Em conferência de imprensa que antecede o início da peregrinação aniversária de outubro, esta segunda-feira, dia 12 de outubro, o Reitor do Santuário de Fátima, Padre Carlos Cabecinha, avançou com alguns números do efeito da pandemia nas contas da instituição. Deste modo, até final de setembro, a queda da receita foi de 50,6% e de donativos de 46,9%.
Os números refletem o vazio de peregrinos, nomeadamente estrangeiros, que a instituição tem sentido. Entre março e setembro, referiu o Reitor, foram cancelados 436 grupos. Outubro é o mês em que, por tradição, vêm mais grupos de estrangeiros (em 2019 foram 733, num total de 100 mil pessoas), estando registados para esta peregrinação apenas 22.
Carlos Cabecinhas abordou também o plano de reestruturação do Santuário de Fátima, adiantando que se mantém a intenção de reduzir “a massa salarial”. Para já, referiu, houve 14 rescisões amigáveis, quatro reformas, 15 demissões a pedido do próprio, e 18 não renovações.

Em contrapartida, a instituição aumentou em 60% os apoios sociais a pessoas e famílias, num montante geral, indicou, que se traduz em 800 mil euros (excluindo outros apoios à Igreja).
“É sempre doloroso pedir aos peregrinos que não venham”, comentou o responsável, frisando que “tudo faremos para que seja uma peregrinação digna”.
Já o Cardeal António Marto, bispo de Leiria-Fátima, apelou à responsabilidade. “No Natal não podemos repetir o que aconteceu na Páscoa”, comentou, salientando porém o comportamento “exemplar” que tem pautado a Igreja e os cristãos. “Estamos conscientes da gravidade da pandemia”, frisou.

Questionados pela comunicação sobre os despedimentos no Santuário de Fátima, os responsáveis tornaram a negar a pressão sobre os funcionários para rescisões e a intenção de reduzir até uma centena de trabalhadores. Frisaram, porém, a necessidade de diminuir custos.
A peregrinação de 12 e 13 de outubro é presidido pelo Bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, José Ornelas Carvalho.
