 1600 euros a noite de 12 para 13 de maio. Num site de reservas internacional atinge os 5 mil euros.
Há dois anos que se adianta que a ocupação estará cheia para o Centenário das Aparições, mas em maio de 2015 ainda não se conseguiam fazer reservas online, via Booking (o site mais conhecido de reservas online), para essa data. Atualmente já é possível e o cenário é de lotação esgotada para a maioria das unidades hoteleiras da cidade religiosa. Os únicos hotéis que ainda oferecem quartos atingem preços muito acima da média: para um noite de duas pessoas, com pequeno almoço, há quartos a 1500 euros, 1699 euros, 1400 euros e 793 euros.

Quem quiser oferta mais barata tem que se afastar de Fátima. Em Leiria (a 25 km), ainda assim, um hotel também já está a vender os seus quartos a 1500 euros, outro a 417 euros. Em Alcobaça (a 30 km de Fátima) os preços rondam os 205 e os 360 euros pela noite. Em Alcanede (a 30 km) há quartos a 800 euros. Na Nazaré (a 35km) a noite está por 380 euros, 145 euros ou 199 euros.
Os preços baixam significativamente ao entrar para o interior do país. Tomar e Golegã ainda vendem quartos entre 30 a 80 euros. No geral, para encontrar um quarto barato, neste momento, tem que se afastar uma média de 35/40 quilómetros da cidade religiosa.
A situação não é muito diferente no site momondo, menos conhecido que o Booking. Em Fátima, apresentam quartos a 1169 euros, 1602 euros, 849 euros (com baixa de 1320 euros) e 747 euros. Já no site Amoma.com o mediotejo.net encontrou o preço mais alto: 5310 euros pela noite de 12 para 13 de maio.
O presidente da ACISO – Associação Empresarial Ourém Fátima, Alexandre Marto, reconhece que possa haver, pontualmente, algum abuso nos preços da parte dos hoteleiros, mas afirma que a situação também está ligada a “razões técnicas”. Os contratos com operadoras de reservas online exigem um certo número de quartos livres durante todo o ano, pelo que podemos estar a falar de “preços para não vender”, uma vez que os quartos em si já estarão vendidos. Dado o simbolismo da data, no entanto, poderá ainda assim haver compra. Alexandre Marto reconhece a possibilidade de excesso de lotação, mas explica que há alternativas, desistências e formas conhecidas no mundo da hotelaria de contornar o problema.
Também ele hoteleiro, ligado ao grupo Fátima Hotels, Alexandre Marto explica que o universo da reservas não é assim tão linear. O hoteleiro tem contratos com operadoras, que lhe compram quartos todo o ano e não apenas no 13 de maio. Com estas há compromissos a cumprir e são vendidos conjuntos de quartos para pacotes de viagem, que depois estarão à venda em agências. Sobretudo no estrangeiro, contemplam o turista que vem passar 15 dias a um mês na Europa e quer pernoitar em Fátima. São quartos vendidos a operadoras mas que podem chegar vazios às vésperas do 12 de maio por estas não os terem conseguido vender. Alexandre Marto reconhece que acontece frequentemente haver vários quartos livres 15 dias antes do 13 de maio.

Este é o cenário tradicional: operadoras de um lado, reservas individuais por outro, que enchem rapidamente a oferta em datas festivas. Em 2017, no entanto, poderá ser diferente e não haver tantas desistências e uma maior propensão à sobrelotação (a maioria dos hotéis também já terá uma longa lista de espera), com quartos já vendidos a serem vendidos novamente. São as circunstâncias do negócio e do grande número de meios que existem para reserva e, na prática, manter os hotéis com clientes o resto do ano e não apenas em Maio.
Alexandre Marto reconhece que atingirem-se preços de 5 mil euros em Fátima pode parecer imoral, mas boa parte do ano os preços nos hotéis caem para 20 euros a noite, com as mesmas estruturas por manter. A inflação de preços não é ilegal, embora alguns hotéis possam estar efetivamente a aproveitar-se da data. “Há que refletir” todo o conjunto, comenta.
